A MENTIRA DOS APÓSTATAS – O BATISMO NAS ÁGUAS NÃO DEVE SER PRATICADO



A APOSTASIA DOS ÚLTIMOS TEMPOS

Paulo nos alerta que o dia de Cristo, o dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com Ele, não chegará antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, que se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. (2 Tessalonicenses 2:2-4).

A apostasia já está presente no mundo, onde vemos pessoas abandonando a comunhão dos santos, e negando a congregação dos irmãos.

Mas essas pessoas não apenas se negam a congregar com os irmãos, elas negam também a comungar com os irmãos, negando assim a fé comum.

Ao negarem a fé comum, os apóstatas se opõe e se levantam contra tudo o que se chama Deus, ou que se adora proferindo mentiras e enganado os incautos. Vejamos:


A MENTIRA DOS APÓSTATAS – O BATISMO NAS ÁGUAS NÃO DEVE SER PRATICADO
Se opõem contra o batismo nas águas dizendo que é um rudimento que não deve ser mais praticado porque Paulo disse que não batizava e não foi enviado para batizar.

A VERDADE DA BÍBLIA

PAULO BATIZOU ATÉ O FIM DO SEU MINISTÉRIO
Os apóstatas afirmam que Paulo não batizava nas águas. Mas isso é mais uma mentira. 

Paulo já tendo sido arrebatado ao terceiro céu e tendo já recebido, por revelação, o Evangelho que pregou por todo o seu ministério, foi a Jerusalém ver os apóstolos em duas ocasiões. Vejamos:

A partir de Gálatas 1:11 Paulo afirmou que o evangelho que ele anunciava não é segundo os homens, mas ele o recebeu por revelação de Jesus Cristo. Após TRÊS ANOS de convertido, Paulo foi a Jerusalém e passou 15 dias com Pedro e Tiago.

Em Gálatas 2:1,2 Paulo diz que passados CATORZE ANOS desse primeiro encontro com Pedro e Tiago, ele foi a Jerusalém novamente, e expôs aos apóstolos Pedro, Tiago e João o Evangelho que pregava aos gentios. (Gálatas 1:11,12).

Assim, quando Paulo foi a Corinto onde batizou Crispo, Gaio e a família de Estéfanas, ele já estava no fim de sua segunda viagem missionária, e já era convertido há 20 anos.

Depois Paulo inicia a sua última viagem missionária, e chega em Éfeso onde permaneceu por três anos, e batizou pelo menos 12 pessoas. Nesta época Paulo já tinha mais de 20 anos de convertido, e já estava próximo de ser preso e levado para Roma para ser julgado.

Paulo afirmou que não batizou nenhum membro da Igreja de Corinto, exceto Crispo, Gaio e a família de Estéfanas. Fora estes, Paulo afirmou que não se lembrava de ter batizado mais ninguém de Corinto. 

Paulo permaneceu um ano e meio em Corinto (Atos 18:11). E, embora afirmasse não se lembrar, a Bíblia relata que junto com Crispo, o líder judeu, houve muitos outros batismos em Corinto enquanto Paulo estava por lá. Vejamos:

E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados (Atos 18:8).

Paulo não disse que não batizou. Ele disse AOS CORÍNTIOS: a nenhum de VÓS batizei, senão a Crispo e a Gaio. Paulo está falando somente da Igreja de Corinto. Pois, permanece o fato de que quando Paulo batizou Crispo, Gaio, a família de Estéfanas e muitos outros, ele já tinha mais de 20 anos de convertido.

E complementou dizendo que não fora chamado por Cristo para batizar, mas sim para anunciar as boas-novas (1 Coríntios 1:14-17).

Paulo estava falando que a ele pessoalmente importava mais pregar o Evangelho. Já na primeira carta aos Coríntios, Paulo esclarece que cada um faz o trabalho do qual o Senhor o encarregou. Paulo explica: Eu plantei e Apolo regou, mas quem fez crescer foi Deus. (1 Coríntios 3:5,6).

O fato de Paulo batizar a poucos em Corinto e dizer que não foi chamado para batizar não significa que o batismo nas águas deva ser banido da fé cristã, mas sim que isso é um ministério de outros cristãos. Isso fica evidente, pois logo após Paulo sair de Corinto (Atos 18:18,19) ele foi para Éfeso onde batizou os novos convertidos (Atos 19:1-5).

Os apóstatas não conhecem os tempos bíblicos. O texto de Atos 19 retrata a última viagem missionária de Paulo. Ele já havia deixado Corinto quando chegou em Éfeso e batizou 12 pessoas. Ocorre que nesta época Paulo já tinha mais de 20 anos de convertido.

Paulo batizou Crispo, Gaio e a família de Estéfanas em Corinto, E foi em Corinto que ele escreveu as duas cartas aos Tessalonicenses no mesmo período em batizada. Depois foi a Éfeso e batizou também lá.

Na verdade, o que os apóstatas afirmam é que Jesus deu a ordem do batismo aos seus discípulos, e depois revogou esta ordem em Paulo.

Acontece que temos a ordem, mas não a revogação na Bíblia, e o próprio Paulo batizou em Corinto, e prosseguiu batizando depois de passar em Corinto. A Bíblia mostra que Paulo batizou em Éfeso. Paulo deixa claro: “Batizei também a família de Estéfanas”.

Paulo batizou poucas pessoas na Igreja de Corinto porque havia grupinhos naquela igreja. Por isso Paulo afirmou que não batizou muitos EM CORINTO para que ninguém dissesse que foi batizado em seu nome" (1 Coríntios 1:15), porque os crentes são batizados em nome de Jesus.

Vejamos o contexto:

Fiel é Deus, pelo qual fostes CHAMADOS PARA A COMUNHÃO de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, E QUE NÃO HAJA ENTRE VÓS DISSENSÕES; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que HÁ CONTENDAS ENTRE VÓS.

Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou FOSTES VÓS BATIZADOS EM NOME DE PAULO?


Dou graças a Deus, porque A NENHUM DE VÓS batizei, SENÃO a Crispo e a Gaio, PARA QUE ninguém diga que fostes BATIZADOS EM MEU NOME.


E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. (1 Coríntios 1:9-17)


A primeira e principal finalidade da primeira carta de Paulo aos coríntios é tratar a dissensão, a contenda entre eles. E Paulo de cara já aborda este assunto.

Paulo afirma que os cristãos de Corinto foram chamados para viverem em comunhão. Mas havia contendas entre eles porque alguns diziam eu sou adepto de Paulo; e outros afirmavam ser seguidores de Apolo, e outros ainda de Pedro; e outra parte também dizia que apenas eles eram os verdadeiros seguidores de Cristo.

Paulo então pergunta se algum deles foi batizado em nome de Paulo. E diz que dá graças a Deus por não ter batizado ninguém de Corinto, com exceção de Crispo e Gaio.

Paulo explica que dá graças a Deus porque assim poderá refutar aqueles que dizem ser seguidores de Paulo porque nenhum deles foi batizado em nome de Paulo, e nem sequer foi batizado por ele.

Por fim Paulo esclarece que lembrava de ter batizado toda a família de Estéfanas. E finaliza o contexto dizendo que o seu chamado não é para fazer batismos, mas pregar o evangelho. Sua tarefa primária foi a de pregar as boas novas, assim como todo cristão.

No contexto Paulo dá graças a Deus pela providência divina que o levou a batizar tão poucos em Corinto. Está claro que aqui ele não pretende depreciar o batismo; ele apenas o coloca em seu devido lugar, como ato simbólico, que aponta o fato real da identificação com Cristo pela fé.

Está claro também que Paulo batizava.

Qual a conclusão:

1- Paulo sabia que o seu chamado primário era para pregar e não para batizar.
2- Mesmo assim, Paulo batizou em Corinto Crispo, Gaio e toda a família de Estéfanas.
3- Após deixar Corinto (Atos 18:18,19), Paulo batizou 12 pessoas em Éfeso (Atos 19:1-5).
4- Por 2 mil anos todas as igrejas dos santos têm praticado o batismo nas águas

A PRÁTICA DO BATISMO NÃO É RUDIMENTO
Os apóstatas afirmam que rudimento é aquilo que não deve ser mais praticado. Mas, isso é mais uma mentira.

Rudimento não tem nada a ver com a prática, mas é uma noção elementar do conhecimento doutrinário. Por isso, em Hebreus é ensinado que os crentes devem deixar os rudimentos da doutrina de Cristo, e prosseguir até à perfeição. Vejamos todo o contexto:

Temos muito que dizer, coisas de difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é menino, e não tem experiência no ensino da justiça.

Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal. Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. (Hebreus 5:11-14 - Hebreus 6:1,2)


Observem que o autor não fala de prática, mas sim de aprendizado acerca dos ensinamentos mais básicos da doutrina de Cristo. O autor então exemplifica quais seriam estes conceitos mais básicos da doutrina de Cristo, os quais os hebreus convertidos já deveriam ter aprendido:

- Arrependimento de obras mortas e de fé em Deus – A própria conversão;
- Doutrina dos batismos – Não fala de prática, mas sim dá doutrina de batismos (no plural engloba a o batismo nas aguas e o batismo com o Espírito Santo);
- A imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. – O beabá da doutrina de Cristo.

Fica muito claro que o autor afirma que os hebreus pelo longo tempo que tinham de convertidos já deveriam ser mestres e estarem ensinando aos novos convertidos. Mas, eles ainda eram meninos no conhecimento da doutrina de Cristo, e precisavam que alguém ainda lhes ensinasse os princípios básicos da doutrina de Cristo.

Observe que se fosse para abandonar a prática como afirmam os apóstatas, teríamos que abandonar não somente o batismo nas águas, mas até mesmo a fé em Deus.

Assim, sabemos que o autor apenas afirmou que os hebreus deveriam estar num nível mais avançado acerca do conhecimento da doutrina de Cristo.

O batismo nas águas não é uma recomendação de Jesus, mas sim uma ordem. O verbo está no imperativo. Não deveria nem ser questionado.

JESUS BATIZAVA
Os apóstatas também costumam dizer que Jesus nunca batizou ninguém no seu ministério terreno. Mas isso também é mais uma mentira dos apóstatas.

Jesus batizava sim, mas 'por procuração':

"Depois disto foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judeia; e estava ali com eles, e batizava" (João 3:22).

Outra passagem no evangelho de João esclarece que era através de seus discípulos que o batismo era ministrado, e não pessoalmente por Jesus.

"E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a Judeia, e foi outra vez para a Galileia" (João 4:1-3).

Além disso, o fato dos discípulos estarem fazendo algo na presença do Mestre significa concordância do Mestre. É por isso que em Lucas 6:1-3, os discípulos de Jesus recolhiam milho num sábado na presença de Jesus, e os fariseus acusaram ao Senhor, e não os seus discípulos, de violar o sábado.

O fato de Jesus não batizar pessoalmente as pessoas não fazia grande diferença para aqueles que eram batizados, pois o batismo era válido mesmo assim. Quando você dá a alguém uma procuração tudo o que essa pessoa fizer em seu nome, dentro dos poderes especificados na procuração, será legalmente reconhecido. E Jesus passou essa procuração quando disse aos discípulos: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28:19).

O BATISMO DE JOÃO NÃO É O MESMO BATISMO CRISTÃO
Os apóstatas afirmam que o batismo que João Batista praticava é o mesmo batismo cristão. Se fosse, os discípulos de João não teriam sido rebatizados a Jesus em Atos 19:1-5.

O batismo de João Batista era um batismo de arrependimento e por isso os judeus que eram batizados por João Batista confessavam seus pecados. Porém, Jesus não confessou coisa alguma porque não tinha pecados; ao ser batizado ele apenas orava. Jesus quis se identificar com aquele remanescente de judeus que reconheciam a ruína de Israel e aguardavam a restauração do reino, e até surpreendeu a João Batista.

"E toda a província da Judeia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS... E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, ORANDO ELE, o céu se abriu" (Marcos 1:5; Lucas 3:21).

O batismo de João Batista era um batismo de arrependimento, onde os batizados confessavam os seus pecados.

O batismo cristão nunca teve confissão de pecados, nem na Bíblia e nem nas igrejas dos santos.  

Ninguém na Bíblia e na Igreja JAMAIS associou a ordenança de Jesus em batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo com o batismo de arrependimento de João Batista.

O batismo de João Batista não está mais em vigor. O livro de Atos mostra que o batismo de João não é o batismo cristão nas águas realizado nas igrejas. Isso fica evidente quando Paulo, já no fim de seu ministério, encontrou e rebatizou 12 discípulos em Éfeso (Atos 19:1-5).

Paulo pergunta se eles receberam o Espírito Santo quando creram. Eles responderam que nem sabiam o que era o Espírito Santo.

Paulo então pergunta em qual batismo eles foram batizados quando creram. E eles disseram que foram batizados no batismo de João.

Paulo explicou-lhes então que o batismo de João servia para manifestar o desejo de arrependimento, mas que os que recebiam esse batismo tinham de dar um passo adiante. E logo que souberam disto, foram batizados no nome do Senhor Jesus - Batismo nas águas (Atos 19:1,3,4).

Aqui Paulo esclarece que o batismo de João não é o batismo praticado pela igreja de Cristo. Paulo rebatizou aqueles que haviam recebido o batismo de João. E o mais importante é que Paulo já tinha mais de 20 anos de convertido.

O BATISMO NAS ÁGUAS NÃO É DA LEI
Os apóstatas também afirmam que o batismo nas águas é da Lei e apenas para os judeus. Contudo, não há nenhuma passagem no Antigo Testamento onde alguém tenha recebido de Deus o mandamento de “ir e batizar” outras pessoas ou grupos de pessoas. Tal mandamento só aparece no Novo Testamento após a ressurreição de Jesus Cristo.

Jesus ordenou a pregação, o batismo e o discipulado a TODA CRIATURA por TODO O MUNDO. Ele também ordenou: ide, fazei discípulos de TODAS AS NAÇÕES, BATIZANDO-OS em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. (Mateus 28:19).

