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JESUS TEVE MEDO DE MORRER?

Camilla Ferraz

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.’’ 1 Timóteo 3.16

O texto do Apóstolo Paulo escrevendo ao seu filho na Fé Timóteo expressa uma das maiores verdades do cristianismo, bem como também um dos maiores paradoxos das Sagradas Escrituras: Deus se fez carne! Esse evento é tão sublime, que o próprio apóstolo se refere a ele como ‘’um mistério’’. Estamos diante de um texto que retrata o milagre da Encarnação: O Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade se fez Homem! (João 1.1).

1-   JESUS TEM DUAS NATUREZAS
As duas naturezas de Jesus, humana e divina, são inseparáveis. Jesus vai ser para sempre Deus-homem, 100% Deus e 100% homem, duas naturezas distintas em uma Pessoa. A humanidade de Jesus e a Sua divindade não se misturam, mas se unem sem perderem suas identidades separadas. Jesus às vezes vivia com as limitações de humanidade (João 4:6; 19:28) e outras vezes com o poder de Sua divindade (João 11:43; Mateus 14:18-21). Nos dois casos, as ações de Jesus foram de Sua única Pessoa. Jesus tinha duas naturezas, mas só uma personalidade.

União hipostática é o termo usado para descrever como Deus Filho, Jesus Cristo, tomou para Si a natureza humana, ao mesmo tempo permanecendo 100% Deus. Jesus sempre foi Deus (João 8:58; 10:30), mas na encarnação Jesus se fez carne – Ele tornou-se um ser humano (João 1:14). A adição da natureza humana à natureza divina resulta em Jesus, o Deus-homem. Essa é a união hipostática, Jesus Cristo, uma Pessoa, 100% Deus e 100% homem.

Jesus é Deus e homem. Jesus sempre foi Deus, mas Ele não se tornou um ser humano até ser concebido em Maria. Jesus se tornou um ser humano para poder se identificar conosco em nossas dificuldades (Hebreus 2:17) e, mais importante do que isso, para poder morrer na cruz para pagar pela penalidade de nossos pecados (Filipenses 2:5-11). Em resumo, a união hipostática ensina que Jesus é 100% humano e 100% divino, que não há nenhuma mistura ou enfraquecimento de nenhuma das naturezas, e que Ele é uma só pessoa, para sempre.

É importante dizer que, quando afirmamos que Jesus é verdadeiro Homem, não queremos dizer que Ele seja parcialmente Homem, mas que Ele é totalmente Homem. Tudo que pertence à essência da verdadeira humanidade é verdadeiro nEle. Ele é tão exatamente Homem como cada um de nós. O fato de que Jesus é verdadeira e totalmente Homem está claro pelo fato de que Ele tem um corpo humano (Lucas 24:39), uma mente humana (Lucas 2:52) e uma alma humana (Mateus 26:38). Jesus Se assemelha a um homem, tem todos os aspectos do que seja essencial à humanidade. Ele possui completa humanidade.

Para a maior parte das pessoas, é óbvio que Jesus é e continuará sendo Deus, eternamente. Mas, para alguns de nós, tem escapado que Jesus também será eternamente Homem. Ele continua sendo Homem e o será para sempre. 

A verdade sobre as duas naturezas distintas de Cristo de Sua perfeita humanidade e divindade é conhecida e bem compreendida pelos cristãos. Mas, para uma perfeita compreensão da Encarnação, precisamos ir mais longe. Devemos entender que as duas naturezas de Cristo permanecem distintas, retendo suas exatas propriedades. Mas, o que significa isto? Duas coisas: 1) - Elas não alteram as propriedades essenciais uma da outra; 2) - nem se fundem num misterioso tipo de natureza.

Por exemplo, a natureza humana de Jesus não se tornou totalmente onisciente através de Sua união com Deus, o Filho; nem Sua natureza divina se tornou ignorante de coisa alguma. Se qualquer uma das naturezas tivesse sofrido uma mudança em sua essência natural, então Cristo já não seria verdadeira e totalmente Homem, nem verdadeira e totalmente Deus.

Não podemos dividir Cristo em humano e divino. O Deus ETERNO encarnou no ventre de Maria, e nasceu como um menino. O Verbo se fez carne, mas também continuou sendo o Verbo. Portanto, em Cristo há duas naturezas, cada uma mantendo as suas próprias propriedades, e juntas unidas numa substância e, em uma única pessoa.


2-   CRISTO É SOMENTE UMA PESSOA
O que vimos até agora sobre a divindade e humanidade de Cristo demonstra que Ele tem duas naturezas, a divina e a humana; que cada natureza é total e completa; que elas permanecem distintas e não se misturam, para formar uma terceira natureza e que Cristo é tanto Deus como homem para sempre.

