JESUS TEVE MEDO DE MORRER?

Camilla Ferraz

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.’’ 1 Timóteo 3.16

O texto do Apóstolo Paulo escrevendo ao seu filho na Fé Timóteo expressa uma das maiores verdades do cristianismo, bem como também um dos maiores paradoxos das Sagradas Escrituras: Deus se fez carne! Esse evento é tão sublime, que o próprio apóstolo se refere a ele como ‘’um mistério’’. Estamos diante de um texto que retrata o milagre da Encarnação: O Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade se fez Homem! (João 1.1).

1-   JESUS TEM DUAS NATUREZAS
As duas naturezas de Jesus, humana e divina, são inseparáveis. Jesus vai ser para sempre Deus-homem, 100% Deus e 100% homem, duas naturezas distintas em uma Pessoa. A humanidade de Jesus e a Sua divindade não se misturam, mas se unem sem perderem suas identidades separadas. Jesus às vezes vivia com as limitações de humanidade (João 4:6; 19:28) e outras vezes com o poder de Sua divindade (João 11:43; Mateus 14:18-21). Nos dois casos, as ações de Jesus foram de Sua única Pessoa. Jesus tinha duas naturezas, mas só uma personalidade.

União hipostática é o termo usado para descrever como Deus Filho, Jesus Cristo, tomou para Si a natureza humana, ao mesmo tempo permanecendo 100% Deus. Jesus sempre foi Deus (João 8:58; 10:30), mas na encarnação Jesus se fez carne – Ele tornou-se um ser humano (João 1:14). A adição da natureza humana à natureza divina resulta em Jesus, o Deus-homem. Essa é a união hipostática, Jesus Cristo, uma Pessoa, 100% Deus e 100% homem.

Jesus é Deus e homem. Jesus sempre foi Deus, mas Ele não se tornou um ser humano até ser concebido em Maria. Jesus se tornou um ser humano para poder se identificar conosco em nossas dificuldades (Hebreus 2:17) e, mais importante do que isso, para poder morrer na cruz para pagar pela penalidade de nossos pecados (Filipenses 2:5-11). Em resumo, a união hipostática ensina que Jesus é 100% humano e 100% divino, que não há nenhuma mistura ou enfraquecimento de nenhuma das naturezas, e que Ele é uma só pessoa, para sempre.

É importante dizer que, quando afirmamos que Jesus é verdadeiro Homem, não queremos dizer que Ele seja parcialmente Homem, mas que Ele é totalmente Homem. Tudo que pertence à essência da verdadeira humanidade é verdadeiro nEle. Ele é tão exatamente Homem como cada um de nós. O fato de que Jesus é verdadeira e totalmente Homem está claro pelo fato de que Ele tem um corpo humano (Lucas 24:39), uma mente humana (Lucas 2:52) e uma alma humana (Mateus 26:38). Jesus Se assemelha a um homem, tem todos os aspectos do que seja essencial à humanidade. Ele possui completa humanidade.

Para a maior parte das pessoas, é óbvio que Jesus é e continuará sendo Deus, eternamente. Mas, para alguns de nós, tem escapado que Jesus também será eternamente Homem. Ele continua sendo Homem e o será para sempre. 

A verdade sobre as duas naturezas distintas de Cristo de Sua perfeita humanidade e divindade é conhecida e bem compreendida pelos cristãos. Mas, para uma perfeita compreensão da Encarnação, precisamos ir mais longe. Devemos entender que as duas naturezas de Cristo permanecem distintas, retendo suas exatas propriedades. Mas, o que significa isto? Duas coisas: 1) - Elas não alteram as propriedades essenciais uma da outra; 2) - nem se fundem num misterioso tipo de natureza.

Por exemplo, a natureza humana de Jesus não se tornou totalmente onisciente através de Sua união com Deus, o Filho; nem Sua natureza divina se tornou ignorante de coisa alguma. Se qualquer uma das naturezas tivesse sofrido uma mudança em sua essência natural, então Cristo já não seria verdadeira e totalmente Homem, nem verdadeira e totalmente Deus.

Não podemos dividir Cristo em humano e divino. O Deus ETERNO encarnou no ventre de Maria, e nasceu como um menino. O Verbo se fez carne, mas também continuou sendo o Verbo. Portanto, em Cristo há duas naturezas, cada uma mantendo as suas próprias propriedades, e juntas unidas numa substância e, em uma única pessoa.

2-   CRISTO É SOMENTE UMA PESSOA
O que vimos até agora sobre a divindade e humanidade de Cristo demonstra que Ele tem duas naturezas, a divina e a humana; que cada natureza é total e completa; que elas permanecem distintas e não se misturam, para formar uma terceira natureza e que Cristo é tanto Deus como homem para sempre.

Mas, se Cristo tem duas naturezas, isto significa que Ele é duas pessoas? Não, Ele não é. Cristo continua sendo uma só Pessoa. Existe apenas um Cristo. A Bíblia é muito clara em que, conquanto Jesus tenha duas naturezas, Ele é apenas uma Pessoa.

Em outras palavras, isto significa que não existem dois Cristos. Mesmo tendo uma dualidade de naturezas, Ele não é duas pessoas, mas apenas um Jesus Cristo. Conquanto permanecendo distintas, as duas naturezas são unidas, de tal maneira que Ele é uma só Pessoa.

3-   QUEM MORREU NA CRUZ? O DEUS UNIGÊNITO OU O FILHO DE MARIA?
A primeira verdade que devemos entender é que Jesus é uma só Pessoa com duas naturezas - a natureza divina e a natureza humana. Em outras palavras, Jesus é tanto Deus como Homem.

Na verdade somos incapazes de compreender totalmente uma pessoa com duas naturezas. É impossível para nós entendermos totalmente como Deus trabalha. Nós, como seres humanos finitos, não devemos supor que podemos compreender um Deus infinito. Jesus é o Filho de Deus por ter sido concebido pelo Espírito Santo (Lucas 1:35). Mas isso não significa que Ele não já existia antes de ser concebido. Jesus sempre existiu (João 8:58; 10:30). Quando Jesus foi concebido, Ele se tornou um ser humano em adição ao fato de ser Deus (João 1:1,14).