Nem mesmo o batismo de João Batista é da Lei. E isto fica evidente quando Jesus perguntou aos líderes judaicos:

O batismo de João era do céu, ou dos homens?
Eles discutiam entre si, dizendo: "Se dissermos: ‘do céu’, ele perguntará: ‘Então por que vocês não creram nele? ’
Mas se dissermos: ‘dos homens’, todo o povo nos apedrejará, porque convencidos estão de que João era um profeta".
Assim, responderam: "Não sabemos de onde era". (Lucas 20:4-7).

Observem que Jesus, após a morte de João Batista, se refere ao batismo de João no tempo passado (o batismo de João ERA).

Mas, o batismo de Jesus por João Batista mostrou a aprovação do Senhor Jesus ao batismo de João Batista, sendo um testemunho que esse batismo era do céu e aprovado por Deus.

O mais importante é que o batismo público de Jesus registrou para todas as gerações futuras a personificação perfeita do Deus trino revelado na glória do céu. Foi um testemunho diretamente do céu do prazer do Pai com o Filho e da descida do Espírito Santo sobre Jesus (Mateus 3:16,17).

Portanto, as Igrejas dos santos não praticam o batismo de arrependimento de João Batista, mas cumprem a ordem dada pelo Senhor Jesus de ir, batizar e fazer discípulos de TODAS AS NAÇÕES. Esta ordem foi dada após Jesus afirmar que TODO PODER Lhe fora dado nos céus e na terra, e foi obedecida pelos apóstolos, inclusive Paulo até o fim de seu ministério.

É muita presunção dos apóstatas julgarem que apenas eles, os falsos teólogos da Internet, conhecem a verdade, a despeito de todos os crentes que há dois mil anos professam e praticam o batismo, incluindo Paulo.

Clemente de Roma escreveu sobre o batismo. Ele era companheiro e colaborador do apóstolo Paulo. O apóstolo fala deste colaborador na carta aos Filipenses (cap.4.3), escrita quando Paulo estava preso: “pois juntas (a Evódia e a Sintique) se esforçaram comigo no Evangelho, também com Clemente e os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no livro da vida”.

Desde de Clemente de Roma, cooperador de Paulo, passando por todas as confissões de fé desde a Reforma, até aos nossos dias, todos os crentes professaram e praticaram o batismo nas águas.

Agora, dois mil anos depois, vêm estes apóstatas, “os iluminados”, arrogantemente negar o batismo praticado pela IGREJA desde o Pentecostes.

Eles não compreendem o que Paulo disse:

Anulamos então a lei pela fé? De maneira nenhuma! Pelo contrário, confirmamos a lei. (Romanos 3:31).

Pois bem, então se somos salvos pela fé, quer isso dizer que já não precisamos de obedecer às ordenanças de Deus? É justamente o contrário! Com efeito, somente quando temos fé estamos a confirmar o valor das ordenanças.

PAULO FOI BATIZADO
Os apóstatas também costumam dizer que Paulo não foi batizado nas águas. Contudo, Atos 9:18 mostra que Paulo foi batizado nas águas. E a Bíblia mostra que o batismo praticado pela Igreja Primitiva era o batismo nas águas, como quando Felipe batizou o eunuco em Atos 8 com a aprovação do Espírito Santo.

E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?
E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. (Atos 8:36-39).

Não basta mostrar que Felipe batizou o eunuco nas águas. Para os apóstatas, Felipe era da circuncisão. Porém, a Bíblia mostra que Felipe foi guiado pelo Espírito Santo. Ou será que o Espírito Santo também é da circuncisão?

O batismo nas águas é uma de duas ordenanças que Jesus instituiu para a igreja. Pouco antes da Sua ascensão, Jesus disse: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mateus 28:19-20). 

Estas instruções especificam que a igreja tem a responsabilidade de ensinar a palavra de Jesus, de fazer discípulos e de batizá-los. Essas coisas devem ser feitas em todos os lugares ("todas as nações") até "à consumação do século." Então, ainda que não tivéssemos outra razão, o batismo deve ser praticado porque Jesus o ordenou.

O BATISMO FOI ENSINADO NAS CARTAS DOS APÓSTOLOS
Os apóstatas afirmam que nenhum apóstolo ensinou o batismo nas águas em suas cartas às igrejas. Mas isso também é só mais uma mentira.

A menção ao batismo nas águas é encontrada nas cartas dos apóstolos, já que Paulo disse que a família de Deus se sustenta sobre o ensinamento dos apóstolos, e não somente de Paulo.

Devemos sempre ter em mente que ainda que certas coisas não tenham sido ensinadas pelos apóstolos em suas epístolas, as ações deles confirmam aquilo que aprenderam diretamente do Senhor principalmente nos 40 dias que passou com eles, já ressuscitado e antes de subir ao céu. (Atos 1:3).

Atos dos Apóstolos registra cerca de 30 anos da vida dos apóstolos. Não podemos nos fundamentar apenas no que os apóstolos escreveram em suas cartas, mas também no que fizeram. Por isso Paulo disse: ‘Sede meus imitadores”. Apenas podemos imitá-los considerando o que eles fizeram.

Eles escreveram pouco sobre o batismo porque consideravam a doutrina dos batismos como parte do beabá, da doutrina de Cristo. Ou seja, é uma doutrina básica demais para ser ensinada em uma carta, que custava tempo e muito dinheiro para ser produzida. Além disso, era algo atestado pela prática cotidiana.

Mas, Pedro nos diz em sua primeira carta:

Quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram ATRAVÉS DA ÁGUA, que também AGORA vos salva por uma verdadeira figura, O BATISMO, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo. (1 Pedro 3:20,21)

Portanto é bom lembrar que o batismo nas águas não salva no sentido eterno. Mas, o batismo nas águas, como uma figura, nos salva, não pela remoção da sujeira do corpo, mas porque no batismo os crentes declaram ter uma boa consciência diante de Deus por meio da ressurreição de Jesus Cristo.

O batismo da água simboliza a purificação espiritual relacionada com a participação na morte de Cristo e no poder de Sua ressurreição para que o crente batizado possa ter o coração verdadeiro, purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa do batismo. (Hebreus 10:22).

Quando perguntado sobre o que fazer para receber a salvação, Pedro assim respondeu:

“Vocês devem se arrepender, para o perdão de seus pecados (no sentido de justificação, e não de expiação), e cada um deve ser batizado em nome de Jesus Cristo. E então receberão o dom do Espírito Santo (Atos 2:38).

As palavras de Pedro estão em concordância com as palavras de Paulo no Areópago de Atenas: 

"Mas Deus não tendo levado em conta os tempos da ignorância, agora ele ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam." (Atos 17:30).

Mas, as palavras de Pedro também estão em concordância a prática de Paulo em Éfeso: 

"Eles, tendo ouvido isto, foram batizados no nome do Senhor Jesus. E, quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles, e tanto falavam em línguas como profetizavam." (Atos 19:5,6).

O BATISMO FOI PRATICADO PELOS APÓSTOLOS

"Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois TODOS NÓS FOMOS BATIZADOS EM UM ESPÍRITO, FORMANDO UM CORPO, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito." (1 Coríntios 12:12-13).

Paulo batizou os 12 pessoas nas águas, e então eles receberam o dom do Espírito Santo conforme as palavras de Pedro. Porém, o dom do Espírito Santo era recebido por pessoas que também eram batizados nas águas. 

É importante notar que as pessoas batizadas nas águas também receberam o dom do Espírito Santo. Mas nem sempre na mesma ordem. Vejamos:

JUDEUS - Atos 2:38: os judeus são introduzidos seguindo este processo:
1º - Arrependimento (os judeus eram primariamente culpados da rejeição e morte de seu Messias, portanto tinham muito de que se arrepender).
2º - Batismo nas águas
3º - Recebimento do dom do Espírito Santo

SAMARITANOS - Atos 8:14-17: os samaritanos eram gentios convertidos ao judaísmo:
1º - Fé (crer)
2º - Batismo nas águas
3º - Recebimento do dom do Espírito pela oração e imposição de mãos dos apóstolos.

GENTIOS - Atos 10:44-48: todos aqueles que não eram judeus ou samaritanos:
1º - Fé (crer)
2º - Recebimento do dom do Espírito Santo
3º - Batismo nas águas

DISCÍPULOS DE JOÃO BATISTA - Atos 19:1-7, um sub-grupo de judeus que eram os discípulos de João, que já haviam se apartado dos judeus e suas culpas:
1º - Fé (crer)
2º - Rebatismo nas águas (tinham sido antes batizados no João Batista).
3º - Recebimento do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos do apóstolo.

Quando perguntado sobre o que fazer para receber a salvação, Pedro assim respondeu:

“Vocês devem se arrepender, para o perdão de seus pecados (no sentido de justificação, e não de expiação), e cada um deve ser batizado em nome de Jesus Cristo. E então receberão O DOM do Espírito Santo (Atos 2:38).

Fica comprovado que os apóstolos batizavam nas águas. 

HÁ UM SÓ BATISMO 
Se opõem contra o batismo nas águas dizendo é um rudimento que não deve ser mais praticado porque Paulo disse que há um só batismo, o do Espírito Santo.

Paulo realmente disse que há um só batismo, mas não disse qual era. Mas sabemos que o batismo nas águas é a primeira ordem direta de Cristo após sua vitória na cruz.

Não basta repetir textos como um papagaio que ouviu alguém dizer. Além de texto e contexto, precisamos conhecer os conceitos bíblicos utilizados nas Escrituras. Por que Efésios 4:4 Paulo usou a palavra corpo para se referir ao povo de Deus? Por que em outros textos usou a palavra noiva? Por que em outros textos usou Igreja? Por que em outros textos usou rebanho? Por que em outros textos usou aprisco?

São conceitos distintos que se referem ao povo de Deus. Por que Paulo usa somente a palavra igreja no plural, igrejas? Por que Jesus afirmou ter ovelhas de mais de um aprisco? A Bíblia jamais usou o termo rebanho, noiva ou corpo no plural para se referir ao povo de Deus.

Enquanto o Corpo de Cristo é formado pelo próprio Cristo como cabeça, membros, juntas e ligaduras, a Igreja é um ajuntamento de igrejas locais formado por crentes evangelizados e discipulados por pastores, evangelistas, mestres e diáconos, ou seja, ministros por meio dos quais os crentes vieram a crer (1 Coríntios 3:5).

O Corpo é místico porque sua função primordial é atar os membros uns aos outros e uni-los à Cristo. Já a função primária da Igreja é terrena e voltada ao homem perdido, isto é, pregar o Evangelho e fazer discípulos através do ensino da doutrina cristã.

O conceito de corpo e noiva são referentes à totalidade do povo salvo pela graça, mediante a fé em Jesus, e por isso não aparecem no plural, pois trata-se de uma unidade composta. Já rebanho abrange a noiva e os amigos do Noivo, os convidados para as bodas do Cordeiro.

Já igreja e aprisco têm o conceito de células ou partes do povo de Deus. Cristo afirmou que tinha ovelhas de outros apriscos, e enviou mensagens às sete igrejas da Ásia. Paulo enviou cartas à várias Igrejas, e por diversas vezes referiu-se às igrejas no plural.

Dito isto, o contexto de Efésios 4 é de unidade (e não de unicidade) como o próprio Paulo deixa claro logo nos primeiros versículos quando diz:

Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a UNIDADE do Espírito pelo vínculo da paz. (Efésios 4:2,3). 

E esta unidade é que forma um corpo. Logo o contexto não referenda a unicidade, mas sim a unidade realizada pelo batismo com o Espirito Santo.

Em 1 Coríntios 12:12 Paulo usa a figura do Corpo para explicar a unidade na diversidade dos crentes no Corpo.

“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um Corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos bebemos de um Espírito”. (1 Coríntios 12:13).

O batismo do Espírito forma o Corpo que expressa a esfera da unidade efetuada pelo Pai, conforme pediu o nosso Senhor na oração sacerdotal (João 17:11). Um só Corpo é o objetivo do batismo do Espírito Santo a todos os crentes (1 Coríntios 3:1-3).

Em Efésios 4 a unidade de um só corpo contrasta com a diversidade geográfica (judeus e gregos) e de posição ou estado (escravos e livres).

Um só e o mesmo Espírito opera essa unidade que ocorre necessariamente pela habitação do Espírito Santo. Ou não sabeis que aquele que SE UNE ao Senhor é um só espírito com ele? (1 Coríntios 6:17). Unir-se ao Senhor através do corpo é o batismo com o Espírito Santo.

Falta aos apóstatas a devida atenção à fala de João Batista:

E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ELE VOS BATIZARÁ com o Espírito Santo, e com fogo. (Mateus 3:11).

João Batista afirmou que Jesus Cristo é quem batizaria com o Espírito Santo e com fogo. Mas, Jesus ordenou aos seus discípulos para que batizassem nas águas.

O batismo com o Espirito Santo e com fogo é realizado pelo PRÓPRIO CRISTO. É ELE MESMO QUEM OPERA ESTE BATISMO.

Portanto, quem batiza com o Espírito Santo é Jesus. Isso é fato. Porém, Jesus ordenou aos seus discípulos que batizassem nas águas. E até Paulo batizou em Corinto e em Éfeso já com mais de 20 anos de Ministério, em sua última viagem missionária.

Assim, no batismo nas águas quem batiza são homens, discípulos de Jesus, que pregam o Evangelho. No batismo com o Espírito Santo quem batiza é Jesus.

O batismo nas águas, desde o Pentecostes, sempre foi operado pela igreja que vai, prega, discípula e batiza.

O batismo nas águas é o batismo das Igrejas voltado como marco inicial para a inserção numa igreja local. Assim também o batismo nas águas serve como confirmação de que o batizado é membro de uma comunidade local. É pelo batismo nas águas que o crente passa a ser considerado como um doméstico da fé, ou seja, um membro da comunidade local. Já o batismo no Espírito Santo une o crente a Cristo inserindo-o no Corpo.