Mas, se Cristo tem duas naturezas, isto significa que Ele é duas pessoas? Não, Ele não é. Cristo continua sendo uma só Pessoa. Existe apenas um Cristo. A Bíblia é muito clara em que, conquanto Jesus tenha duas naturezas, Ele é apenas uma Pessoa.

Em outras palavras, isto significa que não existem dois Cristos. Mesmo tendo uma dualidade de naturezas, Ele não é duas pessoas, mas apenas um Jesus Cristo. Conquanto permanecendo distintas, as duas naturezas são unidas, de tal maneira que Ele é uma só Pessoa.

3-   QUEM MORREU NA CRUZ? O DEUS UNIGÊNITO OU O FILHO DE MARIA?
A primeira verdade que devemos entender é que Jesus é uma só Pessoa com duas naturezas - a natureza divina e a natureza humana. Em outras palavras, Jesus é tanto Deus como Homem.

Na verdade somos incapazes de compreender totalmente uma pessoa com duas naturezas. É impossível para nós entendermos totalmente como Deus trabalha. Nós, como seres humanos finitos, não devemos supor que podemos compreender um Deus infinito. Jesus é o Filho de Deus por ter sido concebido pelo Espírito Santo (Lucas 1:35). Mas isso não significa que Ele não já existia antes de ser concebido. Jesus sempre existiu (João 8:58; 10:30). Quando Jesus foi concebido, Ele se tornou um ser humano em adição ao fato de ser Deus (João 1:1,14).

Embora Cristo tenha duas naturezas distintas e imutáveis, contudo Ele permanece uma só Pessoa.
Ambas as naturezas são representadas na Escritura como constituindo “uma só Ser”, isto é, como unidas em uma só Pessoa. Em João 1:14, lemos: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade".

Vemos aqui as duas naturezas: o Verbo (Sua divindade) e a carne (Sua humanidade). Contudo, vemos também que existe uma só Pessoa, pois lemos que “O Verbo se fez carne”, exigindo que reconheçamos a unidade das duas naturezas, de modo a ser uma só Pessoa.

Considerando que Cristo tem duas naturezas numa só Pessoa e, tendo em vista ainda o que está nisso envolvido, examinemos agora as duas implicações disto, o que nos ajudará a completar o quadro de nossa compreensão.

Há coisas que são verdadeiras numa natureza, mas não em outra, mesmo assim são verdadeiras na Pessoa de Cristo.

O fato de Cristo ter duas naturezas significa que há coisas que são verdadeiras em Sua natureza humana, mas não são verdadeiras à Sua natureza divina. Por exemplo, Sua natureza humana foi pendurada na cruz e Sua natureza divina jamais teve fome. Então, quando Cristo sentiu fome na Terra, foi Sua natureza humana quem sentiu fome e não Sua natureza divina.

Agora estamos em posição de entender que, em vista das duas naturezas em uma só Pessoa, as coisas que são verdadeiras numa natureza não o são noutra, mas tudo que é feito por uma das duas naturezas em Cristo é, verdadeiramente, feito pela Sua Pessoa. Em outras palavras, uma coisa que somente uma das duas naturezas faz pode ser considerada como feita pelo próprio Cristo. Do mesmo modo, as coisas que são verdadeiras de uma natureza, mas não de outra, são verdadeiras na Pessoa de Cristo como um todo. Isto significa que, se existe alguma coisa que somente uma das duas naturezas de Cristo faz, Ele pode perfeitamente dizer “Eu fiz”.

Temos muitos exemplos na Escritura que o demonstram. Por exemplo, em João 8:58, lemos Jesus dizendo: "Antes que Abraão existisse, eu sou".  Ora, a natureza humana de Cristo não existia antes de Abraão, mas Sua natureza divina, que existe eternamente, já existia antes de Abraão. Mas, visto como Cristo é uma só Pessoa, Ele pôde afirmar: “... Antes que Abraão existisse, eu sou”.
 
Outro exemplo simples é a morte de Cristo. Deus não pode morrer. Jamais devemos mencionar a morte de Cristo como tendo sido “a morte de Deus”.  Mas, como os humanos morrem, a natureza humana de Cristo foi a que morreu. Desse modo, mesmo que a natureza divina de Cristo não tenha morrido, podemos dizer que “Cristo experimentou a morte por todos os homens”, em vista da perfeita união das duas naturezas numa só Pessoa. Por isso Grunden[1] diz: “Em virtude da união com a natureza humana de Jesus, Sua natureza divina, de certo modo, provou algo semelhante a passar pela morte. Assim, a Pessoa de Cristo experimentou a morte”.

Assim podemos entender as palavras de Pedro aos judeus: “matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” - Atos 3:15.