Embora Cristo tenha duas naturezas distintas e imutáveis, contudo Ele permanece uma só Pessoa.
Ambas as naturezas são representadas na Escritura como constituindo “uma só Ser”, isto é, como unidas em uma só Pessoa. Em João 1:14, lemos: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade".

Vemos aqui as duas naturezas: o Verbo (Sua divindade) e a carne (Sua humanidade). Contudo, vemos também que existe uma só Pessoa, pois lemos que “O Verbo se fez carne”, exigindo que reconheçamos a unidade das duas naturezas, de modo a ser uma só Pessoa.

Considerando que Cristo tem duas naturezas numa só Pessoa e, tendo em vista ainda o que está nisso envolvido, examinemos agora as duas implicações disto, o que nos ajudará a completar o quadro de nossa compreensão.

Há coisas que são verdadeiras numa natureza, mas não em outra, mesmo assim são verdadeiras na Pessoa de Cristo.

O fato de Cristo ter duas naturezas significa que há coisas que são verdadeiras em Sua natureza humana, mas não são verdadeiras à Sua natureza divina. Por exemplo, Sua natureza humana foi pendurada na cruz e Sua natureza divina jamais teve fome. Então, quando Cristo sentiu fome na Terra, foi Sua natureza humana quem sentiu fome e não Sua natureza divina.

Agora estamos em posição de entender que, em vista das duas naturezas em uma só Pessoa, as coisas que são verdadeiras numa natureza não o são noutra, mas tudo que é feito por uma das duas naturezas em Cristo é, verdadeiramente, feito pela Sua Pessoa. Em outras palavras, uma coisa que somente uma das duas naturezas faz pode ser considerada como feita pelo próprio Cristo. Do mesmo modo, as coisas que são verdadeiras de uma natureza, mas não de outra, são verdadeiras na Pessoa de Cristo como um todo. Isto significa que, se existe alguma coisa que somente uma das duas naturezas de Cristo faz, Ele pode perfeitamente dizer “Eu fiz”.

Temos muitos exemplos na Escritura que o demonstram. Por exemplo, em João 8:58, lemos Jesus dizendo: "Antes que Abraão existisse, eu sou".  Ora, a natureza humana de Cristo não existia antes de Abraão, mas Sua natureza divina, que existe eternamente, já existia antes de Abraão. Mas, visto como Cristo é uma só Pessoa, Ele pôde afirmar: “... Antes que Abraão existisse, eu sou”.
 
Outro exemplo simples é a morte de Cristo. Deus não pode morrer. Jamais devemos mencionar a morte de Cristo como tendo sido “a morte de Deus”.  Mas, como os humanos morrem, a natureza humana de Cristo foi a que morreu. Desse modo, mesmo que a natureza divina de Cristo não tenha morrido, podemos dizer que “Cristo experimentou a morte por todos os homens”, em vista da perfeita união das duas naturezas numa só Pessoa. Por isso Grunden[1] diz: “Em virtude da união com a natureza humana de Jesus, Sua natureza divina, de certo modo, provou algo semelhante a passar pela morte. Assim, a Pessoa de Cristo experimentou a morte”.

Assim podemos entender as palavras de Pedro aos judeus: “matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” - Atos 3:15.

O Autor da vida é o Deus Filho, pois sem Ele nada do que foi feito se fez. Ora, a natureza humana de Cristo não existia quando Cristo criou a vida, mas Sua natureza divina, que existe eternamente, já existia. Mas, visto como Cristo é uma só Pessoa, Pedro pôde afirmar: “matastes o Autor da vida.”

Da mesma forma, sua natureza humana foi ressuscitada por sua natureza divina. Não obstante, podemos afirmar que Jesus ressuscitou a Si mesmo, conforme prometera:

“Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” - João 2:19-22.

4-   CABEÇA FEDERAL DA RAÇA HUMANA
Não podemos entender em todos os seus aspectos a humanidade de Jesus. Em nossa limitação humana não temos como avaliar plenamente porque Jesus era a segundo cabeça federal da raça humana. O que isto significa?

 “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram”. – Romanos 5:12.

A palavra “mundo” utilizada pelo apóstolo Paulo no texto de Romanos 5:12 é a mesma usada pelo apóstolo João no evangelho de João 3:16. Esta palavra no original grego é cosmos, e se refere à humanidade.

Cremos que a Bíblia ensina que, pecando Adão, todo o gênero humano pecou nele. Ele era o cabeça natural e federal de toda a raça humana. Trazia em si o germe de toda a humanidade. Hereditariedade e atavismo confirmam plenamente o ensino das Escrituras a este respeito.

Adão, como primeiro cabeça federal e natural da espécie humana, ao pecar, contaminou toda a humanidade. A consequência desta contaminação foi a morte.

Desde Adão até os dias de Moisés, ninguém foi julgado culpado pelos próprios pecados, pois a lei não tinha ainda sido promulgada. No entanto, todas as pessoas que viveram no período compreendido entre a época de Adão e os dias de Moisés, morreram. Portanto, suas mortes não podem ser atribuídas diretamente aos seus pecados, pois não havia nenhuma lei para estabelecer esta sentença, porque onde não há lei o pecado não é levado em conta (Romanos 5:13).

Adão não foi somente o pai da humanidade ele foi também seu representante e cabeça federal.

Assim, as mortes nesse período foram causadas pelo pecado de Adão. Toda a humanidade estava potencialmente em Adão quando ele desobedeceu a Deus, embora não estivesse individualmente, pois a posteridade ainda não havia surgido. Então, a penalidade daquele pecado de Adão atingiu toda a humanidade (porque somos membros da raça adâmica, descendentes de Adão), pois dizia que o homem voltaria ao pó, ou seja, provaria a morte física.

“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão... pela ofensa de um só, a morte veio a reinar... pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores” (Romanos 5:13,14,17,19).