Jesus e Paulo afirmaram que o membro pode ser excluído de uma Igreja, mas não há como excluir um membro do corpo porque cada membro do corpo é um só espírito com o Senhor através do batismo com o Espírito Santo.

Assim, se os apóstatas entendessem os conceitos bíblicos saberiam interpretar a verdade bíblica, e compreenderiam que existe o batismo das águas nas igrejas, e o batismo no Espírito Santo no corpo, que batismo nenhum salva, nem mesmo o batismo com o Espírito Santo, que é apenas o selo que atesta a salvação pela fé em Jesus.

PORQUE SOU CONTINUÍSTA

Então, porque sou um continuísta? As minhas razões são as seguintes. (Por favor note que eu escrevi vários artigos que fornecem uma evidência mais extensa para os pontos que apresento, mas devido às limitações de espaço, permita-me apenas mencioná-los. Todos esses artigos podem ser encontrados no meu site.)

Deixe-me começar pela presença em todo o Novo Testamento (NT) de uma forma consistente, generalizada e completamente positiva de todos os dons espirituais. Os problemas que surgiram na igreja de Corinto não foram causados por dons espirituais, mas sim por pessoas imaturas. Não foram os dons de Deus, mas sim a distorção infantil, ambiciosa e orgulhosa desses dons por parte de alguns que deram origem aos comentários corretivos de Paulo.Além disso, a partir de Pentecostes e continuando ao longo do livro de Atos, quando o Espírito é derramado sobre os novos crentes estes experimentam os seus dons. Não há nada que indique que estes acontecimentos eram restritos apenas a eles e àquele tempo. Esse fato parece ser do conhecimento geral na igreja do Novo Testamento. Cristãos em Roma (Romanos 12), Corinto (1Coríntios 12-14), Samaria (Atos 8), Cesareia (Atos 10), Antioquia (Atos 13), Éfeso (Atos 19), Tessalônica (1Tessalonicenses 5) e Galácia (Gálatas 3) vivenciaram os dons miraculosos e reveladores. É difícil imaginar como os autores do NT poderiam ter falado mais claramente sobre como a aparência da nova aliança do cristianismo deveria ser. Em outras palavras, o ónus da prova recai sobre o cessacionista. Se alguns dons de uma classe especial cessaram, é da sua responsabilidade prová-lo.

Extensa evidência
Eu gostaria de referir igualmente a extensa evidência no NT dos chamados dons milagrosos entre os cristãos que não são apóstolos. Em outras palavras, muitos homens e mulheres não-apostólicos, jovens e velhos, por toda a extensão do Império Romano consistentemente exerceram esses dons do Espírito (e Estevão e Filipe ministraram no poder de sinais e maravilhas). Outros que não eram apóstolos mas exerceram dons milagrosos incluem (1) os 70 que foram enviados em Lucas 10.9, 19-20; (2) pelo menos 108 pessoas entre os 120 que estavam reunidos no cenáculo no dia de Pentecostes; (3) Estevão (Atos 6-7); (4) Filipe (Atos 8); (5) Ananias (Atos 9); (6) os membros da igreja em Antioquia (Atos 13); (7) convertidos anônimos em Éfeso (Atos 19.6); (8) As mulheres em Cesareia (Atos 21.8-9); (9) os irmãos sem nome de Gálatas 3.5; (10) os crentes em Roma (Romanos 12.6-8); (11) crentes de Corinto (1Coríntios 12-14).; e (12) os cristãos de Tessalônica (1Tessalonicenses 5.19-20).

Devemos também considerar o propósito explícito e muitas vezes repetido dos dons do Espírito, a saber, a edificação do corpo de Cristo (1Coríntos 12.7; 14.3, 26) Nada do que eu li no NT ou observo na condição da igreja em qualquer época, passada ou presente, me leva a crer que já ultrapassamos a necessidade de edificação e, portanto, estarmos libertos da necessária contribuição desses dons. Admito que os dons espirituais foram fundamentais para o nascimento da igreja, mas porque motivo seriam eles menos importantes ou necessários para o seu contínuo crescimento e amadurecimento?

Há também uma continuidade fundamental ou uma relação espiritualmente orgânica entre a igreja em Atos e a Igreja nos séculos posteriores. Ninguém nega que houve uma época ou período na igreja primitiva que poderíamos chamar de “apostólico”. Temos de reconhecer a importância da presença pessoal e física dos apóstolos e o seu papel único no estabelecimento dos fundamentos da igreja primitiva. Mas em nenhum lugar do NT é sugerido que certos dons espirituais estavam única e exclusivamente associados a eles ou que esses dons cessariam ​​com a sua morte. A igreja universal ou corpo de Cristo que foi criada e dotada através do ministério dos apóstolos é a mesma igreja universal e o mesmo corpo de Cristo hoje. Estamos juntos com Paulo, Pedro, Silas, Lídia, Priscila e Lucas, membros do mesmo corpo de Cristo.

Muito relacionado com o ponto anterior é aquilo que Pedro diz em Atos 2 sobre os chamados dons miraculosos, como sendo característicos da nova aliança da igreja. Como D.A. Carson disse: “A vinda do Espírito não está apenas associada ao alvorecer dessa nova era, mas com a sua presença, não apenas com o dia de Pentecostes, mas com todo o período entre Pentecostes e o retorno de Jesus, o Messias” (A Manifestação do Espírito, 155). Ou ainda, os dons de profecia e línguas (Atos 2) não são retratados como meramente inaugurais da era da nova aliança, mas como característicos dela (e não nos esqueçamos de que a presente era da igreja = os “últimos dias”).

Devemos também prestar atenção a 1Coríntios 13.8-12. Aqui, Paulo afirma que os dons espirituais não vão “passar” (v. 8-10), até à chegada do “perfeito”. Se o “perfeito” é de fato a consumação dos propósitos redentores de Deus expressos no novo céu e nova terra após o retorno de Cristo, podemos confiantemente aguardar que ele continue a abençoar e a capacitar a sua igreja com os dons até esse momento chegar.

Uma ideia semelhante é dada em Efésios 4.11-13. Ali Paulo fala de dons espirituais (juntamente com o ofício de apóstolo) e, em especial, os dons de profecia, evangelismo, pastor e professor — como sendo edificantes para a igreja “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (v. 13). Já que este último estado não foi ainda seguramente atingido pela igreja, podemos confiantemente prever a presença e o poder de tais dons até que esse dia chegue.

Eu também argumentaria, com a ausência de qualquer noção explícita ou implícita, que deveríamos olhar para os dons espirituais de forma diferente do que fazemos com outras práticas e ministérios do NT, retratados como essenciais para a vida e o bem-estar da igreja. Quando lemos o Novo Testamento, parece evidente que a disciplina eclesiástica deve ser praticada nas nossas assembleias de hoje e que devemos celebrar a Ceia e a Água do batismo do Senhor, e que os requisitos para o cargo de ancião conforme estabelecido nas epístolas pastorais ainda determinam como a vida na igreja deve ser conduzida, só para mencionar alguns pontos. Que boas razões exegéticas ou teológicas podem ser dadas para que tratemos a presença e a operação dos dons espirituais de forma diferente?

Testemunho consistente
Ao contrário da crença popular, há um testemunho consistente ao longo da história da Igreja a respeito da operação dos dons miraculosos do Espírito. Não sucedeu simplesmente que os dons tenham cessado ou desaparecido da vida da igreja primitiva após a morte do último apóstolo. O espaço não me permite citar a evidência massiva a este respeito, pelo que lhes recomendo quatro artigos que escrevi com extensa documentação (ver “Spiritual Gifts in Church History” [Dons espirituais ao longo da história da Igreja]).

Os cessacionistas argumentam frequentemente que sinais e maravilhas bem como certos dons espirituais serviram apenas para confirmar ou autenticar o original grupo de apóstolos e que, quando esses apóstolos morreram, logo cessaram também os dons. O fato é que nenhum texto bíblico (nem mesmo Hebreus 2.4 ou 2Coríntios 12.12) alguma vez nos diz que sinais e maravilhas e dons espirituais de um tipo particular serviram para autenticar os apóstolos. Sinais e maravilhas autenticaram Jesus e também a mensagem apostólica sobre ele. Se esses sinais e maravilhas foram concebidos exclusivamente para autenticar apóstolos, então não temos qualquer explicação em relação a que crentes não-apostólicos (como Filipe e Estevão) tenham sido capacitados para os realizar (ver especialmente 1Coríntios 12.8-10, onde o “dom” de “milagres”, entre outros, foi dado a crentes não-apostólicos, normais).

Portanto, essa é uma boa razão para ser um cessacionista mas apenas se você conseguir demonstrar que a autenticação ou atestado da mensagem apostólica era a finalidade única e exclusiva de tais manifestações do poder divino. No entanto, em nenhum lugar do NT o propósito ou a função dos milagres ou dos dons do Espírito são reduzidos a atestados de validade. Os milagres, em qualquer uma das suas formas, serviram finalidades distintas e diversas: doxológicas (glorificar a Deus: João 2.11, 9.03, 11>04, 40; Mateus 15.29-31); evangelísticas (para preparar o caminho para que o evangelho fosse conhecido: veja Atos 9.32-43); pastorais (como uma expressão de compaixão, amor e cuidado com as ovelhas: Mateus 14.14; Marcos 1.40-41); e edificantes (para edificar e fortalecer os crentes: 1Coríntios 12:7 e o “bem comum”, 1Coríntios 14.3-5, 26).

Todos os dons do Espírito, fossem línguas ou ensino, profecia ou misericórdia, cura ou ajuda, foram dados (entre outros motivos) para a edificação, construção, incentivo, instrução, consolo e santificação do corpo de Cristo. Portanto, mesmo se o ministério de autenticar e atestar os dons miraculosos tivesse cessado, um ponto que concedo apenas para prosseguir o raciocínio, tais dons continuariam a funcionar na igreja pelos outros motivos citados.

Ainda final e suficiente
Talvez a objeção ouvida mais frequentemente por parte dos cessacionistas é que reconhecer a validade dos dons de revelação, como a profecia e a palavra do conhecimento/ciência, necessariamente enfraqueceria a finalidade e a suficiência das Sagradas Escrituras. Mas esse argumento é baseado na falsa suposição de que estes dons nos fornecem verdades infalíveis iguais em autoridade ao próprio texto bíblico (ver o meu artigo “Why NT Prophecy Does NOT Result in ‘Scripture-Quality’ Revelatory Words” [Por que a profecia do Novo Testamento não resulta em revelação verbal com a mesma autoridade das Escrituras Sagradas]).

Também ouvimos o apelo cessacionista a Efésios 2.20, como se esse texto descrevesse todos os possíveis ministérios proféticos. O argumento é que dons de revelação como a profecia foram exclusivamente associados aos apóstolos e, portanto, projetados para funcionar apenas durante o chamado período de fundação na igreja primitiva. Dirijo-me de forma profunda a este ponto de vista fundamentalmente equivocado aqui. Um exame atento às evidências bíblicas a respeito tanto à natureza do dom profético quanto à sua distribuição generalizada entre os cristãos, indica que havia algo muito superior nesse dom ao simples capacitar os apóstolos para estabelecer os alicerces da igreja. Portanto, nem a morte dos apóstolos nem o movimento da igreja após os seus anos de fundação tem qualquer influência sobre a validade do dom de profecia hoje. Também se ouve muitas vezes o chamado argumento conjunto, segundo o qual os fenômenos sobrenaturais e miraculosos foram supostamente concentrados ou agrupados em períodos únicos na história da redenção. Eu já abordei esse argumento noutro lugar e demonstrei que é completamente falso.

Finalmente, e embora não seja tecnicamente uma razão ou argumento para ser um continuista, não posso ignorar a minha experiência. O fato é que eu vi todos os dons espirituais em operação, os testei e confirmei, e os vivi em primeira mão em inúmeras ocasiões. Como foi dito, esse é não tanto um motivo para alguém se tornar um continuísta, mas mais uma confirmação (embora não infalível) da validade dessa decisão. A experiência, quando isolada do texto bíblico, pouco prova. Mas a experiência deve ser levada em consideração, especialmente se ela ilustra ou encarna o que vemos na Palavra de Deus.

Sam Storms

Sam Storms é pastor principal para o ministério de pregação e visão na Bridgeway Church em Oklahoma City, Oklahoma.

EU NÃO SOU A IGREJA


Oséias Graça Tavares

Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. (1 Coríntios 12:14).

Nos dias atuais há uma verdadeira rebelião ocorrendo contra Igreja. Muitos se autoproclamam ministros e saem internet afora a ensinar, sem conhecimento e sem respeito a Deus e a sua palavra.

Hoje estas pessoas gostam de pregar doutrinas ao invés de pregar o Evangelho, não fazendo nenhuma distinção entre doutrina e Evangelho.

É muito comum ouvirmos dizer que temos que voltar ao “verdadeiro” Evangelho de Jesus (como se houvesse um falso evangelho de Jesus).

Quando Paulo diz que os gálatas estavam deixando o Evangelho de Cristo para seguir a OUTRO Evangelho, a palavra grega usada para outro também pode ser traduzida por "diferente". Porém, Paulo faz uma ressalva para dizer que na verdade NÃO É OUTRO EVANGELHO; senão que há algumas pessoas que estavam perturbando as Igrejas da Galácia, querendo perverter o Evangelho de Cristo (Gálatas 1:6,7).

Os críticos da Igreja são muito zelosos com a letra, e exibem um texto como uma base bíblica para tudo o que pregam. Mas, para entender o texto bíblico temos que ir muito além da letra. É preciso enxergar, pelo Espírito, os contextos e os princípios envolvidos no texto, e também os destinatários do texto, lembrando sempre que nenhuma doutrina se apoia sobre um texto isolado, pois a Bíblia se auto explica. Por exemplo, quanto aos destinatários, temos a carta aos Romanos escrita para uma Igreja. E temos a carta a Tito destinada a um pastor. Logo, temos uma carta doutrinária geral, e uma carta doutrinária pastoral.