O Autor da vida é o Deus Filho, pois sem Ele nada do que foi feito se fez. Ora, a natureza humana de Cristo não existia quando Cristo criou a vida, mas Sua natureza divina, que existe eternamente, já existia. Mas, visto como Cristo é uma só Pessoa, Pedro pôde afirmar: “matastes o Autor da vida.”

Da mesma forma, sua natureza humana foi ressuscitada por sua natureza divina. Não obstante, podemos afirmar que Jesus ressuscitou a Si mesmo, conforme prometera:

“Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” - João 2:19-22.

4-   CABEÇA FEDERAL DA RAÇA HUMANA
Não podemos entender em todos os seus aspectos a humanidade de Jesus. Em nossa limitação humana não temos como avaliar plenamente porque Jesus era a segundo cabeça federal da raça humana. O que isto significa?

 “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram”. – Romanos 5:12.

A palavra “mundo” utilizada pelo apóstolo Paulo no texto de Romanos 5:12 é a mesma usada pelo apóstolo João no evangelho de João 3:16. Esta palavra no original grego é cosmos, e se refere à humanidade.

Cremos que a Bíblia ensina que, pecando Adão, todo o gênero humano pecou nele. Ele era o cabeça natural e federal de toda a raça humana. Trazia em si o germe de toda a humanidade. Hereditariedade e atavismo confirmam plenamente o ensino das Escrituras a este respeito.

Adão, como primeiro cabeça federal e natural da espécie humana, ao pecar, contaminou toda a humanidade. A consequência desta contaminação foi a morte.

Desde Adão até os dias de Moisés, ninguém foi julgado culpado pelos próprios pecados, pois a lei não tinha ainda sido promulgada. No entanto, todas as pessoas que viveram no período compreendido entre a época de Adão e os dias de Moisés, morreram. Portanto, suas mortes não podem ser atribuídas diretamente aos seus pecados, pois não havia nenhuma lei para estabelecer esta sentença, porque onde não há lei o pecado não é levado em conta (Romanos 5:13).

Adão não foi somente o pai da humanidade ele foi também seu representante e cabeça federal.

Assim, as mortes nesse período foram causadas pelo pecado de Adão. Toda a humanidade estava potencialmente em Adão quando ele desobedeceu a Deus, embora não estivesse individualmente, pois a posteridade ainda não havia surgido. Então, a penalidade daquele pecado de Adão atingiu toda a humanidade (porque somos membros da raça adâmica, descendentes de Adão), pois dizia que o homem voltaria ao pó, ou seja, provaria a morte física.

“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão... pela ofensa de um só, a morte veio a reinar... pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores” (Romanos 5:13,14,17,19).

Por isso a Bíblia diz que em Adão todos morrem (1ª Coríntios 15:22), porque pelo pecado de Adão toda a sua posteridade foi atingida. E o pecado veio só por Adão que pecou, mas a sentença veio, na verdade, do pecado de Adão sobre toda a sua posteridade, pois pelo pecado de Adão, a morte veio a reinar sobre todos os homens, até mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança de Adão. Portanto, pelo pecado de Adão veio o juízo sobre todos os homens para condenação da morte física, porque todos se tornaram pecadores (Romanos 5:15-19).

Todos os homens nascem já pecadores por causa do pecado de Adão. Independentemente de qualquer ato de pecado. A humanidade não herdou o pecado de Adão, assim como sua natureza pecaminosa. Toda humanidade pecou por meio de Adão, por isso em Adão todos morrem, e a morte é consequência deste pecado.

“Por um homem veio a morte... em Adão todos morrem” (1ª Coríntios 15:21,22).

Mesmo que nunca tivéssemos cometido pecado, ainda assim seríamos pecadores, pois pelo pecado de Adão, o juízo veio sobre todos os homens.

“Pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores” (Romanos 5:19). Já vimos que quando Adão pecou, toda a sua posteridade estava substancialmente em sua carne.

A semente da humanidade da qual viemos estava substancialmente em Adão desde o começo. Assim, quando Adão pecou todos os homens se tornaram pecadores.

“Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe”. (Salmos 51:5).

Os homens nascem pecadores porque estavam em Adão, o cabeça federal.

Até mesmo as crianças de colo e os natimortos provam a morte física porque pecaram em Adão, pois ele era o cabeça natural da humanidade como seu progenitor, mas também era o cabeça federal da humanidade porque a representava, e enfrentou a tentação tanto por si mesmo como pelos seus descendentes, mas caiu, levando à queda toda a sua posteridade.