Por isso a Bíblia diz que em Adão todos morrem (1ª Coríntios 15:22), porque pelo pecado de Adão toda a sua posteridade foi atingida. E o pecado veio só por Adão que pecou, mas a sentença veio, na verdade, do pecado de Adão sobre toda a sua posteridade, pois pelo pecado de Adão, a morte veio a reinar sobre todos os homens, até mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança de Adão. Portanto, pelo pecado de Adão veio o juízo sobre todos os homens para condenação da morte física, porque todos se tornaram pecadores (Romanos 5:15-19).

Todos os homens nascem já pecadores por causa do pecado de Adão. Independentemente de qualquer ato de pecado. A humanidade não herdou o pecado de Adão, assim como sua natureza pecaminosa. Toda humanidade pecou por meio de Adão, por isso em Adão todos morrem, e a morte é consequência deste pecado.

“Por um homem veio a morte... em Adão todos morrem” (1ª Coríntios 15:21,22).

Mesmo que nunca tivéssemos cometido pecado, ainda assim seríamos pecadores, pois pelo pecado de Adão, o juízo veio sobre todos os homens.

“Pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores” (Romanos 5:19). Já vimos que quando Adão pecou, toda a sua posteridade estava substancialmente em sua carne.

A semente da humanidade da qual viemos estava substancialmente em Adão desde o começo. Assim, quando Adão pecou todos os homens se tornaram pecadores.

“Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe”. (Salmos 51:5).

Os homens nascem pecadores porque estavam em Adão, o cabeça federal.

Até mesmo as crianças de colo e os natimortos provam a morte física porque pecaram em Adão, pois ele era o cabeça natural da humanidade como seu progenitor, mas também era o cabeça federal da humanidade porque a representava, e enfrentou a tentação tanto por si mesmo como pelos seus descendentes, mas caiu, levando à queda toda a sua posteridade.

A humanidade caiu em Adão porque estava substancialmente nele. Este mesmo conceito se encontra registrado em Hebreus 7:9,10, onde se diz que Levi, por meio de Abraão, pagou o dizimo a Melquisedeque, porquanto Levi estava ainda nos lombos de seu pai quando Melquisedeque saiu ao encontro deste. Ou seja, Levi ainda nem existia individualmente como pessoa, mas estava substancialmente em Abraão, quando este pagou o dizimo a Melquisedeque. Levi é descendente do patriarca Abraão, que é o cabeça federal de Israel.

A humanidade caiu em Adão porque estava substancialmente nele, embora não estivesse individualmente, pois a posteridade ainda não havia surgido. Portanto, assim como Levi pagou o dízimo a Melquisedeque por meio de Abraão, toda a humanidade pecou por meio de Adão e caiu com ele em seu primeiro pecado.

Paulo declarou que Adão é a figura daquele que havia de vir, Cristo (Romanos 5:14). Adão é uma figura de Cristo por que ambos são os únicos cabeças federais da raça humana.

O termo "cabeça federal" tem desaparecido quase que completamente da literatura cristã atual. Embora não seja uma expressão escriturística, ela é muito importante na exposição doutrinária. O principio que se deseja passar com o termo "cabeça federal" é o da representação. Só houve dois cabeças federais, os quais Deus entrou em aliança Adão e Cristo. Cada um representou legalmente diante de Deus muitas pessoas. Adão representou a totalidade da raça humana, pecou e caiu; Cristo representou a totalidade da raça humana para a expiação de pecados, e especialmente Cristo representou apenas os que lhe foram dados pelo Pai desde os tempos eternos para a justificação do pecador.

Quando Adão foi estabelecido no Éden como um ser responsável diante de Deus, ele estava ali como cabeça federal, como representante legal de sua posteridade. Portanto, quando Adão pecou todos os seres humanos pecaram. Quando Adão morreu todos os seres humanos morreram (em Adão todos morrem).

O fato que todos comem do suor das suas faces; sofrem doenças e tristezas; e voltem ao pó do que são feitos é suficiente deduzir que Adão é nosso cabeça federal (Gênesis 3.17-19; Romanos 5.12, 19). Todos foram incluídos na primeira condição de não comer o fruto como todos são participantes da maldição que veio pelo ato de Adão comê-lo. A humanidade era tão unida a Adão que todos ficaram retos enquanto ele continuou assim, e caíram nele quando ele caiu.

Adão não pecou meramente por nós; mas nós pecamos nele.

Assim também foi com Cristo quanto à justificação, quando ele veio a esta terra ele também sustentaria uma posição federal. Quando Cristo cumpriu a lei e se fez obediente até a morte de cruz, todos aqueles que o Pai lhe deu, a quem Jesus representava foram considerados justos; quando ele se levantou dos mortos, todos passaram a ter vida; e quando ele ascendeu às alturas todos ascenderam com Ele.

Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. - 1 Coríntios 15:21,22

Contudo, há um sentido em que Cristo fez algo pela raça humana inteira, a expiação dos pecados. É verdade que por um só pecado de Adão veio sobre todos os homens a condenação, mas também por um só ato de justiça de Cristo veio a expiação dos pecados a todos os homens. - Romanos 5:18.

Por isso a Bíblia afirma a expiação universal dos pecados porque Ele tornou possível a nossa relação com Deus, pois que por ele foram expiados não só os nossos pecados, mas os de todo o mundo, até mesmo daqueles que O negam cujo fim é a perdição eterna (1 João 2:2 – 2 Pedro 2:1).

Assim temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que expiou os pecados de todos os homens, e justificou os homens que nEle creem (1 Timóteo 4:10). A expiação é universal, e atua sobre os pecados. A justificação é limitada aos eleitos, e atua sobre as pessoas mediante a fé.

A diferença entre Adão e Jesus é que Adão, embora feito reto como o homem de Nazaré, possuía apenas a natureza humana, mas Cristo possui duas naturezas.

No entanto, embora sua natureza humana seja uma criação especial do Espírito Santo, é a pessoa de Cristo que é o cabeça federal, e não a natureza humana. Contudo, diferente de Adão, Cristo não é o cabeça natural da raça humana porque Cristo não teve descendentes.