É obvio que numa carta destinada a uma Igreja, a expressão “cada um” e outras assemelhadas referem-se ao indivíduo dentro do coletivo da assembleia.

EU SOU A IGREJA?

Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas INDIVIDUALMENTE SOMOS MEMBROS UNS DOS OUTROS. (Romanos 12:5).

Não! Igreja é o coletivo de crentes. Igreja é a assembleia, a congregação. Logo, EU NÃO SOU A IGREJA - NINGUÉM É A IGREJA - EU SOU APENAS UM MEMBRO NO CORPO!

O texto de Romanos 12:5 afirma peremptoriamente que individualmente somos MEMBROS, e não o corpo.

Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. (1 João 3:11).

Se há uma expressão que possa resumir toda a fé cristã é: UNS AOS OUTROS.

A palavra UNS é plural. OUTROS também é plural. Mas, “EU” é um pronome no singular. Logo, eu não sou a igreja.

A ordem de Jesus é para negarmos o EU. Logo, a expressão egocêntrica e egoísta "Eu sou a igreja" é anticristã porque colide contra o conceito cristão de "uns aos outros".

A fé cristã é sempre UNS AOS OUTROS. Por isso, devemos:

● Exortar e edificar uns aos outros. - 1 Tessalonicenses 5:11;
● Amar uns aos outros. - João 15:17;
● Honrar uns aos outros. - Romanos 12:10;
● Sujeitar-nos uns aos outros. - Efésios 5:21;
● Saudar uns aos outros. - 2 Coríntios 13:12;
● Ser hospitaleiros uns para com os outros. - 1 Pedro 4:9;
● Consolar uns aos outros. - 1 Tessalonicenses 4:18;
● Ser benigno e misericordioso uns para com os outros. - Efésios 4:32;
● Perdoar uns aos outros. - Efésios 4:32;
● Suportar e perdoar uns aos outros - Colossenses 3:13 - Efésios 4:2;
● Considerar uns aos outros. - Hebreus 10:24;
● Esperar uns pelos outros. - 1 Coríntios 11:33;
● Confessar os pecados uns aos outros. - Tiago 5:16;
● Orar uns pelos outros. - Tiago 5:16;
● Ter cuidado uns dos outros. - 1 Coríntios 12:25;
● Levar as cargas uns dos outros. - Gálatas 6:2;
● Não mentir uns aos outros. - Colossenses 3:9;
● Receber uns aos outros. - Romanos 15:7;
● Não nos queixar uns contra os outros. - Tiago 5:9;
● Não julgar uns aos outros. - Romanos 14:13;
● Ter comunhão uns com os outros. - 1 João 1:7;
● Ter paz uns com os outros. - Marcos 9:50;
● Admoestar uns aos outros. - Hebreus 10:25;
● Servir uns aos outros pelo amor. - Gálatas 5:13;
● Ensinar uns aos outros. - Colossenses 3:16.

Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. (1 Coríntios 12:20).

1- O QUE É E PARA QUE SERVE UM TEMPLO?

Um dos textos mais propalados pelos falsos teólogos é o que diz que o Altíssimo não habita em templos construídos por homens. Vejamos:

Estevão afirmou:

E SALOMÃO LHE EDIFICOU CASA; Mas O ALTÍSSIMO não habita em templos feitos por mãos de homens, COMO DIZ O PROFETA: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? (Atos 7:47-49).

Analisando a fala de Estevão vemos que:

1- Não se trata de uma fala doutrinária
2- Não se trata de um mandamento
3- Não se trata de Evangelho
4- Estevão não era apóstolo para lançar as bases doutrinárias da Igreja
5- Estevão não enviou nenhuma carta doutrinária para a Igreja.

Mas vemos muito mais dentro desta fala de Estevão:

O grande problema dos incautos é a leitura superficial do texto, e a confusão de termos, que neste caso é habitação e templo. A fala de Estevão começa com uma afirmação que qualquer estudioso sério levaria em conta: SALOMÃO EDIFICOU CASA PARA DEUS.

Ora, o quê Salomão pensava a respeito desta casa? Era para ser uma habitação para Deus ou somente um santuário para prestar culto a Deus? Ou apenas um lugar para o povo buscar a misericórdia e o perdão de Deus? Vejamos o que pensava Salomão:

Mas será possível que Deus habite na terra com os homens? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te. MUITO MENOS ESTE TEMPLO QUE CONSTRUÍ! Ainda assim, atende à oração do teu servo e ao seu pedido de misericórdia, ó Senhor, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que teu servo faz hoje na tua presença.
Estejam os teus olhos voltados dia e noite para este templo, lugar do qual disseste que nele porias o teu nome, para que ouças a oração que o teu servo fizer voltado para este lugar.
Ouve as súplicas do teu servo e de Israel, teu povo, quando orarem voltados para este lugar. OUVE DESDE OS CÉUS, LUGAR DA TUA HABITAÇÃO, e quando ouvires, DÁ-LHES O TEU PERDÃO. (2 Crônicas 6:18-21).

Salomão nunca teve em mente construir uma habitação para Deus. Salomão sabia que nem mesmo os mais altos céus podem conter ao Altíssimo, muito menos um templo construído por mãos humanas. Nenhum templo jamais foi construído para ser a habitação de Deus.

Quando ouço alguém dizer que não vai a templo porque Deus não habita em construções humanas, me dá pena por tamanha ignorância. Porque nada na terra pode ser a habitação de Deus. Se quiseres estar onde Deus habita, tens que sair da terra, porque terás que partir desta vida para estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor (Filipenses 1:23), sabendo que, enquanto estivermos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (2 Coríntios 5:6).

Não há um texto sequer que ordene ou sugira que os crentes não devem se congregar. Não há nenhuma proibição na Bíblia nem para a construção de locais de comunhão chamados de templo por similitude, e nem mesmo da frequência a estes lugares. Muito pelo contrário, há vários textos que nos ORDENA a nos congregar num lugar como Igreja. Vejamos:

Não deixemos de congregar-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas ENCORAJEMO-NOS uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia. (Hebreus 10:25).

Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Jesus, estando eu com vocês em espírito, estando presente também o poder de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 5:4).

Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1 Coríntios 14:23).

Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1 Coríntios 14:26).

Outro dia uma destas "ovelhas" sem pastor me perguntou se eu não tinha vergonha de ir cultuar a Deus em um templo em que Ele não habita, já que foi feito por mãos humanas.

Eu respondi que um templo é todo lugar onde o nome de Deus é invocado. E perguntei-lhe se ele orava a Deus no quarto como Jesus ensinou. Ele disse-me que sim.

Conclusão: Pela lógica desse insensato Jesus errou quando ensinou a orar no quarto já que Deus não está em nossa casa já que ela foi feita por mãos humanas.

Embora eu não goste de recorrer ao grego, uma simples analise de Atos 7:48 no grego mostra que:

No texto “Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos.” A palavra “TEMPLOS” evidentemente não é genuína. A ideia é, portanto, bastante geral – ‘não habita em EDIFÍCIOS feitos pelo homem’. O próprio Salomão expressa isso sublimemente em sua oração na consagração do templo (2 Crônicas 6:18): “Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto mais esta casa que eu edifiquei!

Isso fica mais evidente no verso anterior, onde a palavra grega oíkos é traduzida por casa ou morada, o que de fato tem a ver mais com o conceito de habitação do que templo.

O texto de Atos 7:48 nos mostra também que a palavra grega katoikeo, traduzida como habita, é um verbo que significa residir permanentemente. Está palavra é formada pela junção de kata e oikeo dando o sentido de abrigar permanentemente, isto é, residir. Ou seja, o texto apenas diz que o Altíssimo não reside de forma permanente num edifício feito por homens.

Outro néscio me disse que agora ele se reúne com alguns irmãos para cultuar a Deus somente nas casas, e não vai mais a templos porque Deus não habita em templos feitos por mãos humanas.

Eu respondi que um templo é todo lugar onde o nome de Deus é invocado. E lhe perguntei se essas tais casas foram feitas por mãos alienígenas. Fiquei sem resposta.

Não há nada de errado com as reuniões em casas. O erro, neste caso, está na motivação para se reunir em casas.

Por favor, aprenda que a glória de Deus enche a Terra e os Céus. O Eterno Criador é onipresente. Ou seja, Ele está em todos os lugares, e até mesmo no inferno.

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer NO INFERNO a minha cama, eis que TU ALI ESTÁS TAMBÉM. (Salmos 139:7,8) - Assim diz o salmista.

Para onde fugirei de Ti? Já sei. Vou para um templo feito por mãos humanas. - Assim diz o insensato.

Aqueles que usam a Bíblia apenas para criticar a Igreja não sabem ler a Bíblia. Neles se cumpre as palavras de Paulo quando disse que são pessoas que aprendem sempre, e NUNCA PODEM chegar ao conhecimento da verdade (2 Timóteo 3:7).

Digo isto porque o texto de Atos 7:48 fala de Deus, da sua natureza espiritual, da sua imensidade que não cabe dentro de edifícios feitos pelos homens.

Mas, os críticos da Igreja só PODEM enxergar aquilo que não está no texto, a proibição de frequentar templos. Eles NÃO PODEM ver no texto a exaltação à imensidade de Deus.

Paulo não afirma que os críticos não querem conhecer a verdade. Ao contrário, Paulo diz que eles NUNCA PODEM chegar ao conhecimento da verdade. E isso é porque os seus olhos são maus.

Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! (Mateus 6:23).

Estas pessoas dizem que conhecem a Deus, mas na verdade não sabem nada sobre a grandeza e imensidade do seu Ser.

A imensidade é a infinidade de Deus com relação ao espaço, Deus transcende a todas as limitações de espaço existentes, mas ao mesmo tempo, pela sua onipresença, encontra-se em todos os lugares do espaço e do tempo concomitantemente com todo o seu Ser. Desta forma, a imensidade de Deus caracteriza sua transcendência, ao passo que sua onipresença caracteriza sua imanência.

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer NO INFERNO a minha cama, eis que TU ALI ESTÁS TAMBÉM. (Salmos 139:7,8)

A imensidade de Deus não deve ser entendida somente com relação ao espaço existente no universo, a imensidão de Deus enche o universo, o céu, o inferno, os edifícios, os templos feitos por mãos humanas, e o infinito, tanto com relação ao espaço como com relação ao tempo. Sendo Deus um ser totalmente espiritual e simples, Ele está em todos estes lugares com a totalidade do seu Ser, no universo, no céu, no inferno e no infinito.

Entenda que mesmo não sendo a habitação do Altíssimo, quando Salomão terminou de orar, desceu fogo do céu e queimou todos os animais sacrificados. E o templo ficou cheio da glória de Deus. Isso mostrou que Deus ouviu a oração, e que aprovou o templo como um lugar para o povo buscar a misericórdia e o perdão de Deus, invocando o seu santo nome.

2- QUEM É O ALTÍSSIMO?

O versículo também diz que o ALTÍSSIMO não habita em edifícios construídos por homens. Mas afinal quem é o Altíssimo? Vejamos:

Havia uma profecia do anjo Gabriel à Maria dizendo que Jesus seria chamado de filho do Altíssimo (Lucas 1:32). Assim ficamos sabendo que Jesus era Filho do Altíssimo. Porém, estes neófitos da internet não sabem quem é o Altíssimo, mas até os demônios sabem quem é o Altíssimo, pois uma legião disse a Jesus com grande voz: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.” (Lucas 8:28). Logo, concluímos que quando a Bíblia cita o Altíssimo está referindo-se ao Pai.

Sabemos que Deus habita nas alturas (Salmos 113:5), e do alto do seu santuário, desde os céus, o Senhor contempla a terra (Salmos 102:19). Porém, o Senhor fez uma pergunta a Davi: Edificar-me-ás tu uma casa para minha habitação? E o Senhor mesmo respondeu dizendo que desde o dia em que fez subir os filhos de Israel do Egito havia andado em tendas e tabernáculos, mas levantaria um dos filhos de Davi para que este edificasse uma casa ao Seu nome (2 Samuel 7:5,6,13).

“Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação. Mas tu és nosso Pai.” (Isaías 63:15,16).

Assim, a habitação do Altíssimo está nos céus, mas sua glória enche os céus, a terra e todas as coisas.

Coloquei essa introdução para mostrar que o Altíssimo não pode ser limitado a estruturas construídas pelo homem, porque Ele enche o mundo inteiro, e não existe um tipo de casa que possa contê-lo. Santuário, casa, habitação, moradas, templos, tendas e tabernáculos são simbologias apenas. Deus não tem um lugar físico ou um trono físico para chamar de sua habitação, nem mesmo o corpo físico do crente. Deus enche e preenche tudo com sua glória.

Os cientistas denominam o Bóson de Higgs de "a Partícula de Deus" porque está em todo lugar preenchendo tudo sem ser detectada. É como a glória de Deus que preenche tudo.

3- A HABITAÇÃO TEMPORÁRIA – DEUS TEM MUITAS MORADAS

“E para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros voluntariamente deram ao Deus de Israel, cuja HABITAÇÃO ESTÁ EM JERUSALÉM (Esdras 7:15).”

Um leitor apressado ao ler o texto acima concluirá que Deus habita em Jerusalém. Mas, não é isso que o texto diz, senão que a habitação de Deus ESTÁ em Jerusalém.

"Ouve, pois, a súplica do teu servo, e do teu povo Israel, quando orarem neste lugar; também ouve tu NO LUGAR DA TUA HABITAÇÃO NOS CÉUS." (1 Reis 8:30).

Paulo afirmou:

O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, NÃO HABITA EM TEMPLOS feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; e de um só sangue fez toda a geração dos homens, para HABITAR SOBRE TODA A FACE DA TERRA, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da SUA HABITAÇÃO. (Atos 17:24-26).