A humanidade caiu em Adão porque estava substancialmente nele. Este mesmo conceito se encontra registrado em Hebreus 7:9,10, onde se diz que Levi, por meio de Abraão, pagou o dizimo a Melquisedeque, porquanto Levi estava ainda nos lombos de seu pai quando Melquisedeque saiu ao encontro deste. Ou seja, Levi ainda nem existia individualmente como pessoa, mas estava substancialmente em Abraão, quando este pagou o dizimo a Melquisedeque. Levi é descendente do patriarca Abraão, que é o cabeça federal de Israel.

A humanidade caiu em Adão porque estava substancialmente nele, embora não estivesse individualmente, pois a posteridade ainda não havia surgido. Portanto, assim como Levi pagou o dízimo a Melquisedeque por meio de Abraão, toda a humanidade pecou por meio de Adão e caiu com ele em seu primeiro pecado.

Paulo declarou que Adão é a figura daquele que havia de vir, Cristo (Romanos 5:14). Adão é uma figura de Cristo por que ambos são os únicos cabeças federais da raça humana.

O termo "cabeça federal" tem desaparecido quase que completamente da literatura cristã atual. Embora não seja uma expressão escriturística, ela é muito importante na exposição doutrinária. O principio que se deseja passar com o termo "cabeça federal" é o da representação. Só houve dois cabeças federais, os quais Deus entrou em aliança Adão e Cristo. Cada um representou legalmente diante de Deus muitas pessoas. Adão representou a totalidade da raça humana, pecou e caiu; Cristo representou a totalidade da raça humana para a expiação de pecados, e especialmente Cristo representou apenas os que lhe foram dados pelo Pai desde os tempos eternos para a justificação do pecador.

Quando Adão foi estabelecido no Éden como um ser responsável diante de Deus, ele estava ali como cabeça federal, como representante legal de sua posteridade. Portanto, quando Adão pecou todos os seres humanos pecaram. Quando Adão morreu todos os seres humanos morreram (em Adão todos morrem).

O fato que todos comem do suor das suas faces; sofrem doenças e tristezas; e voltem ao pó do que são feitos é suficiente deduzir que Adão é nosso cabeça federal (Gênesis 3.17-19; Romanos 5.12, 19). Todos foram incluídos na primeira condição de não comer o fruto como todos são participantes da maldição que veio pelo ato de Adão comê-lo. A humanidade era tão unida a Adão que todos ficaram retos enquanto ele continuou assim, e caíram nele quando ele caiu.

Adão não pecou meramente por nós; mas nós pecamos nele.

Assim também foi com Cristo quanto à justificação, quando ele veio a esta terra ele também sustentaria uma posição federal. Quando Cristo cumpriu a lei e se fez obediente até a morte de cruz, todos aqueles que o Pai lhe deu, a quem Jesus representava foram considerados justos; quando ele se levantou dos mortos, todos passaram a ter vida; e quando ele ascendeu às alturas todos ascenderam com Ele.

Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. - 1 Coríntios 15:21,22

Contudo, há um sentido em que Cristo fez algo pela raça humana inteira, a expiação dos pecados. É verdade que por um só pecado de Adão veio sobre todos os homens a condenação, mas também por um só ato de justiça de Cristo veio a expiação dos pecados a todos os homens. - Romanos 5:18.

Por isso a Bíblia afirma a expiação universal dos pecados porque Ele tornou possível a nossa relação com Deus, pois que por ele foram expiados não só os nossos pecados, mas os de todo o mundo, até mesmo daqueles que O negam cujo fim é a perdição eterna (1 João 2:2 – 2 Pedro 2:1).

Assim temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que expiou os pecados de todos os homens, e justificou os homens que nEle creem (1 Timóteo 4:10). A expiação é universal, e atua sobre os pecados. A justificação é limitada aos eleitos, e atua sobre as pessoas mediante a fé.

A diferença entre Adão e Jesus é que Adão, embora feito reto como o homem de Nazaré, possuía apenas a natureza humana, mas Cristo possui duas naturezas.

No entanto, embora sua natureza humana seja uma criação especial do Espírito Santo, é a pessoa de Cristo que é o cabeça federal, e não a natureza humana. Contudo, diferente de Adão, Cristo não é o cabeça natural da raça humana porque Cristo não teve descendentes.

Assim como Adão antes da queda, Cristo não tinha uma alma humana depravada porque Adão não foi o cabeça federal de Cristo. O nascimento de Cristo foi milagroso e não foi submetido à regra universal imposta a todos os outros nascimentos. Adão é o primeiro homem, Cristo é o segundo homem. Apenas eles eram a imagem e semelhança de Deus.

O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gênesis 2:7); o segundo homem, Jesus, é espírito vivificante. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu. Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o homem celestial, tais os homens celestiais. - 1 Coríntios 15:45-48.