Assim como Adão antes da queda, Cristo não tinha uma alma humana depravada porque Adão não foi o cabeça federal de Cristo. O nascimento de Cristo foi milagroso e não foi submetido à regra universal imposta a todos os outros nascimentos. Adão é o primeiro homem, Cristo é o segundo homem. Apenas eles eram a imagem e semelhança de Deus.

O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gênesis 2:7); o segundo homem, Jesus, é espírito vivificante. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu. Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o homem celestial, tais os homens celestiais. - 1 Coríntios 15:45-48.

5-   O MEDO É INERENTE AO HOMEM CAÍDO - JESUS ERA UM HOMEM RETO
Adão foi constituído governante da terra por ordem do próprio Deus (Gn 1:27,28; Jó 34:13), mas, foi derrotado e caiu. Após a queda, a primeira característica que Adão, cabeça federal da humanidade, apresentou foi o medo.

Mas chamou o Senhor Deus a Adão, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe Adão: Ouvi a tua voz no jardim e TIVE MEDO, porque estava nu; e escondi-me. - Gênesis 3:9,10.

Aquele a quem foi dado o governo da Terra, e que falava com Deus diariamente, estava agora com medo de Deus.

Caim, o primeiro homem nascido após a queda, após matar seu irmão passou a esconder-se vivendo como fugitivo errante pela terra com medo de ser morto. - Gênesis 4:13-14.

Portanto, o medo é uma característica do homem caído, e não do homem reto criado por Deus à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26,27) para dominar sobre a Terra.

Deus criou o homem reto para que o buscasse (Atos 17:26,27). Porém, o homem se meteu em muitas confusões, caiu e se perdeu (Eclesiastes 7:29).

Após cair Adão gerou filhos e filhas à sua semelhança, conforme a sua imagem caída. (Gênesis 5:3,4).

Jesus é totalmente Deus e totalmente homem, e a sua encarnação é de extrema importância. Ele viveu uma vida humana, mas não possuía uma natureza pecaminosa como nós. Portanto, as características humanas de Jesus eram as mesmas características de Adão antes da queda, o homem original feito à imagem e semelhança de Deus.

Após a queda Adão e seus descendentes tiveram suas características mudadas para o mal, onde o egoísmo é o próprio mal, e o primeiro homem gerado à imagem caída de Adão foi capaz de matar o seu irmão apenas por inveja. E logo apresentou o medo.

Cristo possuía características que nenhum ser humano possuía, como por exemplo, Ele se santificava (João 17:19).

Assim como Adão, Jesus foi tentado, mas nunca pecou (Hebreus 2:14-18; 4:15). O pecado entrou no mundo através de Adão, e a natureza pecaminosa de Adão foi transferida para cada bebê nascido no mundo (Romanos 5:12) - exceto para Jesus. Porque Jesus não teve pais humanos, Ele não herdou uma natureza pecaminosa de José e Maria, pois o que em Maria foi gerado procede do Espírito Santo (Mateus 1:20). Jesus foi gerado em Maria, mas não foi gerado de Maria.

Outra diferença entre Adão e Cristo é que enquanto Adão foi criado por Deus, Jesus foi gerado por Deus.
Cada ser gera conforme a sua espécie. Mas quando se trata de Deus não é assim, pois Deus só gerou um Filho, que é o Senhor Jesus segundo a carne (1ª João 4:9). Os humanos fomos gerados por nossos pais segundo a carne, e herdamos deles a pecaminosidade original (Salmos 51:5), a natureza humana, suas características físicas e genéticas através do DNA, enfim herdamos a imagem e semelhança de nossos pais (Gênesis 5:3).

Aqueles que foram regenerados por Deus segundo o Espírito Santo, herdaram de Deus a natureza divina, sua imagem e semelhança, e suas características espirituais através do ‘DNA’ espiritual de Deus (Colossenses 3:10). E assim o Senhor Jesus deixou de ser o Filho Unigênito (João 1:18) para ser o Filho Primogênito de Deus (Romanos 8:29).

“Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”. (Tiago 1:18).

Desde a queda do homem (Gênesis 3:21-23), a única maneira de sermos justificados diante de Deus é o derramamento de sangue do sacrifício de um inocente (Levítico 9: 2; Números 28:19; Deuteronômio 15:21; Hebreus 9:22). Jesus foi o último e perfeito sacrifício que satisfez de uma vez por todas a ira de Deus contra o pecado (Hebreus 10:14). Sua natureza divina tornou-o apto para o trabalho de Redentor; o seu corpo humano forneceu o sangue necessário para redimir. Nenhum ser humano com uma natureza pecaminosa poderia pagar tal dívida. Ninguém mais poderia satisfazer os requisitos para se tornar o sacrifício pelos pecados de todo o mundo (Mateus 26:28; 1 João 2:2). Se Jesus fosse meramente um homem bom como alguns afirmam, então Ele tinha uma natureza pecaminosa e não era perfeito. Nesse caso, a sua morte e ressurreição não teriam poder para salvar ninguém.
  
6-   JESUS SE ENTREGOU VOLUNTARIAMENTE
Os evangelhos dizem: “Minha alma está agora conturbada. Que direi? Pai, salva-me desta hora? Mas foi precisamente para esta ora que eu vim.” (João 12,27). Lemos ainda em Hebreus 5,7-8: “É ele que, nos dias da sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão”.

Agora consideremos de perto o texto de Marcos:
E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. - Marcos 14:34-36.

Jesus começou ter pavor e a angustiar-se. E depois afirma estar triste até a morte. Marcos faz uma narrativa indireta da oração de Jesus: “prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.” Depois Marcos coloca as palavras diretamente na boca de Jesus: ” Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”

Observando a narrativa de Marcos e a outra colocada na boca do próprio Cristo, vemos claramente que “cálice” está em relação à “hora”, e não à morte em si.

O que nos perturba nesta passagem é o fato de que aparentemente Jesus queria “afastar” de si a morte. Porém poderíamos ler em outra perspectiva. As palavras de Jesus não visam escapar da sua missão, mas é um pedido para atrasar aquilo que estava para acontecer, a separação do Pai.
  