Analisando a fala de Paulo vemos que:

1- Não se trata de uma fala doutrinária
2- Não se trata de um mandamento
3- Não se trata de Evangelho
4- Paulo não estava doutrinando a Igreja, mas pregava a ímpios.
5- Paulo não proibiu a construção de templos em nenhuma carta doutrinária para a Igreja.

Mas vemos um grande problema que é confundir habitação com templo e com casa. Nem toda casa é uma habitação. Nem toda habitação é uma casa. E templo era habitação dos sacerdotes, e não de Deus, por que Deus não precisa ser servido.

Neste texto de Atos 17:24, em que Paulo prega a ímpios, a tradução correta da palavra grega naos seria santuários, e não templos. Ou seja, aquela parte do templo onde os povos acreditavam que a deidade invocada habitasse. No caso do templo dos judeus era o Santo dos Santos.

Isso fica bem evidenciado quando Paulo complementa afirmando que Deus não é servido por mãos de homens, numa referência aos sacrifícios e oferendas apresentado nos santuários dos templos. Os templos evangélicos nunca tiveram um santuário, mas sempre funcionaram apenas como lugar de comunhão entre os irmãos, e como casa de oração.

Assim:

Templo = Lugar onde Deus é invocado.

Santuário = Lugar de oferenda e de sacrifício.

Aqui é bom esclarecer que INVOCAR significar clamar em auxílio, pedir proteção, suplicar, orar, pedir socorro, recorrer a quem possa ajudar.

Não há santuários nos locais de comunhão das igrejas evangélicas. Ou não sabes que santuário é local onde se oferece sacrifícios?
O único sacrifício aceitável a Deus foi feito na cruz e ofertado no único santuário de Deus, aquele do qual Cristo é Ministro do SANTUÁRIO, do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem (Hebreus 8:2). É deste SANTUÁRIO que Paulo fala em Atos 17:24.

Paulo fala que o SANTUÁRIO não é um santuário terrestre (Hebreus 9:1). E que nós devemos entrar com ousadia no SANTUÁRIO, pelo sangue de Jesus (Hebreus 10:19). Logo, o SANTUÁRIO é um local onde nós entramos, e não o nosso corpo.

O SANTUÁRIO é o local onde Cristo ofereceu o seu próprio sangue uma única vez, havendo efetuado uma eterna redenção (Hebreus 9:12) Porque Cristo não entrou num SANTUÁRIO feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus (Hebreus 9:24). É deste SANTUÁRIO que Paulo fala em Atos 17:24.

Mas, o conceito de habitação consoante ao santuário muda quando Paulo afirma que Deus colocou limites na habitação do homem na terra. Este limite é a morte.
Isso mostra que a habitação pode ser temporária, e pode mudar de lugar como vemos em:

“E para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros voluntariamente deram ao Deus de Israel, cuja habitação ESTÁ em Jerusalém (Esdras 7:15).”

Temporariamente a habitação de Deus estava em Jerusalém. Porém, é uma obviedade que Deus não pode estar contido em Jerusalém. Contudo, sua glória pode se fazer presente em Jerusalém, no templo de Salomão e também em qualquer templo onde se clama pelo seu Nome.

“Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa e o LUGAR onde permanece a tua glória” (Salmos 26:8).

Deus prometeu que o povo de Israel Lhe faria um templo, o Senhor habitaria no meio deles. (Êxodo 25:8). Mas muitos dirão que hoje nós somos o templo, e que Deus habita em nós. Todavia, o Senhor Deus não muda. Houve mudança de pacto, mudança de sacerdócio, mas não há em Deus mudança e nem mesmo sombra de variação. O fato de Deus habitar em nós representativamente pelo seu Espírito Santo não anula o fato de que Deus habita no meio de nós, no meio de nossos louvores e de que sua glória enche todas as coisas, até mesmo o templo feito por mãos humanas. Por isso a Bíblia afirma que o Deus imutável tem um único santuário para as MORADAS DO ALTÍSSIMO (Salmos 46:4). Sim, Deus tem muitas moradas, como teve tendas e tabernáculos, mas tem um só santuário, que é a cidade de Deus.

Por isso o salmista já dizia: “Quão amáveis são os TEUS TABERNÁCULOS, SENHOR dos Exércitos! Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios.” (Salmos 84:1,10).

Sim, o Altíssimo, o Deus imutável, sempre teve muitas moradas, tabernáculos e tendas, mas um único Santuário, onde Cristo ofereceu o seu sangue imaculado prefigurado pelo Santo dos Santos, onde o Senhor nos introduzirá, no lugar da Sua habitação, NO SANTUÁRIO, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. (Êxodo 15:17).

Deus tem um santuário feito por Ele mesmo no lugar de sua habitação. E isso é anunciado desde os tempos de Moisés.

4- O CORPO DE CADA CRENTE É UM TEMPLO?

Vimos que um templo é um local onde se invoca o nome do Senhor. Hoje, nossos corpos são tabernáculos, não são os templos de Deus. Juntos, somos O TEMPLO de Deus na terra, e o Espírito de Deus habita em NÓS. (1 Coríntios 3:16).

O corpo de cada um de nós é um tabernáculo, algo frágil, temporário e finito. Por isso Paulo disse que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu. (2 Coríntios 5:1,2).

Logo, a nossa verdadeira habitação não é a terra, mas sim um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, eterna, nos céus.

Por isso, embora tenhamos o penhor do Espírito Santo, enquanto estivermos no corpo (tabernáculo), vivemos ausentes do Senhor. Mas se desejamos deixar este corpo, para habitar com o Senhor, como pode este corpo ser individualmente seu templo? Individualmente este corpo é um tabernáculo, e não um templo. (2 Coríntios 5:5,6,8).

Contudo, coletivamente nossos corpos são O TEMPLO. Vejam a diferença:

"Não sabeis vós que os vossos corpos (plural) são membros (plural) de Cristo?" (1 Coríntios 6:15). Ou seja, corpos no plural formam membros no plural.

"Ou não sabeis que o vosso corpo (unidade composta) é o templo (singular) do Espírito Santo?" (1 Coríntios 6:19). Mas, vosso (pronome plural que indica unidade composta) forma um só Templo no singular.

Isso significa que não é o corpo de cada crente que é o templo de Deus. Se assim fosse, haveria vários templos espalhados. Mas o verdadeiro templo de Deus é a Igreja, o corpo de Cristo. E o corpo não é um só membro, mas muitos. (1 Coríntios 12:14).

“Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual TODO O EDIFÍCIO, bem ajustado, cresce PARA TEMPLO SANTO NO SENHOR. No qual também vós JUNTAMENTE sois edificados PARA MORADA DE DEUS EM ESPÍRITO.” (Efésios 2:20-22).

Paulo está dizendo que toda a Igreja (todo o edifício) em Cristo cresce como uma construção, porque cada crente se adapta perfeitamente a Igreja (todo o edifício) para ser o templo consagrado ao Senhor. E os crentes da Igreja local são integrados nesse edifício, para formarem, juntamente com todos os outros crentes, a morada em que Deus habita pelo seu Espírito. Logo, O templo é a Igreja, a Assembleia quando os crentes estão reunidos.

Ou seja, em Cristo é que todo o edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor, em quem os crentes entram CONJUNTAMENTE, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.

Até mesmo o antigo Catecismo da Igreja Católica já reconhecia: "A IGREJA é o TEMPLO do Espírito Santo porque o Espírito Santo reside no corpo que é a Igreja: na sua Cabeça e nos seus membros." - Papa Pio XII na encíclica Mystici Corporis.

Ou não sabeis que o VOSSO corpo é O TEMPLO do Espírito Santo, que habita em VÓS, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1 Coríntios 6:19).

Novamente Paulo usa o pronome possessivo da segunda pessoa do plural (VOSSO) indicando unidade composta.

Paulo nunca disse que cada crente individualmente é um templo do Espírito Santo. Paulo escreveu uma carta para uma IGREJA (Assembleia), e disse:

Não sabeis VÓS que sois O TEMPLO de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque O TEMPLO de Deus, que sois vós, é santo. (1 Coríntios 3:16,17).

“Vós” é a coletividade. E há um só templo que é santo. Se cada corpo fosse um templo, haveria vários templos santos.

A IGREJA É O TEMPLO.

E vós também sois pedras vivas, com as quais UM TEMPLO ESPIRITUAL é edificado. Além disso, sois sacerdotes santos. Por meio de Jesus Cristo, oferecem sacrifícios espirituais que agradam a Deus. (1 Pedro 2:5).

Pela fé, somos honrados por sermos “um lugar”, mas não apenas qualquer lugar, e sim um lugar sagrado. Pedro usa a metáfora de “ser templo de Deus”. Na nova aliança, ainda há um lugar sagrado, mas seus materiais de construção não são madeira, pedra ou metais preciosos. Jesus Cristo é a pedra angular e os cristãos são as paredes do novo Santo Lugar.

Pedro afirma que os crentes individualmente são pedras vivas que, quando reunidas, um templo espiritual é edificado.

No mundo antigo, no entanto, os edifícios eram construídos para durar, eram construídos de pedra. O que Pedro está dizendo aqui é que nossa honra está em sermos, nós, edificados para ser um templo espiritual permanente.

Como Cristo é a pedra angular viva, escolhida e preciosa do novo Santo Lugar de Deus, “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual” (1 Pedro 2:5). O verbo “sois edificados” está na voz passiva, que denota que a ação é feita para nós e não por nós, como disse Jesus: “edificarei a minha igreja” (Mateus 16.18). Ele está nos edificando em uma “casa espiritual”, significando que somos “animados e habitados pelo Espírito Santo”. Pense nisso: nós, os crentes, embora selados individualmente, somos coletivamente o templo do Deus vivo. Deus vive entre nós – nós, aqui, referindo-se a toda a assembleia, ao povo.

5- QUEM REALMENTE HABITA NO CORPO DE CADA CRENTE?

E, se Cristo está em vós, O CORPO, NA VERDADE, ESTÁ MORTO POR CAUSA DO PECADO, mas o espírito vive por causa da justiça. (Romanos 8:10).

O novo nascimento vivificou o nosso espírito para a justificação, mas não houve nenhuma mudança no corpo.

Paulo nos diz que enquanto estivermos neste corpo morto por causa do pecado, vivemos ausentes do Senhor. Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para HABITAR com o Senhor. (2 Coríntios 5:6-8). Logo, se o corpo morto por causa do pecado fosse a habitação do Senhor, não haveria a necessidade de transformação do corpo, mas Paulo afirma que TODO salvo terá o corpo transformado.

Por quê?

Porque o que é nascido da carne (o corpo gerado por nossos pais) é carne, e carne e sangue não podem herdar o reino de Deus que está dentro de nós na nova criatura gerada por Deus. Por isso, esse corpo que alguns dizem, sem conhecimento, ser a habitação e templo de Deus, na verdade está morto por causa do pecado. Acaso Deus habita em um corpo morto por causa do pecado?

E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete. E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. (Gênesis 5:3,4).

Adão enfrentou a tentação tanto por si mesmo como pelos seus descendentes, mas caiu, levando à queda toda a sua posteridade. Não somos a imagem de Deus, mas sim a imagem caída de Adão. Herdamos o DNA do pecado de nossos pais. A semente é pecaminosa desde Adão, desde o começo.

Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe. (Salmos 51:5)

Os homens nascem pecadores, e isso significa que o pecado habita em seus corpos mortos por causa do pecado. Paulo explica isso ao dizer:

Porque eu sei QUE EM MIM, ISTO É, NA MINHA CARNE, NÃO HABITA BEM ALGUM; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas O PECADO QUE HABITA EM MIM.
Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, O MAL ESTÁ COMIGO.
Porque, segundo o HOMEM INTERIOR, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da LEI DO PECADO QUE ESTÁ NOS MEUS MEMBROS.
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do CORPO desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, MAS COM A CARNE À LEI DO PECADO. (Romanos 7:18-25).

Paulo deixa claro que em seu corpo não habita bem algum, mas o pecado habita em seu corpo.

Ora, ou o Espírito Santo habita no corpo do crente ou o pecado habita no corpo do crente. O que não pode é o Espírito Santo dividir o corpo com o pecado.

Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. (1 Coríntios 5:5).

Certa vez Paulo entregou um crente ao diabo para destruição do seu corpo. Como pode o templo do Espírito Santo ser entregue a satanás para ser destruído? Não pode.

Mas alguns podem alegar que Paulo disse que o corpo é para o Senhor e o Senhor para o corpo (1 Coríntios 6:13). Porém, neste texto Paulo faz um paralelo entre o corpo e a fornicação. O corpo foi criado com a intenção de glorificar o Senhor, e o Senhor é necessário ao corpo para que isto aconteça. Paulo usa a palavra corpo aqui num sentido mais amplo do que simplesmente o tabernáculo físico, mas equivalente à personalidade do homem.

Outros ainda podem argumentar que o corpo é preservado sem mácula por Deus (1 Tessalonicenses 5:23). Porém, Paulo ora para que o homem integral seja conservado (guardado) do juízo na vinda de Cristo.

Como eu não sou daqueles que usam versículos isolados, mas creio que a Bíblia interpreta a si mesma, Paulo esclarece que essa preservação diz respeito ao dia da vinda de Cristo, quando os corpos serão transformados para a remoção corrupção.

O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 1:8).

Na verdade, nós, que temos as primícias do Espírito Santo, gememos esperando a redenção do nosso corpo (Romanos 8:23).

6-  ONDE ESTÁ O SELO DO ESPÍRITO SANTO?

Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória. (Efésios 1:13,14).

Penhor é um conceito jurídico que significa uma garantia do cumprimento de uma promessa.

Cada crente é individualmente selado. O Espírito Santo é o próprio selo. Sua presença garante a nossa salvação. O Santo Espírito da promessa é o penhor da promessa que foi dada, a nossa herança e o resgate da sua propriedade. Jesus Cristo nos comprou para Si mesmo e deu-nos o Espírito Santo como uma garantia de que a redenção, que tão maravilhosamente teve início, será completada para o louvor da sua glória.