5-   O MEDO É INERENTE AO HOMEM CAÍDO - JESUS ERA UM HOMEM RETO
Adão foi constituído governante da terra por ordem do próprio Deus (Gn 1:27,28; Jó 34:13), mas, foi derrotado e caiu. Após a queda, a primeira característica que Adão, cabeça federal da humanidade, apresentou foi o medo.

Mas chamou o Senhor Deus a Adão, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe Adão: Ouvi a tua voz no jardim e TIVE MEDO, porque estava nu; e escondi-me. - Gênesis 3:9,10.

Aquele a quem foi dado o governo da Terra, e que falava com Deus diariamente, estava agora com medo de Deus.

Caim, o primeiro homem nascido após a queda, após matar seu irmão passou a esconder-se vivendo como fugitivo errante pela terra com medo de ser morto. - Gênesis 4:13-14.

Portanto, o medo é uma característica do homem caído, e não do homem reto criado por Deus à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26,27) para dominar sobre a Terra.

Deus criou o homem reto para que o buscasse (Atos 17:26,27). Porém, o homem se meteu em muitas confusões, caiu e se perdeu (Eclesiastes 7:29).

Após cair Adão gerou filhos e filhas à sua semelhança, conforme a sua imagem caída. (Gênesis 5:3,4).

Jesus é totalmente Deus e totalmente homem, e a sua encarnação é de extrema importância. Ele viveu uma vida humana, mas não possuía uma natureza pecaminosa como nós. Portanto, as características humanas de Jesus eram as mesmas características de Adão antes da queda, o homem original feito à imagem e semelhança de Deus.

Após a queda Adão e seus descendentes tiveram suas características mudadas para o mal, onde o egoísmo é o próprio mal, e o primeiro homem gerado à imagem caída de Adão foi capaz de matar o seu irmão apenas por inveja. E logo apresentou o medo.

Cristo possuía características que nenhum ser humano possuía, como por exemplo, Ele se santificava (João 17:19).

Assim como Adão, Jesus foi tentado, mas nunca pecou (Hebreus 2:14-18; 4:15). O pecado entrou no mundo através de Adão, e a natureza pecaminosa de Adão foi transferida para cada bebê nascido no mundo (Romanos 5:12) - exceto para Jesus. Porque Jesus não teve pais humanos, Ele não herdou uma natureza pecaminosa de José e Maria, pois o que em Maria foi gerado procede do Espírito Santo (Mateus 1:20). Jesus foi gerado em Maria, mas não foi gerado de Maria.

Outra diferença entre Adão e Cristo é que enquanto Adão foi criado por Deus, Jesus foi gerado por Deus.
Cada ser gera conforme a sua espécie. Mas quando se trata de Deus não é assim, pois Deus só gerou um Filho, que é o Senhor Jesus segundo a carne (1ª João 4:9). Os humanos fomos gerados por nossos pais segundo a carne, e herdamos deles a pecaminosidade original (Salmos 51:5), a natureza humana, suas características físicas e genéticas através do DNA, enfim herdamos a imagem e semelhança de nossos pais (Gênesis 5:3).

Aqueles que foram regenerados por Deus segundo o Espírito Santo, herdaram de Deus a natureza divina, sua imagem e semelhança, e suas características espirituais através do ‘DNA’ espiritual de Deus (Colossenses 3:10). E assim o Senhor Jesus deixou de ser o Filho Unigênito (João 1:18) para ser o Filho Primogênito de Deus (Romanos 8:29).

“Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”. (Tiago 1:18).

Desde a queda do homem (Gênesis 3:21-23), a única maneira de sermos justificados diante de Deus é o derramamento de sangue do sacrifício de um inocente (Levítico 9: 2; Números 28:19; Deuteronômio 15:21; Hebreus 9:22). Jesus foi o último e perfeito sacrifício que satisfez de uma vez por todas a ira de Deus contra o pecado (Hebreus 10:14). Sua natureza divina tornou-o apto para o trabalho de Redentor; o seu corpo humano forneceu o sangue necessário para redimir. Nenhum ser humano com uma natureza pecaminosa poderia pagar tal dívida. Ninguém mais poderia satisfazer os requisitos para se tornar o sacrifício pelos pecados de todo o mundo (Mateus 26:28; 1 João 2:2). Se Jesus fosse meramente um homem bom como alguns afirmam, então Ele tinha uma natureza pecaminosa e não era perfeito. Nesse caso, a sua morte e ressurreição não teriam poder para salvar ninguém.
  
6-   JESUS SE ENTREGOU VOLUNTARIAMENTE
Os evangelhos dizem: “Minha alma está agora conturbada. Que direi? Pai, salva-me desta hora? Mas foi precisamente para esta ora que eu vim.” (João 12,27). Lemos ainda em Hebreus 5,7-8: “É ele que, nos dias da sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão”.