7-   JESUS NÃO TEVE MEDO DE MORRER
A Bíblia se cala, e não diz que Jesus teve medo, e nem que não Ele não teve medo. Porém, é fato que, alguns textos bíblicos jogam luz aludindo a este assunto, e fazem-nos ver o que não vemos no texto do Getsêmani.

Devemos lembrar que uma das instruções mais repetidas por toda a Bíblia, em ambos os testamentos, é a ordem dada ao povo de Deus por cerca de 265 vezes: “NÃO TEMAS”. Isto para fortalecer a Fé do povo de Deus em momentos de tribulações.

Devemos nos lembrar do que Paulo nos ensinou: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” - Timóteo 1:7. - Então... Se Jesus teve medo da morte, Ele não teria recebido este Espírito?

Lembremo-nos também que Deus não aceitou os medrosos no exército de Gideão, e dispensou mandando embora todos os medrosos, 22 mil homens que tinham medo de morrer - Juízes.7:3.
Se Deus não aceitou os medrosos no exército de Gideão, enviaria o seu próprio Filho para consumar a redenção sabendo que Ele teria medo da morte?

Devemos ainda recordar que os medrosos encabeçam a lista daqueles que não entrarão no Reino do Céu. - Apocalipse 21:8. Os medrosos serão lançados no lago que arde com fogo e enxofre. Se Jesus teve medo da morte estaria incluído nesta lista?

Lembremos também que a morte em si, não pegou a Jesus de surpresa causando-lhe pavor. Ao contrário, Jesus mesmo deu a Sua vida por amor das suas ovelhas. Ninguém tirou a sua vida, Ele mesmo a deu, para depois tornar a tomá-la – João 10:17,18.

Recordemos que Jesus não teve medo de morrer, pois por sua morte aniquilou aquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo. E livrou todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos ao medo. - Hebreus 2:14,15.

Lembremos também das palavras de Jesus: “Não temam os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes, Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” - Mateus.10:28.

Logo, se Jesus ensinou aos homens, simples mortais, a não temerem a morte, a serem fortes nos dias de angústias e tribulações, sendo Ele mesmo Deus e homem simultaneamente, teria Ele temido a morte?

Se Jesus temeu a morte como dizem alguns, Ele não praticou o que Ele mesmo ensinava.

Quando Jesus foi ao jardim do Getsêmani para orar na quinta-feira antes de ser traído por Judas Iscariotes e entregue ao julgamento dos homens ímpios, Ele disse aos Seus discípulos que Sua alma estava profundamente triste, numa tristeza mortal (Marcos 14:34). Ele estava tão angustiado que chegou a suar sangue (Lucas 22:44). Ele também orou, dizendo: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42).

Quando lemos isso, alguns de nós pensam que Jesus estava com medo da morte até o ponto de o Seu lado humano “falar mais alto”, ou então que Ele não queria se entregar pelos nossos pecados. Mas por que, exatamente, o Senhor ficou tão entristecido e angustiado?

Primeiramente, não devemos considerar que Jesus estivesse com medo da morte, haja vista que Ele próprio instruiu os Seus discípulos a não temer a morte física. Ele sabia que Sua alma iria para o Paraíso, pois prometeu ao ladrão da cruz que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia (Lucas 23:43). Além disso, antes de morrer, Jesus entregou o seu espírito ao Pai (Lucas 23:46). Desse modo, é impossível que a angústia do Salvador se baseasse em medo da morte física.
Ademais, não podemos nem ao menos pensar que Jesus não quisesse se entregar por nós, pois, em João 12:27, Ele disse: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora”. Ele não pediu que o Pai o livrasse da morte física para expiar os nossos pecados. E essas palavras não podem entrar em conflito com Lucas 22:42, pois a Escritura não contém nenhuma contradição.

Assim, a única explicação é que, em Lucas 22:42, Jesus estava pedindo livramento de outra coisa: da separação do Pai. Ele sabia que, ao assumir os pecados da humanidade, seria separado do Pai. Na cruz, Jesus gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46; Marcos 15:34). Esse brado de Jesus é o cumprimento da profecia messiânica registrada no Salmo 22:1: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”.

Deus determinou que a morte seria a penalidade adequada e justa pelo pecado (Gênesis 2:16-17). De fato, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Uma vez que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23), todos estão sentenciados à morte.

Mas Jesus, na Cruz, pagou o preço pelos pecados de todo o mundo. Naquele momento de agonia na cruz, Cristo representava toda a humanidade pecadora. “Deus tornou pecado por nós Aquele [Jesus] que não tinha pecado, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

A Bíblia nos diz que o pecado faz separação entre o pecador e Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2). Por causa do pecado da humanidade, Pai e Filho foram separados na cruz, e pela última vez o pecado separou o homem de Deus.

Por meio do sacrifício de Cristo, Deus queria nos remir de nossos pecados e nos conceder a eterna salvação (2 Coríntios 5:18-19). “Ao levar muitos filhos à glória, convinha que Deus, por causa de quem e por meio de quem tudo existe, tornasse perfeito, mediante o sofrimento, o autor [Jesus] da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Por isso, só Jesus pode nos salvar; “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Assim, devemos ser infinitamente gratos a Deus por ter nos amado e entregado Seu Filho para morrer no nosso lugar, oferecendo salvação a todo aquele que crê (João 3:16). “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus…” (1 Pedro 3:18).

Outrossim, há evidências suficientes nas Escrituras para acreditarmos que o sacrifício de Cristo foi espontâneo. Deus Pai elaborou, na eternidade, um plano de redenção para a humanidade, o qual só se cumpriria com o sacrifício de Cristo na Cruz. Porém, Jesus não foi obrigado a levar esse projeto à consumação. Ele o fez livremente. É o que vemos em Mateus 26:

Quando Judas traiu Jesus e o entregou às autoridades, os soldados armados O prenderam. Vendo o que faziam, Pedro tomou sua espada e feriu um dos homens. Ao ver isso, Jesus o repreendeu, e mandou-lhe guardar a espada (pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão), e disse-lhe: “Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?” (Mateus 26:53-54).