Mas este selo está no corpo morto por causa do pecado ou no espírito vivificado pela justiça?

Primeiramente devemos ter em mente que o reino de Deus está dentro de nós (Lucas 17:21), e também que o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). Mas, saiba também que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem este corpo perecível pode herdar o reino imperecível (1 Coríntios 15:50).

O Espírito Santo testifica com o nosso espírito (Romanos 8:16), porque todo aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele (1 Coríntios 6:17). Logo, a relação se dá no espirito, e não no corpo, porque as coisas espirituais se discernem no espírito.

7- O QUE É UMA IGREJA? UMA CONGREGAÇÃO DE PESSOAS OU UM LUGAR?

A igreja é sempre um conjunto de pessoas congregadas ligadas pelo Espírito Santo numa consciência cristica.

Corpo de Cristo é formado pelo próprio Cristo como cabeça, membros, juntas e ligaduras. Sendo a Igreja, a noiva de Cristo, um ajuntamento de igrejas locais formadas por crentes evangelizados e discipulados por pastores, evangelistas e mestres, e servidos por diáconos. Ou seja, guiadas por ministros por meio dos quais os crentes vieram a crer (1 Coríntios 3:5).

O Corpo é místico porque sua função primordial é atar os membros uns aos outros e uni-los à Cristo. A missão da Igreja é terrena e voltada ao homem, isto é, pregar o Evangelho e fazer discípulos através do ensino da doutrina cristã, e da guarda dos mandamentos, numa organização eclesiástica.

Assim, a Igreja sempre é a assembleia, e jamais será um crente isolado, e nem mesmo dois ou três, como dizem por aí.

Se, pois, TODA A IGREJA SE CONGREGAR NUM LUGAR, e todos falarem em línguas, e ENTRAREM indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?
Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel ENTRAR, de todos é convencido, de todos é julgado.
E, portanto, os segredos do seu coração ficam manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, ADORARÁ A DEUS, publicando que DEUS ESTÁ VERDADEIRAMENTE ENTRE VÓS.
Que fareis pois, irmãos? QUANDO VOS AJUNTAIS, cada um de vós TEM SALMO, TEM DOUTRINA, TEM REVELAÇÃO, TEM LÍNGUA, TEM INTERPRETAÇÃO. Faça-se tudo para edificação.
E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja CALADO NA IGREJA, e fale consigo mesmo, e com Deus.
E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.
Mas, se a outro, que ESTIVER ASSENTADO, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.
Porque todos podereis PROFETIZAR, uns depois dos outros; para que TODOS APRENDAM, e todos sejam consolados.
E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em TODAS AS IGREJAS DOS SANTOS.
As vossas MULHERES ESTEJAM CALADAS NAS IGREJAS; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ORDENA A LEI.
E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as MULHERES FALEM NA IGREJA.
Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?
Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo SÃO MANDAMENTOS DO SENHOR. (1 Coríntios 14:20-37)

Este longo texto é um MANDAMENTO DO SENHOR. Isto significa que tem que ser obedecido por TODAS AS IGREJAS DOS SANTOS, conforme diz a Palavra do Senhor. Observe que Paulo usa IGREJAS (no plural), mostrando um conceito em que há mais de uma Igreja, distinta do conceito de Corpo. Paulo está falando do conceito de Igreja local, onde devemos sim congregar num lugar.

Mas Paulo também introduz outro conceito de igreja quando diz:

As vossas MULHERES ESTEJAM CALADAS NAS IGREJAS.

Observe que Paulo utiliza outro conceito de igreja tratando o próprio lugar como sendo igreja, e afirma que as mulheres devem ficar caladas nas igrejas (novamente no plural), colocando que as mulheres não falem nestes locais de congregação dos crentes.

Paulo também ordena que as mulheres interroguem em casa a seus próprios maridos, dando a entender que estes lugares são distintos das casas, criando uma contraposição ente os lugares: igrejas e casas.

Não se pode ler que as mulheres estejam caladas nas pessoas. É óbvio que Paulo define igrejas (plural) como locais de congregações de pessoas.

O lugar aonde a Igreja se reúne é chamado de "igreja" por metonímia. É também chamado de "templo" por similitude. Este lugar pode ser necessário e o é para a comunhão entre os irmãos, mas não é um lugar privilegiado para experiências com Deus. A vida cristã, o cotidiano do crente, é este espaço privilegiado, mormente o "quarto de oração" (Mateus 6:6).

Paulo fala que TODA A IGREJA DEVE SE CONGREGAR NUM LUGAR. E Paulo deixa muito claro que este lugar é um templo. Vejamos:

● É um lugar onde se ora em línguas.
● É um lugar onde os indoutos e os infiéis podem ENTRAR.
● É um lugar onde todos podem profetizar.
● É um lugar onde há conversão de ímpios.
● É um lugar onde se ADORA A DEUS.
● É um Lugar onde DEUS ESTÁ VERDADEIRAMENTE ENTRE OS CRENTES.
● É um lugar de comunhão onde os crentes se AJUNTAM.
● É um lugar onde há SALMOS, DOUTRINA, REVELAÇÃO, E DONS.
● É um lugar onde tudo é feito para EDIFICAÇÃO dos santos.
● É um lugar onde se cumpre os mandamentos que ORDENA A LEI DE CRISTO.
● É um lugar onde se pode estar ASSENTADO.
● É um lugar onde todos podem APRENDER.
● É um lugar onde todos podem ser consolados.

Podemos ver que onde a Igreja se reúne Deus está verdadeiramente presente no meio do seu povo.

A Igreja não é formada por pessoas separadas, mas sim por pessoas congregadas. A Igreja é sempre congregações de pessoas. Por isso Paulo diz que toda a igreja deve se CONGREGAR num LUGAR onde os incrédulos possam ENTRAR para assistir ao culto (1 Coríntios 14:23,24), se converter e adorar a Deus.

8-  DOIS OU TRÊS REUNIDOS FORMAM UMA IGREJA?

É evidente que cada cristão, como sacerdote, tem livre acesso a Deus para invocar seu nome individualmente de dentro do seu quarto ou em qualquer outro lugar. Lembre-se que um templo é todo local onde Deus é invocado. Logo, o quarto de oração é um templo.

Porém, isso não torna o dono do quarto uma igreja. E nem mesmo dois ou três reunidos formam uma Igreja. É obvio que não estou negando que possa haver igrejas que tenham somente dois ou três membros. Estou afirmando que não há um texto bíblico que afirme que dois ou três são suficientes para constituir uma Igreja. Vejamos:

Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de DUAS OU TRÊS testemunhas toda a palavra seja confirmada.
E, se não as escutar (as duas ou três), DIZE-O À IGREJA; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.
Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. (Mateus 18:16-18)

Dizem que Deus está onde dois ou três estiverem reunidos em Seu Nome formando uma igreja. Mas, e se esses dois ou três estiverem reunidos num templo feito por mãos humanas, Deus estaria ausente?

É obvio que estarão reunidos em algum lugar feito por mãos humanas, e Deus não se prende a lugares. Isso é coisa dos ignorantes da internet.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” (Mateus 18:20).

A confusão na interpretação desse versículo está em tirá-lo do contexto. Lendo o contexto vemos claramente o seu significado, e observaremos que se trata de um processo de disciplina na igreja. O contexto aponta para uma busca de reconciliação de dois irmãos, onde um pecou contra o outro.

Jesus ensina que o crente ofendido deve repreender o crente ofensor. A primeira coisa a fazer é ir procurar o ofensor em particular. Se o ofensor mostrar-se arrependido, a comunhão com o ofendido será restaurada.

Se o ofensor não se arrepender, numa segunda repreensão o crente ofendido deve levar consigo UM (que com ele soma DOIS) ou DOIS (com ele soma TRÊS), para que por DUAS ou TRÊS testemunhas todo conflito seja confirmado como previsto em Deuteronômio 19:15.

Se o ofensor ainda assim não se mostrar arrependido, o caso deve ser levado à igreja para exame do assunto.

Observe que se os dois ou três reunidos fossem Igreja, Jesus não precisaria dizer para eles levarem o caso ao conhecimento da Igreja.

E o próprio fato de Jesus incluir o crente ofendido como testemunha já nos diz muito. Veja que Jesus ordena que o ofendido chame uma ou duas pessoas para serem testemunhas do ofendido. Mas quando manda o ofendido levar o caso à Igreja, o ofendido se junta àquela uma ou duas pessoas para diante da Igreja se tornar duas ou três já incluindo o ofendido como testemunha. Assim, fica provado que nem um ou dois, e nem dois ou três são Igreja.

A decisão da igreja local em ASSUNTOS DE DISCIPLINA será ratificada no céu. Tudo o que ligardes na terra neste contexto refere-se apenas ao perdão do pecador. Já tudo o que desligardes refere-se à exclusão do pecador impenitente.

A promessa de que a oração será atendida se ao menos DOIS de vós concordardes, fornece uma prova de que as decisões de perdoar o ofensor arrependido ou de levar o caso ao conhecimento da igreja local, NAS QUESTÕES DE DISCIPLINA, serão divinamente aprovadas se houver a presença de duas ou três testemunhas que atestem a veracidade da ofensa.

Assim, quando duas ou mais pessoas se reúnem no nome de Jesus, em obediência à Sua palavra, têm a autoridade vinda de Deus para a solução de questões disciplinares. O foco desse texto é a solução de um “litígio” entre irmãos na igreja local. Isso mostra que Deus está no meio do Seu povo, conferindo-lhe a autoridade de Seu nome, quando estes se reúnem para decidir questões disciplinares. Assim, a presença de Deus confere autoridade na condução da disciplina ao ofensor que precisa arrepender-se de seu pecado. Esse é o significado correto desse texto à luz do seu contexto. A presença de Jesus confere valor à atividade disciplinar da igreja no tratamento de litígios entre irmãos.

Um crente não é Igreja, mas sim um membro do corpo. A Igreja é sempre uma assembleia de crentes congregados num lugar.

Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos (1 Coríntios 12:14).

9-  DEUS AINDA TEM TEMPLOS DE PEDRA?

O apóstolo Paulo nos advertiu para que não sejamos enganados por ninguém quanto à volta de Cristo.

Paulo ensinou que a volta de Cristo será precedida de grande apostasia, e também da manifestação do anticristo, o homem do pecado, o filho da perdição (2 Tessalonicenses 2:3).

“O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, NO TEMPLO DE DEUS, querendo parecer Deus.” (2 Tessalonicenses 2:4).

Paulo esclarece que o anticristo se oporá e se levantará contra tudo o que fizer referência a Deus e ao seu culto. E até pretenderá mesmo tomar o lugar de Deus assentando-se no PRÓPRIO TEMPLO DE DEUS, fazendo-se passar por Deus mesmo. Porém, alguns, sem conhecimento, afirmam que não existe templo de Deus, e por isso jamais saberão explicar em qual templo de Deus o anticristo se assentará.

Se o templo construído por mãos humanas não é nada para Deus, como dizem os teólogos da Internet. Então, onde se sentará o anticristo?

E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. (Apocalipse 11:1).
Para responder a pergunta sobre em qual templo de Deus o anticristo se assentará, recorremos ao capítulo onze de Apocalipse, que é tremendamente revelador, pois a cena narrada nele certamente acontece em Jerusalém, a qual é especificamente chamada de lugar onde o Senhor foi crucificado.

Este capítulo trata de acontecimentos que ainda não aconteceram, mas acontecerão literalmente na "cidade santa" no final dos tempos.

João recebe a ordem para medir com uma cana o templo de Deus, o seu altar, e os que lá adoram, o que certamente implica de que haverá um templo de Deus em Jerusalém nessa ocasião.

10- NA HABITAÇÃO DE DEUS NÃO HÁ TEMPLO?

Não. Na Nova Jerusalém onde Deus habitará para sempre com o seu povo não haverá templo.

Jesus afirmou:

Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens (Marcos 14:58).

Jesus fala profeticamente que o seu corpo imaculado é um templo. Mas o Deus esvaziado diz que em três dias construiria OUTRO TEMPLO. De que templo Jesus estava falando?

Jesus não estava falando de um templo que fosse ocupado por adoradores, mas falava do seu corpo glorificado, o verdadeiro e definitivo templo.

E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. (Apocalipse 21:22).

João afirmou que a cidade santa, a Nova Jerusalém, não tem templo, e que é tão brilhantemente iluminada pela glória de Deus que não tem necessidade da luz do sol ou da luz refletida pela lua.

Lá não haverá templo; pelo simples motivo de que não é necessário. Aquilo que agora precisa ser separado do mundo e santificado para Deus, não será mais necessário diante dAquele que é santíssimo. A presença de Deus já não precisa mais ser buscada; é conhecida; é sentida, é vivida.

11- SE DEUS NÃO HABITA EM TEMPLOS FEITOS PELAS MÃOS DOS HOMENS, ONDE AS IGREJAS DEVEM CONGREGAR?


Há um ensinamento bíblico que nos ordena a não deixarmos de nos congregar. Contudo, há um erro por parte dos rebeldes em julgar que o motivo de nos reunirmos é por causa de Deus. O templo ou qualquer outra construção onde os irmãos possam se reunir são locais construídos por mãos humanas.

ENTÃO NÃO É NECESSÁRIO IR AO TEMPLO?

"E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum." (Atos 2:44).

Ninguém crê que a Igreja é o local. Isto é uma figura de linguagem chamada metonímia. Ou você pensa que alguém acha que a Igreja (templo de pedra) é que irá morar com Cristo?

Não. Não fazemos o sinal na cruz em reverência a templos de pedras. A Igreja sempre foi a assembleia, o ajuntamento de pessoas.

Aprenda que Paulo disse para se reunir num lugar. Que lugar? Qualquer lugar. Até mesmo num local que é por similitude chamado de templo, e por metonímia chamado de Igreja. É isso que Paulo fala em 1 Coríntios 14:23.