Agora consideremos de perto o texto de Marcos:
E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. - Marcos 14:34-36.

Jesus começou ter pavor e a angustiar-se. E depois afirma estar triste até a morte. Marcos faz uma narrativa indireta da oração de Jesus: “prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.” Depois Marcos coloca as palavras diretamente na boca de Jesus: ” Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”

Observando a narrativa de Marcos e a outra colocada na boca do próprio Cristo, vemos claramente que “cálice” está em relação à “hora”, e não à morte em si.

O que nos perturba nesta passagem é o fato de que aparentemente Jesus queria “afastar” de si a morte. Porém poderíamos ler em outra perspectiva. As palavras de Jesus não visam escapar da sua missão, mas é um pedido para atrasar aquilo que estava para acontecer, a separação do Pai.
  
7-   JESUS NÃO TEVE MEDO DE MORRER
A Bíblia se cala, e não diz que Jesus teve medo, e nem que não Ele não teve medo. Porém, é fato que, alguns textos bíblicos jogam luz aludindo a este assunto, e fazem-nos ver o que não vemos no texto do Getsêmani.

Devemos lembrar que uma das instruções mais repetidas por toda a Bíblia, em ambos os testamentos, é a ordem dada ao povo de Deus por cerca de 265 vezes: “NÃO TEMAS”. Isto para fortalecer a Fé do povo de Deus em momentos de tribulações.

Devemos nos lembrar do que Paulo nos ensinou: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” - Timóteo 1:7. - Então... Se Jesus teve medo da morte, Ele não teria recebido este Espírito?

Lembremo-nos também que Deus não aceitou os medrosos no exército de Gideão, e dispensou mandando embora todos os medrosos, 22 mil homens que tinham medo de morrer - Juízes.7:3.
Se Deus não aceitou os medrosos no exército de Gideão, enviaria o seu próprio Filho para consumar a redenção sabendo que Ele teria medo da morte?

Devemos ainda recordar que os medrosos encabeçam a lista daqueles que não entrarão no Reino do Céu. - Apocalipse 21:8. Os medrosos serão lançados no lago que arde com fogo e enxofre. Se Jesus teve medo da morte estaria incluído nesta lista?

Lembremos também que a morte em si, não pegou a Jesus de surpresa causando-lhe pavor. Ao contrário, Jesus mesmo deu a Sua vida por amor das suas ovelhas. Ninguém tirou a sua vida, Ele mesmo a deu, para depois tornar a tomá-la – João 10:17,18.

Recordemos que Jesus não teve medo de morrer, pois por sua morte aniquilou aquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo. E livrou todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos ao medo. - Hebreus 2:14,15.

Lembremos também das palavras de Jesus: “Não temam os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes, Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” - Mateus.10:28.

Logo, se Jesus ensinou aos homens, simples mortais, a não temerem a morte, a serem fortes nos dias de angústias e tribulações, sendo Ele mesmo Deus e homem simultaneamente, teria Ele temido a morte?

Se Jesus temeu a morte como dizem alguns, Ele não praticou o que Ele mesmo ensinava.


Quando Jesus foi ao jardim do Getsêmani para orar na quinta-feira antes de ser traído por Judas Iscariotes e entregue ao julgamento dos homens ímpios, Ele disse aos Seus discípulos que Sua alma estava profundamente triste, numa tristeza mortal (Marcos 14:34). Ele estava tão angustiado que chegou a suar sangue (Lucas 22:44). Ele também orou, dizendo: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42).

Quando lemos isso, alguns de nós pensam que Jesus estava com medo da morte até o ponto de o Seu lado humano “falar mais alto”, ou então que Ele não queria se entregar pelos nossos pecados. Mas por que, exatamente, o Senhor ficou tão entristecido e angustiado?

Primeiramente, não devemos considerar que Jesus estivesse com medo da morte, haja vista que Ele próprio instruiu os Seus discípulos a não temer a morte física. Ele sabia que Sua alma iria para o Paraíso, pois prometeu ao ladrão da cruz que estaria com ele no Paraíso naquele mesmo dia (Lucas 23:43). Além disso, antes de morrer, Jesus entregou o seu espírito ao Pai (Lucas 23:46). Desse modo, é impossível que a angústia do Salvador se baseasse em medo da morte física.

Ademais, não podemos nem ao menos pensar que Jesus não quisesse se entregar por nós, pois, em João 12:27, Ele disse: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora”. Ele não pediu que o Pai o livrasse da morte física para expiar os nossos pecados. E essas palavras não podem entrar em conflito com Lucas 22:42, pois a Escritura não contém nenhuma contradição.