Jesus poderia pedir ajuda ao Pai, e então Ele lhe mandaria, imediatamente, mais de doze legiões de anjos para salvá-lo. Isso evidencia que o Pai, de modo algum, forçou Jesus a sacrificar-se pela humanidade; ao contrário, foi Jesus que, livremente, decidiu cumprir o plano do Pai, para que assim as Escrituras se cumprissem. De fato, em outra passagem da Escritura, Ele disse também: “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem eu recebi de meu Pai.” (João 10:17,18). 

No Salmo 40, há uma profecia que evidencia a espontaneidade do sacrifício de Cristo: “Sacrifício e oferta não pediste, mas abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado, não exigiste. Então eu disse: Aqui estou! No livro está escrito a meu respeito” (Salmos 40:6-7).

Outra passagem que mostra isso é Efésios 5:2: “… Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.”

8-   CONCLUSÃO
Uma vez que Jesus tomou sobre Si os nossos pecados e enfrentou a pena de morte no nosso lugar (pois o salário do pecado é a morte – Romanos 6:23), como está escrito em Isaías 53:4-7, Ele enfrentou a consequência disso também: a separação de Deus, haja vista que o pecado levado sobre Si fez separação entre o Jesus e Deus (Isaías 59:2). Era isso o que causava tanta angústia a Cristo: ser separado do Seu amado e íntimo Deus e Pai Celeste, e não o fato de enfrentar a morte por nós.

O que Ele enfrentou foi inimaginável, e é a dor que os ímpios impenitentes, que rejeitam o sacrifício de Jesus, sofrerão quando enfrentarem o Juízo: “Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:8,9). No inferno haverá choro e ranger de dentes!

Glória ao Pai, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ele nos amou e providenciou para nós expiação para os pecados, a fim de sermos salvos por sua infinita graça! (Romanos 3:21-26; 1 João 4:10).





[1] Wayne Grudem, Systematic Theology: An Introduction to Biblical Doctrine (InterVarsity and Zondervan Publishing, 1994), p. 556.

HÁ SOMENTE UM JUIZ


Marcos Alexandre Damazio 

“Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem és tu, que julgas o teu próximo?” - Tiago 4:12

O conceito de julgamento, que é a junção de “julgar” (do latim iudicare) e “mento”, abrange várias acepções. Trata-se, por exemplo, do ato de emitir um juízo, isto é, a faculdade de discernimento, de formular um parecer ou uma sentença, seja favorável ou não.

Em termos mais gerais, também se entende por julgamento qualquer apreciação ou avaliação.

Aqui trataremos o julgamento no que diz respeito à reta justiça, tratando da controvérsia cristã se um crente pode ou não emitir uma “sentença” contra outro se portando como juiz sobre outrem.

O julgamento deve ocorrer sempre dentro do cumprimento da lei em vigor na Bíblia.

Todo julgamento requer um tribunal ou uma autoridade judicante que forma um juízo, e expõe este juízo em forma de sentença. Ou seja, a sentença absolvitória ou condenatória de um juiz.


QUEM RECEBEU AUTORIDADE DE DEUS PARA JULGAR

Nos últimos anos surgiu no meio evangélico uma heresia que afirma que cada crente é igreja. Digo que é uma heresia porque faz com que o crente individualmente usurpe a autoridade e atribuições que pertencem à Igreja como assembleia, representante de Cristo, a quem Ele entregou as chaves do Reino dos Céus para ligar e desligar.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” - Mateus 16:18,19.

Nesse versículo, Jesus está falando diretamente ao Apóstolo Pedro e indiretamente aos outros Apóstolos como representantes da Igreja, e pela primeira vez Jesus cita a palavra Igreja. As palavras de Jesus significam que a Igreja teria o direito de entrar no reino e teria autoridade geral aqui simbolizada pela posse de chaves. As expressões "ligar" e "desligar" eram comuns à fraseologia judaica e significam declarar proibido ou declarar permitido.  


O CRENTE PODE JUGAR O SEU IRMÃO?

A resposta é sim, e em apenas uma situação. O crente SOMENTE pode julgar seu irmão se este proferir ou cometer ofensa ou ato ofensivo diretamente contra o crente. Não há outra condição em que o crente possa individualmente julgar o seu irmão.

“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;
Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” - Mateus 18:15-20.

O contexto refere-se a instruções de Jesus sobre como proceder em relação a quem nos tem ofendido. Jesus ensina como o ofendido deve repreender o ofensor. A primeira coisa a fazer é ir procurar o ofensor em particular, sem esperar que este lhe peça perdão. Se o ofensor mostrar-se arrependido, a comunhão com o ofendido será restaurada.

Se o ofensor não se arrepender, numa segunda repreensão o ofendido deve levar consigo um ou dois irmãos, para que por duas ou três testemunhas toda a estória seja confirmada como previsto em Deuteronômio 19:15.

Se o ofensor ainda assim não se mostrar arrependido, o caso deve ser levado à igreja local para exame do assunto.

Se o ofensor não se arrepender diante da igreja, ele não deve mais ser considerado um cristão, mas sim como ímpio impenitente. É claro que tal tratamento deve envolver todos os esforços para leva-lo ao arrependimento.

A decisão da igreja local será ratificada no céu. Tudo o que ligardes na terra neste contexto refere-se apenas ao perdão do pecador. Já tudo o que desligardes refere-se à exclusão do pecador impenitente. Por isso, quando Jesus soprou o Espírito Santo aos apóstolos disse-lhes: “Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.” João 20:23.


JULGAR SEGUNDO A RETA JUSTIÇA

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” - João 7:24.

Notem que Jesus não critica os Judeus porque estavam julgando, mas porque estavam julgando apenas pelas aparências. Contra esta atitude, de julgar pelas aparências, Jesus ordena que julguem segundo a reta justiça.
Ressalto que Jesus ordena aos judeus dos seus dias que não julgassem segundo as aparências e sim que julgassem segundo a reta justiça. Notem mais uma vez que Jesus não os condena por julgar e sim por julgar superficialmente pelas aparências.