Devemos congregar num lugar com frequência. Paulo ordenou a Igreja de Corinto a fazer uma coleta de dinheiro a cada primeiro dia da semana (1 Coríntios 16:2).

Note-se bem a primeira parte deste texto sagrado “no primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar”. Como pode ver de acordo com os preceitos do novo testamento, as reuniões eram um conceito metódico. Pois, o método implica em regularidade. Ou seja, havia a regularidade de frequência semanal.

Na verdade, temos várias razões para irmos ao templo. Mas, nenhuma delas por causa de Deus. Vejamos algumas:

1- Devemos ir ao templo para comungar com os nossos irmãos;
2- Devemos ir ao templo para ajudar os irmãos mais necessitados;
3- Devemos ir ao templo para interceder por nossos irmãos;
4- Devemos ir ao templo compartilhar dons espirituais;
5- Devemos ir ao templo dar testemunhos;
6- Devemos ir ao templo ouvir a palavra de Deus;
7- Devemos ir ao templo estudar a palavra de Deus;
8- Devemos ir ao templo participar da ceia;
9- Devemos ir ao templo fortalecer os irmãos fracos na fé.

"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42).

Resumindo, vamos ao templo apenas para ter comunhão com nossos irmãos em Cristo, onde invocamos o nome de Deus em favor deles, vivendo uns aos outros.

12- ONDE OS APÓSTOLOS E A IGREJA PRIMITIVA SE REUNIAM?

A- NAS CASAS

O escritor Bob Fitts defende o desenvolvimento de igrejas em casas.

"E, considerando ele nisto, foi à CASA de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam REUNIDOS e oravam." (Atos 12:12).

“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus... saudai igualmente a IGREJA QUE SE REÚNE NA CASA DELES” (Romanos 16.3-5).

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à IGREJA QUE ELA HOSPEDA EM SUA CASA” (Colossenses 4,15).

“Ao amado Filemom e À IGREJA QUE ESTÁ EM TUA CASA” (Filemom 1,2).

Com base nos versículos acima, é óbvio que a Igreja Primitiva reunia-se em casas. Essas casas não eram o que poderíamos chamar de um prédio característico e específico de uma igreja. Eram casas em que as pessoas moravam, e eram abertas como um local de reunião para a igreja. Contudo, Bob Fitts defende as igrejas em casas alegando que o Altíssimo não habita em templo feito por mãos humanas, esquecendo-se que as casas também são construções de mãos humanas. Neste caso, também não poderíamos nos reunir em casas, e os apóstolos e a igreja primitiva teriam errado ao se reunirem nas casas.

B-  NO TEMPLO

A igreja primitiva e os apóstolos SE REUNIAM no templo.

"E todos os dias, NO TEMPLO e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo." (Atos 5:42).

“E Pedro e João subiam juntos ao TEMPLO à hora da oração, a nona.” (Atos 3:1) – (2 ou 3 reunidos).

“E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no TEMPLO, fui arrebatado para fora de mim.” (Atos 22:17).

Com base nos versículos acima, é óbvio que a Igreja Primitiva também se reunia no templo. O texto bíblico também mostra que é possível louvar a Deus mesmo estando dentro de um templo feitos por mãos humanas:

“E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles NO TEMPLO, andando, e saltando, e louvando a Deus.” (Atos 3:8).

Mas, o texto bíblico também nos mostra que era possível PECAR CONTRA UM TEMPLO consagrado a Deus:

“Mas ele, em sua defesa, disse: Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.” (Atos 25:8).

O que importa é ensinar e anunciar a Jesus e a sua palavra, insistindo a tempo e fora de tempo, para repreender, corrigir, e exortar com toda a paciência e doutrina (2 Timóteo 4:2). E, mesmo que alguns preguem a Cristo por inveja e rivalidade, por ambição egoísta e sem sinceridade, pouco importa. O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro (Filipenses 1:15,17,18).

É evidente que o fato de Deus não habitar em templo feito por mãos humanas não transforma em profanos os templos de tijolos construídos pelos homens.

C-  NO ALPENDRE DE SALOMÃO

A igreja primitiva também se reunia no alpendre de Salomão, que era um pórtico apoiado em grandes colunas e construído no pátio do Templo.

“Os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas entre o povo. Todos os que creram costumavam reunir-se no Pórtico de Salomão.” (Atos 5:12).

Mais uma vez fica evidente que a igreja se reunia até mesmo na varanda do templo, pois o que importava era a comunhão entre os irmãos.

D-  NO CENÁCULO

A palavra cenáculo não aparece originalmente na Bíblia. Na verdade, essa palavra vem do latim cenaculum, e é utilizada nos textos bíblicos para traduzir algumas palavras hebraicas e gregas. Basicamente, a palavra cenáculo significa algo como “sala de refeições”, ou, de modo mais genérico, “quarto no andar superior de uma casa”. Essa palavra é derivada do termo latino cena, que significa “jantar” ou “ceia”.

Já no livro de Atos dos Apóstolos, cenáculo traduz a palavra grega huperoon e indica o lugar onde os discípulos SE REUNIRAM após a ascensão de Cristo ao céu:

“E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.” (Atos 1:13)

Foi no cenáculo onde ocorreu a escolha de Matias para ocupar o lugar de Judas Iscariotes (Atos 1:26) e onde o Espírito Santo foi derramado sobre eles no dia de Pentecostes (Atos 2).

Foi no cenáculo onde Dorcas foi ressuscitada (Atos 9:39), e também foi no cenáculo que Paulo pregava quando um Jovem, por nome de Êutico, caiu de uma janela (Atos 20:8,9).

Mais uma vez fica evidente que a igreja primitiva primeiramente se reunia no cenáculo.

Concluímos que tanto o cenáculo, quanto o templo, o alpendre de Salomão e as casas são criações de mãos humanas, e nem por isso a Igreja deixou de se reunir nestes locais.

13- JESUS CUROU NO TEMPLO?

Muitos incircuncisos de coração, na dureza de seus corações, afirmam que Jesus jamais operou curas ou milagres no templo. Jesus ia ao templo e às sinagogas, onde Jesus operou maravilhas:

Jesus ENTROU NO TEMPLO e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: "Está escrito: ‘A MINHA CASA será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’". Os cegos e os mancos aproximaram-se dele NO TEMPLO, e ELE OS CUROU. (Mateus 21:12-14).

Esta fala de Jesus é externamente reveladora porque Ele cita Isaías 56:7 onde Deus diz: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.”.

Com isso Jesus reconhece o templo como sendo a sua casa. Mas, Jesus também ensina que templo não é um local onde Deus habita, mas sim o local onde Deus é invocado por meio da oração. E Jesus operou curas no templo.

“E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:1-5).

Portanto, Jesus curou o homem da mão mirrada numa sinagoga, que eram locais de adoração, oração e aprendizado da palavra de Deus.

As sinagogas eram uma espécie de casa que recebia as pessoas para cultuar a Deus. Provavelmente após o cativeiro elas se multiplicaram ainda mais, por causa de seu modelo simples e funcional, e evoluíram em estrutura, tornando-se muito populares.

Embora Deus nunca tenha ordenado suas construções, as sinagogas são citadas em vários trechos da Bíblia, sendo frequentadas por Cristo e seus apóstolos:

“Indo (Jesus) para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o SEU COSTUME, e levantou-se para ler.” (Lucas 4:16).

“Depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação para o povo, dizei-a.” (Atos 13:15).

“E, navegando de Pafos, Paulo e seus companheiros dirigiram-se a Perge da Panfília. João, porém, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. Mas eles, atravessando de Perge para a Antioquia da Pisídia, indo num sábado à sinagoga, assentaram-se.” (Atos 13:13,14).

Note que as sinagogas, no tempo citado nos versículos, eram parte do culto normal do povo. E, no início do cristianismo, as sinagogas serviram como locais de propagação da Palavra de Jesus.

14- UM TEMPLO PODE SER CHAMADO DE CASA DE DEUS?

Deus afirmou:

Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na MINHA CASA DE ORAÇÃO; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a MINHA CASA SERÁ CHAMADA CASA DE ORAÇÃO para todos os povos. (Isaías 56:7).

Jesus afirmou:

Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. (Mateus 21:13).

Não há dúvida de que Deus nunca habitou em templos feitos por mãos humanas. O próprio Salomão admitiu isso quando consagrou o templo a Deus.

Também não há dúvida de que Deus afirmou que o templo construído por Salomão era sua casa.

Mais tarde Jesus afirmou que o templo construído por Herodes também era a casa de Deus.

Por que Deus chamou de casa dois templos em que Ele jamais habitou?

Quando Davi quis edificar uma casa ao nome do Senhor, Deus não lhe permitiu, dizendo:

Contudo tu não edificarás a casa, mas teu filho, que há de proceder de teus lombos, esse edificará a casa AO MEU NOME (2 Crônicas 6:9).

Assim, Deus chamou o templo de MINHA CASA porque foi edificada AO NOME DO SENHOR. Ou seja, foi consagrada e santificada ao Senhor.

Assim, todo local em que a Igreja se reúne para invocar o NOME do Senhor pode ser chamado de CASA DO SENHOR.

Não é casa do Senhor porque Ele habita ali. Mas é casa do Senhor porque foi edificada ao nome do Senhor.

15- JESUS NOS PROIBIU DE CULTUAR EM TEMPLOS?

Dizem que Jesus proibiu o seu povo de cultuar a Deus em templos feitos por homens. Isso é verdade? Vejamos:

Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:19-23).

Não, Jesus jamais falou sobre templo neste texto. Na verdade Jesus afirmou que havia chegado o tempo em que Deus exigiria uma adoração que transcendesse qualquer tipo de lugar, pois ocorreria no templo espiritual.

A mulher samaritana reconhece que Jesus é um profeta, portador da verdade, e o questiona sobre o local correto para adorar a Deus, se no monte como faziam os samaritanos, ou se em Jerusalém como faziam os judeus.

A resposta de Jesus vai além do que lhe foi perguntado.

Jesus afirma que os samaritanos estão errados, não apenas quanto ao lugar (monte), mas também em toda base e natureza de sua adoração, pois em todos esses aspectos a verdade está com os judeus.

Jesus afirma que Deus é Espírito, e, como tal, Ele convida e exige uma adoração espiritual.
A adoração dos samaritanos no monte era defeituosa porque eles não receberam os escritos proféticos. Já a adoração dos judeus em Jerusalém era carnal, lidando apenas com letras, tipos e cerimônias.

A mensagem de Cristo revelou o significado de todas essas ordenanças carnais e dos sacrifícios legais, que tiveram toda a sua consumação em sua oferta de si mesmo. Assim, uma dispensação espiritual tomou o lugar do carnal que a prefigurava. A pregação do Evangelho revelou a verdadeira natureza de Deus.

Jesus mostrou o que realmente importa na adoração. Nosso Senhor traz diante da mulher samaritana o grande OBJETO de toda adoração aceitável – “O PAI”.

O PAI AINDA CONTINUA BUSCANDO OS VERDADEIROS ADORADORES?

No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. (João 4:23).

A tradução mais correta seria, mas vem uma hora. Jesus acrescenta "e agora é". O culto local ainda não estava cedendo para espiritual; mas um grupo de verdadeiros adoradores estava sendo reunido, e alguns já estavam seguindo-o.

Assim, quando Jesus diz que Deus estava buscando os verdadeiros adoradores, Ele referia-se aos discípulos que o Pai Lhe dava, que na hora chegada deixariam o local de adorar, para adorar em todo local em espírito. Hoje essa busca acontece pela chamada, por meio da pregação.

Todos os que se tornaram um só espírito com Cristo são verdadeiros adoradores.

O QUE SIGNIFICA ADORAR EM ESPÍRITO?

O vínculo entre a natureza humana e o divino está no espírito humano, que é o santuário do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Toda a verdadeira aproximação a Deus deve, portanto, ser em espírito. (Romanos 1: 9 - Efésios 6:18).

O culto espiritual é aquele onde o espírito é vinculado a Deus, e onde não dependemos de formas externas para aceitação.

Não por do meio de sombras e tipos, nem por meio de sacrifícios e ofertas sangrentas, mas da maneira representada ou tipificada por todos esses (Hebreus 9:9,24). No verdadeiro caminho do acesso direto a Deus através de Jesus Cristo.

Jesus não proibiu a adoração no monte e nem em Jerusalém. Jesus não mudou o local da adoração, Muito, além disso, Ele mudou a forma como a adoração é aceitável ao Pai, em espírito e em verdade.

Os verdadeiros adoradores devem adorar o Pai - Não aqui ou apenas lá, mas em todos os momentos e em todos os lugares.

O que é mais importante saber é que agora, em todas as línguas, países e lugares os homens devem adorar a Deus em espírito, oferecendo o sacrifício, não de animais, mas de si mesmos; amar e obedecê-lo em todas as coisas, que é a verdade da adoração.

16- AS OBRAS DAS DENOMINAÇÕES

Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. (Hebreus 6:10).

Por quase 500 anos as denominações cristãs têm pregado o evangelho mundo afora apresentando Jesus Cristo às Américas, à Ásia, à Oceania e à África.

As denominações cristãs também têm realizado obras sociais e missionárias grandiosas. E, Deus não é injusto para agora rejeitar as denominações somente porque alguns mercenários, que não são pastores, fazem comercialização da fé. Na verdade esses mercenários têm um comércio. Suas igrejas, na verdade, são covis de salteadores, como disse Jesus.

O cristianismo é responsável por grandes instituições de acolhimento e de restituição de dignidade humana. Creches, escolas, asilos, hospitais, universidades e orfanatos estão entre as diversas instituições fundadas por cristãos mundo afora.
Diante de tragédias e calamidades as Igrejas cristãs abrem suas portas para acolher os desabrigados.