Assim, a única explicação é que, em Lucas 22:42, Jesus estava pedindo livramento de outra coisa: da separação do Pai. Ele sabia que, ao assumir os pecados da humanidade, seria separado do Pai. Na cruz, Jesus gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46; Marcos 15:34). Esse brado de Jesus é o cumprimento da profecia messiânica registrada no Salmo 22:1: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”.

Deus determinou que a morte seria a penalidade adequada e justa pelo pecado (Gênesis 2:16-17). De fato, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Uma vez que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23), todos estão sentenciados à morte.

Mas Jesus, na Cruz, pagou o preço pelos pecados de todo o mundo. Naquele momento de agonia na cruz, Cristo representava toda a humanidade pecadora. “Deus tornou pecado por nós Aquele [Jesus] que não tinha pecado, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

A Bíblia nos diz que o pecado faz separação entre o pecador e Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2). Por causa do pecado da humanidade, Pai e Filho foram separados na cruz, e pela última vez o pecado separou o homem de Deus.

Por meio do sacrifício de Cristo, Deus queria nos remir de nossos pecados e nos conceder a eterna salvação (2 Coríntios 5:18-19). “Ao levar muitos filhos à glória, convinha que Deus, por causa de quem e por meio de quem tudo existe, tornasse perfeito, mediante o sofrimento, o autor [Jesus] da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Por isso, só Jesus pode nos salvar; “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Assim, devemos ser infinitamente gratos a Deus por ter nos amado e entregado Seu Filho para morrer no nosso lugar, oferecendo salvação a todo aquele que crê (João 3:16). “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus…” (1 Pedro 3:18).

Outrossim, há evidências suficientes nas Escrituras para acreditarmos que o sacrifício de Cristo foi espontâneo. Deus Pai elaborou, na eternidade, um plano de redenção para a humanidade, o qual só se cumpriria com o sacrifício de Cristo na Cruz. Porém, Jesus não foi obrigado a levar esse projeto à consumação. Ele o fez livremente. É o que vemos em Mateus 26:

Quando Judas traiu Jesus e o entregou às autoridades, os soldados armados O prenderam. Vendo o que faziam, Pedro tomou sua espada e feriu um dos homens. Ao ver isso, Jesus o repreendeu, e mandou-lhe guardar a espada (pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão), e disse-lhe: “Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?” (Mateus 26:53-54).

Jesus poderia pedir ajuda ao Pai, e então Ele lhe mandaria, imediatamente, mais de doze legiões de anjos para salvá-lo. Isso evidencia que o Pai, de modo algum, forçou Jesus a sacrificar-se pela humanidade; ao contrário, foi Jesus que, livremente, decidiu cumprir o plano do Pai, para que assim as Escrituras se cumprissem. De fato, em outra passagem da Escritura, Ele disse também: “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem eu recebi de meu Pai.” (João 10:17,18).

No Salmo 40, há uma profecia que evidencia a espontaneidade do sacrifício de Cristo: “Sacrifício e oferta não pediste, mas abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado, não exigiste. Então eu disse: Aqui estou! No livro está escrito a meu respeito” (Salmos 40:6-7).

Outra passagem que mostra isso é Efésios 5:2: “… Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.”

8- CONCLUSÃO

Uma vez que Jesus tomou sobre Si os nossos pecados e enfrentou a pena de morte no nosso lugar (pois o salário do pecado é a morte – Romanos 6:23), como está escrito em Isaías 53:4-7, Ele enfrentou a consequência disso também: a separação de Deus, haja vista que o pecado levado sobre Si fez separação entre o Jesus e Deus (Isaías 59:2). Era isso o que causava tanta angústia a Cristo: ser separado do Seu amado e íntimo Deus e Pai Celeste, e não o fato de enfrentar a morte por nós.

O que Ele enfrentou foi inimaginável, e é a dor que os ímpios impenitentes, que rejeitam o sacrifício de Jesus, sofrerão quando enfrentarem o Juízo: “Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:8,9). No inferno haverá choro e ranger de dentes!


Glória ao Pai, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ele nos amou e providenciou para nós expiação para os pecados, a fim de sermos salvos por sua infinita graça! (Romanos 3:21-26; 1 João 4:10).



[1] Wayne Grudem, Systematic Theology: An Introduction to Biblical Doctrine (InterVarsity and Zondervan Publishing, 1994), p. 556.

ESTOU SALVO OU AINDA POSSO PERDER A SALVAÇÃO?

Oséias Graça Tavares

Eu digo que para uma pessoa ser salva não só importa o conhecer a Cristo, antes importa ser conhecido por Cristo.