O que estava sendo julgado neste contexto? O que Jesus ordena que seja julgado segundo a reta justiça?
O que estava sendo julgado era a interpretação da Lei, e Jesus exige que a interpretação seja feita com justiça. Portanto, o julgamento aqui neste contexto significa discernimento, e não uma sentença.

Jesus acusou os judeus de fracasso no cumprimento da Lei, expondo que suas intenções homicidas para com Ele eram por si mesmas uma violação do sexto mandamento.

Jesus havia curado um homem deficiente num sábado, que apesar de deixar a todos maravilhados, estava sendo interpretado como uma violação do sábado. Jesus então aplica a reta justiça na interpretação da Lei sem emitir sentença ou juízo, lembrando que o próprio Moisés, que os judeus respeitavam tanto, regulamentou a circuncisão (embora a prática viesse desde os patriarcas), de modo que ela tinha de ser realizada no oitavo dia (Levítico 12:3), mesmo se o oitavo dia caísse no sábado. Por isso Jesus disse:

“Ora, se um menino pode ser circuncidado no sábado para que a lei de Moisés não seja quebrada, por que vocês ficam cheios de ira contra mim por ter curado completamente um homem no sábado? Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos.” - João 7:23,24

Portanto, julgar segundo a reta justiça nada mais é do que ser honesto nas suas proposições, mantendo a coerência em situações semelhantes no que tange à vida e a piedade, interpretando e aplicando a Lei e as doutrinas com coerência e honestidade para medir com a mesma medida.

Os judeus interpretavam desonestamente a Lei, pois aceitavam a prática da circuncisão no sábado, mas não aceitavam que um homem fosse curado num sábado. De fato, aparentemente Jesus violara o sábado, mas se os judeus fossem justos na interpretação da lei aceitariam ambas as situações.
Assim, a ordem de Jesus para não julgar segundo a aparência, mas sim segundo a reta justiça não autoriza um irmão a ser juiz sobre outrem.

O QUE JESUS CRISTO, APÓSTOLO DA NOSSA CONFISSÃO, ORDENOU SOBRE JULGAMENTO DE IRMÃOS.

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.” - Mateus 7:1-5.

Jesus começa dizendo: “Não julgueis.” O verbo no imperativo presente sugere que o hábito de julgar os outros é que está sendo condenado. Ainda que a palavra julgai seja neutra quanto ao julgamento, o sentido aqui indica um julgamento com sentença condenatória. Aqueles que condenam os outros irmãos devem parar, tendo em vista o juízo final, pois os homens não podem julgar os motivos como Deus pode.

Jesus apresenta uma razão pela qual não devemos julgar a outrem: “Para que não sejais julgados.” O subjuntivo aoristo entende-se melhor quando aplicado ao julgamento de Deus e não ao dos homens porque Jesus afirmou que se perdoarmos aos homens as suas ofensas, também nosso Pai celestial nos perdoará a nós; se, porém, não perdoarmos aos homens as suas ofensas, também nosso Pai não nos perdoará as nossas ofensas. (Mateus 6:14,15).

A trave no olho daquele que julga o seu irmão representa o espírito reprovador. A ilustração do cisco e da trave foi intencionalmente exagerada para mostrar a posição absurda daquele que se coloca como juiz dos outros. Essa pessoa é chamada de hipócrita, pois pretende agir como médico, quando ela mesma está doente. Esta ordem de Cristo não impede os crentes de fazerem distinções morais, pois o crente sempre deve julgar no sentido de discernir.

Jesus ressalta outra característica que o crente deve apresentar em sua vida como prova de sua regeneração:

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.” -Mateus 5:7

Aqueles que põem em ação a compaixão podem esperar a mesma misericórdia tanto da parte dos homens como de Deus. O primeiro intento do crente deve ser a misericórdia, e não o juízo. É comum os crentes confundirem justiça com juízo.

Ter fome e sede de justiça significa o desejo e a esperança de que Deus, o único Juiz, julgue e faça justiça. Mas, o crente hodierno quer ele mesmo fazer a justiça por meio do seu próprio juízo. No céu as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram, clamam com grande voz, dizendo: “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” - Apocalipse 6:10.

Toda vez que Jesus falou acerca de julgamento, Ele usou verbos no imperativo denotando ordem. Portanto, sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. - Lucas 6:36,37

O QUE O APÓSTOLO PAULO ORDENOU SOBRE JULGAMENTO DE IRMÃOS

Paulo fala muito acerca de vários tipos de julgamentos. Paulo fala sobre julgamento de irmãos, julgamento como discernimento, e julgamento da Igreja tanto na terra como no juízo final.

Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam. E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? - Romanos 2:1-3

Somente o crente arrogante que não olha para si mesmo pode ver neste texto uma permissão para julgar a outrem. Paulo, na verdade, retrata o fracasso do crente que julga a outrem em contraste com o justo juízo de Deus (Romanos 2:1-16).
Como pode o crente que experimentou a bondade e a paciência de Deus que o levou ao arrependimento agir de maneira a querer condenar a outro que pratica as mesmas coisas que ele.

A palavra julgas (do grego krinon) tem aqui o significado de fazer juízo condenatório. O crente que é indesculpável é aquele que tem grande capacidade de crítica, mas não autocrítica. Por isso, o juízo de Deus é contra os que julgam e praticam atos idênticos aos que condenam. Paulo então apela para a consciência do julgador: Pensas que te livrarás do juízo de Deus?

Mas muitos dirão: Eu julgo o pecado do meu irmão, mas não cometo o mesmo pecado que ele.

“Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente.” - Tiago 2:10

A mesma Lei que nos ordena a não mentir e a não cobiçar, também ordena a não matar e a não adulterar. Portanto, o homem que mente é culpado também de matar e adulterar, e vice-versa.

Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de sustentá-lo. Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. - Romanos 14:4,10,12,13

Paulo apresenta os motivos pelo qual um crente não deve julgar o outro:

 Julgar um servo de Deus é prerrogativa do Senhor.
-  E somente o Senhor tem a capacidade de fazê-lo firmar-se.
- Todos compareceremos perante o tribunal de Cristo em juízo.
- Todos nós daremos conta apenas de nós mesmos a Deus.