Hoje quando vejo alguns lobos atacando e criticando as denominações, eu sei que essas pessoas são injustas, porque se as denominações não tivessem enviado seus missionários para pregar o Evangelho no Brasil, esses lobos estariam até hoje adorando imagens.
Jesus explicou que os lobos são aqueles que afugentam os mercenários apenas para arrebatar e dispersar as ovelhas.

Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. (João 10:12)

Se você luta por uma volta das denominações às escrituras, e batalha a favor do Reino, visando uma igreja mais saudável. Estamos juntos. Agora, se você demoniza todas as denominações e todos os pastores, e luta contra tudo que te faça lembrar um templo evangélico, eu não estou com você; porque de certa forma, quem luta contra a Noiva de Cristo é um Anticristo.

Muita gente me procura dizendo que em sua cidade não tem uma igreja legal, de gente boa de Deus, que seja sadia na pregação do Evangelho e comprometida com os dramas deste tempo. Ora, eu pergunto, “E por que você não começa algo?”. As respostas, confesso, são constrangedoras: “Não tenho talento”, “Não tenho um espaço”, “Não sei pregar”, “Estou só”, “Não tenho recursos”... 

É curioso, contudo, ver como alguém que reclama da velha estrutura e do engessamento da instituição, sucumbe ao conformismo paralisante, uma vez que ele próprio continua cheio de condicionamentos e amputações. Sim, digo isso, pois se alguém quer mesmo começar algo do Evangelho, não precisará de templo, púlpito, órgão, dízimos, de teologia, nem nada que não seja um desejo sincero de amar e servir pessoas e uma paixão pelo anúncio das Verdades do Reino e da Salvação. Para tal, ninguém precisa ir ao seminário e virar pastor. 

Então, se você quer ver alguma coisa séria em sua cidade, no seu bairro, comece você mesmo! Se precisar de comissionamento formal para fazer isso, dou-te agora: “Em nome de Jesus, levanta-te, larga tuas algemas e medos, deixa teus confortos e mazelas das redes sociais, abre-te a Luz e a Verdade e prega a Palavra da Vida!”. Pronto! Você já está ordenado. Pode ir e fazer o que tem que ser feito. O resto é conversa mole de quem é perito em desculpas e doutorando em dificuldades.

17- SÓ EXISTE UMA IGREJA SEM PLACA DENOMINACIONAL E SEM CNPJ.

Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em TODAS AS IGREJAS dos santos. (1 Coríntios 14:33).

Um grupo de pessoas pode se associar para cultuar a Deus nas casas. Mas, qualquer reunião de cristãos tem que ter por objetivo a salvação do perdido através da pregação do Evangelho. Assim, Deus dará o crescimento, e a partir daí este grupo precisará de um lugar maior para se reunir. Precisará também OBRIGATORIAMENTE de CNPJ, razão social (placa denominacional) e alvará dos bombeiros e da Prefeitura e de todos os documentos contábeis que a Lei exige. Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus.

O Código Civil, em seu inciso IV artigo 44, estabelece que as organizações religiosas sejam pessoas jurídicas de direito privado, necessitando assim, obrigatoriamente seu registro no Cartório de Pessoa Jurídica. Ou seja, obrigatoriamente tem que ter CNPJ e razão social (placa denominacional).

Mas os indoutos não possuem o mínimo entendimento do que é igreja. Pois, se espiritualmente pudessem discernir o que é a Igreja do Senhor, saberiam que todo o corpo de Cristo, para efetuar o crescimento dado por Deus, precisa obrigatoriamente ser provido e organizado pelas juntas e ligaduras (Colossenses 2:19). Mas, os indoutos não aceitam a organização do corpo de Cristo e também negam as juntas e ligaduras que organizam e alimentam o corpo. Portanto, mostrarei que igreja é um ajuntamento regular, localizável e organizado.

Uma simples leitura de Romanos 13 na linguagem de hoje nos mostra que devemos obedecer às leis de nosso país:

Submetam-se aos poderes instituídos. Porque a autoridade que possuem é-lhes concedida por Deus. Por isso os que recusam obedecer às leis do país revoltam-se contra uma ordem que Deus estabeleceu, e trarão sobre si o seu juízo. Porque os magistrados não metem medo a quem faça o bem, mas sim a quem pratica o mal. Portanto, se quiseres nada ter a temer das autoridades, respeita as leis e tudo te correrá bem. A autoridade é um representante dessa ordem instituída por Deus, que existe para teu bem. Mas se fizeres algo de condenável, então com razão terás que recear, pois terá de punir-te. Deus a instituiu para esse exato fim, de castigar quem pratica o mal. Portanto deves obedecer às autoridades por duas razões: para evitares seres castigados e para teres uma consciência limpa. (Romanos 13:1-5).

18- O QUE É A IGREJA?

Deus não habita nem em prédios de tijolo nem em corações de pedra. Então, cabe perguntar, o que é uma igreja? Bem, igreja, conforme a doutrina cristã é um ajuntamento regular, localizável e organizado. O próprio nome grego Eclésia (Assembleia) já demanda, por si só, estas características.

Assim, não é possível estabelecer um conceito sobre igreja a partir de um modelo anárquico, ou seja, algo que acontece a revelia de todos os padrões mínimos que caracterizam a formação e o estabelecimento de grupos sociais com objetivos comuns.

É impossível pensar em igreja sem regularidade, pois, se não há um propósito para o ajuntamento, o que existe é a informalidade do encontro e tal característica, dificilmente, viabiliza a perenidade de um grupo humano. O que faz com que laços se constituam e se mantenham é a regularidade do convívio, pois, como é possível a comunidade de fé ser um Corpo se cada membro tem sua própria agenda e, sendo assim, não prioriza o encontro que atende a objetivos comuns?

Também não é possível ser igreja sem que haja um lugar para o culto, o partir do pão, a adoração, a coleta para os necessitados, o serviço solidário, o exercício dos dons, as missões, o ensino e tantas outras características que vemos no livro dos Atos e nas epístolas.

A igreja é Universal, no sentido de sua constituição atemporal, não espacial e mística, como Corpo de Cristo e Família de Deus, mas ela também é local, no sentido de seu ajuntamento geográfico formal! Todas as comunidades neotestamentárias possuíam um lugar próprio de encontro e culto, mesmo que ele fosse uma casa, um salão, ou até mesmo o cemitério! As cartas do Apocalipse, enviadas pelo próprio Senhor, bem como as cartas de Paulo, foram endereçadas a igrejas localizáveis e não apenas aos errantes espalhados pelo mundo anunciando a Salvação.

A existência de um lugar promove não só o acolhimento, mas até mesmo o desenvolvimento das pessoas, com estruturas adequadas para as ministrações, para a comunhão e o serviço. Desconstruir isso é investir na impessoalização da fé, num mundo onde tudo já está impregnado pelo virtual e pelo individual.

Por último, a igreja é organizada, uma vez que existem pessoas exercendo funções específicas e serviços sendo ministrados: assistência aos pobres, ensino das Escrituras, preparação e envio de missionários, atendimentos pastorais, atividades ligadas à oração, a adoração, dentre outros tantos. Sem uma organização, mínima que seja, não é possível uma estrutura funcionar. Não há pecado em formalizar as coisas, o pecado está no culto que se faz à forma!

Portanto, você pode ser de Deus e ser discípulo de Jesus mesmo escolhendo não se ajuntar, mas é impossível imaginar que uma igreja se estabeleça como algo casual, que acontece a qualquer hora, em qualquer lugar, ou informal, que promove encontros descompromissados. Não devemos confundir a vida dos que estão na igreja com a igreja em si.

Na reunião da assembleia Jesus se faz presente, se ele for buscado e, como sabemos Deus não se prende a templos e aboliu toda a geografia que diz respeito ao sagrado, por isso nos reunimos para ter comunhão com os irmãos. Contudo, o encontro ocasional e fortuito, de maneira nenhuma, se constitui igreja e isso conforme o que nos está dito no livro dos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas e no Apocalipse de João.

Mas se alguém quiser fazer polêmica a esse respeito, nós não temos esse costume, nem as igrejas de Deus. (1 Coríntios 11:16).

CONCLUSÃO

A IGREJA É IMPORTANTE.

Os judeus erroneamente julgavam que Cristo veio para liberta-los da escravidão do império romano. No entanto, Cristo não só pagava impostos, mas também era amigo dos publicanos (cobradores de impostos). Cristo também pregava: "Dai a Cesar o que é de César".

Ainda hoje muitos, erroneamente, julgam que Cristo veio para liberta-los da escravidão de um suposto sistema religioso. No entanto, Cristo ratificou a oferta da viúva, defendeu o dízimo e a observância da Lei, foi ao templo e às sinagogas com frequência.

O apóstolo Paulo tinha sido um perseguidor da Igreja de Cristo, supondo que assim glorificava a Deus.

Será que a sua luta para a "glória" de Deus, não passa de um ativismo cego, que em nada exalta a Cristo?

Cristo exortou asperamente a hipocrisia de alguns fariseus, e não o farisaísmo. E hipocrisia nada mais é do que a velha mentira do Éden. É pecado.

Nicodemos e Saulo eram fariseus. José de Arimateia era membro do Sinédrio. E todos amavam a Jesus, e eram amados por Ele.

Jesus veio para estabelecer o seu Reino (que não é deste mundo), não para livrar de governos humanos ou sistemas religiosos, mas sim para livrar todo aquele que nEle crer da ira de Deus que há de vir sobre a terra.

E anunciamos ao mundo que esta salvação é obtida gratuitamente pela fé em Jesus Cristo.
Há pessoas que aprendem sempre, e nunca PODEM chegar ao conhecimento da verdade. (2 Timóteo 3:7).

Muitos, apesar de SEMPRE aprenderem, NUNCA PODEM alcançar a verdade.

Observe que não se trata de não querer ou não se esforçar, mas sim de não poder. Por isso, muitos combatem o templo feito por mãos humanas, combatem o dízimo, defendem que podem julgar o seu próximo, etc. Ou seja, vivem coando mosquitos. Pois, chegar ao conhecimento da verdade não depende de quem quer, nem de quem se esforça, mas de Deus, que se compadece. (Romanos 9:16).

O que é o Evangelho? É uma boa notícia que deve ser divulgada aos homens. E qual é a boa notícia? Deus, por amor, se tornou propício aos homens e agora os homens podem se reconciliar com Deus refazendo a amizade que foi quebrada no Éden pelo pecado.

A mensagem do Evangelho não é dizer aos homens que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Também não é dizer que Jesus ama os homens e nem convidá-los para a Igreja. A boa notícia é que Deus lançou sobre Cristo os pecados dos homens, e Cristo os levou sobre Si. Os pecados faziam a separação entre Deus e os homens. E esta separação era representada pelo véu do templo, que foi rasgado no momento em Deus imputou a Cristo os pecados dos homens.

Tudo isso é obra de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, através daquilo que Cristo fez por nós e nos confiou a missão de anunciar essa mesma reconciliação.
Porque Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo, não mais considerando os pecados dos homens como razão de acusação contra eles. Eis, pois a mensagem que pregamos.
Somos então como embaixadores de Cristo. E é como se Deus por nosso meio lançasse um apelo aos homens. Nós vos suplicamos então, da parte de Cristo, que se reconciliem com Deus!
Deus carregou todo o nosso pecado sobre Cristo, que estava isento de qualquer pecado, para que nele fôssemos revestidos da justiça de Deus. (2 Coríntios 5:18-21).

Muitos não querem se envolver com uma Igreja local e, além disso, incentivam muitos outros a não frequentar — parece-me que esse é o principal “método evangelístico” de muitos dos murmuradores.

A primeira orientação que faço a respeito dos tais é:

1- Não deem ouvidos aos que militam contra tudo que diz respeito ao trabalho iniciado pelos Apóstolos do Senhor Jesus.

2- Sejam cautelosos ao tentar dialogar com eles, pois são persuasivos e sempre estão preparados com palavras prontas, se utilizam dos erros cometidos pelos falsos mestres e das “Igrejas” que militam na teologia da prosperidade para atacarem todas as denominações e pastores, como se todos fossem iguais. A generalização é a máxima deles. Sejam muito cautelosos quanto a aplicar censura precipitada ou absoluta a qualquer deles, pois não é coisa fácil discernir entre alguém que se professa cristão. Alguns podem pensar que isso é uma tarefa fácil, mas não é.

3- Nosso dever como cristão é procurar um meio bíblico de lidarmos com essas pessoas. Para isso é necessário que sejamos assíduos aos cultos públicos e a devoção particular, como na frequência às reuniões da Igreja local, firmes na leitura da Palavra de Deus.

4- Devemos gastar tempo com os indiferentes com o fim de despertá-los, e com os negligentes com o fim de admoestá-los. Se encontrarmos alguém doente na fé, devemos aproveitar essa oportunidade para usar nossos recursos na cura deles, abrandando os corações e abrir-lhes os ouvidos e o entendimento.

Muitos afirmam que não é a Igreja do Senhor o templo, mas onde estiverem dois ou três reunidos no nome do Senhor — claro que sim, onde estiverem REUNIDOS EM NOME DO SENHOR, e isso normalmente se vê nas reuniões nos templos, com louvores, orações e pregação bíblica, não é qualquer lugar onde tem ajuntamento de pessoas que podemos chamar de Igreja, alguns se reúnem para falar coisas que não tem nada a ver com o sagrado — isso não é Igreja.

Segue um bom conselho de Augustus Nicodemus:

“Que Deus me guarde de encorajar pessoas que dizem crer em Jesus, e que não se congregam com outros cristãos, a pensarem que está tudo bem com elas. Para mim, existe apenas uma situação em que um crente verdadeiro pode ficar sem se congregar com outros crentes e se alimentando por sermões no YouTube, que é se ele morar numa cidade onde não há nenhuma igreja evangélica que pregue a Palavra com fidelidade. Ainda assim, essa pessoa deveria procurar contato com igrejas bíblicas de outras cidades próximas e propor o início de um trabalho evangélico na sua cidade, e se possível, até oferecer sua casa como ponto de pregação.”

Que Deus nos ajude!