Paulo ainda ratifica que a prerrogativa de julgar foi delegada à Igreja como assembleia: “Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. "Expulsem esse perverso do meio de vocês".1 Coríntios 5:12,13.

Apesar de não estar presente fisicamente, Paulo confere sua autoridade apostólica à Igreja para a o julgamento e exclusão do crente pecador, como um pastor que deve prestar contas das ovelhas a Deus (Hebreus 13:17).

Paulo esclarece que a Igreja deve julgar quando os membros estiverem reunidos como assembleia em nome de nosso Senhor Jesus, estando presente também o poder de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 5:3-5).

Em outras palavras Paulo diz:

“Vocês devem convocar a assembleia da igreja - o poder do Senhor Jesus será convosco nessa reunião, e eu mesmo, em espírito, também estarei junto de vocês - e então expulsem essa pessoa do seio da igreja.” - 1 Coríntios 5:3.

Observem que o contexto está se referindo a alguém que aparentemente abusou sexualmente da sua madrasta. Não devemos julgar, porém isto não significa que as questões que são claramente afrontas contra a conduta da vida moral deverão ser aceitas com naturalidade dentro da igreja.

Este tipo de julgamento não tem nada a ver com julgar alguém pela sua aparência, nível social, e sim pela sua conduta moral claramente reprovável diante de toda uma comunidade.

Paulo também nos diz que os santos hão de julgar o mundo. Ora, se o mundo deve ser julgado por nós, somos, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que nós havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

Aqui não há licença para julgar nossos irmãos. Paulo fala de julgamentos futuros. "Vão julgar", não é "estão julgando". Vão, é futuro. Não está acontecendo. Irá um dia acontecer.
É certo que Paulo diz que julgaremos as coisas mínimas e as coisas pertencentes a esta vida. Contudo, Paulo fala acerca de situações e coisas, mas não diz que podemos julgar nossos irmãos.

Os santos hão de julgar o mundo, por causa de sua união com o Cristo, a quem todo o julgamento foi confiado (João 5:22).
Também julgaremos os próprios anjos, e também as doze tribos de Israel, mas tudo isso ocorrerá depois da volta de Cristo.

Jesus lhes disse: "Digo-lhes a verdade: Por ocasião da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, vocês que me seguiram também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. - Mateus 19:28


O QUE O APÓSTOLO TIAGO ORDENOU SOBRE JULGAMENTO DE IRMÃOS

Tiago condena a maledicência e o julgamento contra o irmão, afirmando que quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga, usurpando uma prerrogativa de Deus. Portanto, Tiago afirma que quem julga a seu irmão se coloca como juiz da Lei. Ou seja, quem julga a seu irmão se coloca acima da Lei.
Mas, somente Deus está acima da Lei, podendo ordenar o “não matarás”, e também afirmar “Eu mato e faço viver”.  
Somente Deus é o Legislador e Juiz, e nas mãos dEle estão as questões da vida e morte. À vista disto, Tiago pergunta, quem és, que julgas ao próximo?

Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz.

Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo? - Tiago 4:11,12

Mas uma vez a Bíblia torna evidente que um crente não pode julgar a seu irmão.

O CRENTE NÃO DEVE CONDENAR O PECADO DOS OUTROS?

“O fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente expondo-as à luz.” - Efésios 5:9-11.

Os crentes devem saber que estamos na graça, pois, morremos para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencermos a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus, e sem a Lei o pecado está morto (Romanos 7:4,8).

O crente não foi chamado para condenar o pecado, mas sim para pregar o Evangelho. Somos a Luz do mundo, e só precisamos iluminar o mundo que encontra-se em trevas.

Devemos reprovar e condenar as obras infrutíferas das trevas, e isto se faz sendo luz sobe as trevas, não mantendo cumplicidade com as obras infrutíferas das trevas, pois fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade. O fruto das trevas é maldade, injustiça e mentira.

E sabemos que devemos julgar (no sentido de discernir) o fruto que a pessoa produz, pois é pelo fruto que saberemos quem é cumplice das trevas e quem é da luz. Porque outrora erámos das trevas, mas agora somos da luz no Senhor. Portanto, devemos viver como filhos da luz, dando fruto da luz em toda bondade, justiça (e não juízo) e verdade.

Não pode alguém se dizer crente em Cristo, e não reprovar obras das trevas como o aborto, o adultério, o casamento gay, a doutrinação sexual de crianças, a corrupção, a desigualdade social, etc. Se um cristão aprova tais obras das trevas ele se torna cumplice delas.

João Batista condenar as obras das trevas reprovando o adultério do rei. Devemos condenar o aborto, o casamento gay, os milhares de assassinatos anuais no Brasil, a corrupção, o charlatanismo religioso. Devemos condenar publicamente estas e outras obras das trevas, e não os nossos irmãos.

Podemos e devemos defender a sã doutrina. O que a Bíblia nos manda é que não tenhamos cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas.

A Igreja do Deus vivo continua sendo coluna e fundamento da verdade (1 Timóteo 3:15). Portanto, somos a luz do mundo para jogar luz sobre o mundo. É errado colocar a candeia debaixo da cama (Marcos 4:21). Hoje muitos querem colocar a candeia para iluminar a Igreja, quando devemos ser a luz do mundo inteiro.

Se um cristão está em comunhão com o seu Senhor, sua própria vida será uma censura ao mundo.


CONCLUSÃO

“Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.” - Lucas 7:47

A defesa eloquente que muitos fazem da permissão para julgar a outrem mostra o que falta em muitos cristãos. Só por estarmos em Cristo, nós teríamos que apresentar entranháveis afetos e compaixões uns para com os outros.

Se com humildade considerássemos uns aos outros como superiores a si mesmos, então jamais julgaríamos um irmão, visto que não podemos julgar alguém que nos é superior.

Se tivéssemos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, não desejaríamos tão ferrenhamente ter por usurpação a prerrogativa julgar, que é exclusiva de Deus (Filipenses 2:1,3,5,6).

Senhor, tenha misericórdia de nós, e nos faça compreender quão insondáveis são os seus juízos. (Romanos 11:33).

Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo. Tiago 2:13