Cristo é onisciente, e como tal conhece todas as pessoas. Mas, a despeito disso, Cristo afirmou que nunca conheceu algumas pessoas que estavam na Igreja, chamando-O de Senhor, e também profetizando, expulsando demônios e realizando muitos milagres em Seu nome. Ainda assim Jesus lhes dirá claramente: ‘Nunca vos conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’(Mateus 7:21-23).

Eles estão na Igreja, possuem dons espirituais, e são usados por Deus, e Jesus, o onisciente, diz que nunca as conheceu?

Se Jesus não conhece tais pessoas, então como Ele as usa poderosamente?

Se Cristo não as conhece, então como Ele sabe que elas praticam o mal?

Em Romanos 8:29 Paulo diz que Deus conheceu algumas pessoas de antemão, e também os predestinou E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. (Romanos 8:30).

O que Jesus diz quando afirmou que nunca conheceu pessoas da Igreja é que quando Ele foi escolher de antemão os seus eleitos, aquelas pessoas de Mateus 7:21-23 e todos os falsos crentes não foram conhecidos de antemão na eleição.

No entanto, Jesus também é eterno, e quando um Ser eterno diz nunca, Ele está dizendo um nunca eterno. Por isso, a Bíblia registra que os nomes dos perdidos não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo. Ou seja, os perdidos nunca tiveram seus nomes escritos no livro da vida (Apocalipse 17:8). E isto nos leva a concluir que eles não perderam a salvação, mas NUNCA foram salvos nem por um dia sequer.

Paulo afirma que Deus nos escolheu em Cristo antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença (Efésios 1:4). Contudo, Ele não apenas nos escolheu para sermos santos, mas também nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho. Ele também nos chamou para o Reino do Filho do seu Amor (Romanos 8:29).

Porém, não é a eleição, a predestinação e nem mesmo a chamada que definem a salvação, pois não adianta ser chamado e não ser escolhido. A salvação é definida na justificação, que PARA DEUS ocorreu antes da fundação do mundo, como também a glorificação de nossos corpos já está decretada.

E Deus conhece os que Lhe pertence, e a não ser que você creia que Deus possa se enganar, neste caso seria possível alguém que foi escolhido, predestinado, chamado, justificado e glorificado perder a salvação.

Mas, Jesus nunca conheceu os falsos crentes, porque nós, os salvos, temos o firme fundamento de Deus que permanece inabalável e selado com esta inscrição: "O Senhor conhece quem lhe pertence" (2 Timóteo 2:19).

E é por isso que Jesus diz: “Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura.” (João 17:9,12).

Crer que o salvo pode perder a salvação é crer que Jesus não é poderoso para nos proteger e nos guardar da perdição. No entanto, se Jesus, quando esvaziado de seus atributos, conseguiu proteger e guardar da perdição a todos os que o Pai lhe deu, imagina o Jesus que disse que todo poder Lhe foi dado na Terra e nos Céus. Este mesmo Jesus todo poderoso disse: “ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS”. (Mateus 28:18-20).

Paulo estava plenamente convencido de que Ele era poderoso para cumprir o que havia prometido. (Romanos 4:21).

Paulo afirmou: ”Sei em quem tenho crido e estou bem certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.” (2 Timóteo 1:12).

Judas, o irmão do Senhor, afirmou Ele é poderoso para impedir os salvos de cair para poder apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria. (Judas 1:24).

Pedro também afirma que a escolha se deu de acordo com a presciência de Deus Pai, ou seja, antes da fundação do mundo, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo. Aqui cabe destacar que a escolha se dá para obediência, e não pela obediência. (1 Pedro 1:2).

Será que a presciência de Deus pode falhar ou há engano no Altíssimo? É claro que não. Ele é Aquele que anuncia o fim desde o princípio (Isaías 46:9,10).

Pedro afirma Deus nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas nós nos  tornássemos participantes da natureza divina e fugíssemos da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça. (2 Pedro 1:4)

O salvo participa da natureza de Deus, isto porque ela passa a ser filho regenerado (gerado de novo) por Deus.

Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus. (1 João 3:9).

Somos participantes da natureza divina porque a semente (spérma no grego) de Deus permanece em nós, e nos impede de pecar.

E, aqui, João diz que o nascido de Deus carrega em si o sêmen divino. E que este sêmen da graça é que o impede o nascido de Deus ( a nova criatura) de viver uma vida que tivesse contentamento na pratica da violação da consciência do homem interior criado por Deus.

E este é um processo constante e crescente. Até Cristo ser gerado em nós.

Portanto, a luz das Escrituras e a vista do acima exposto é impossível que um cristão justificado por Deus venha a perder a sua salvação, pois dos dons e da sua vocação Deus não se arrepende. E a salvação é um dom de Deus (Romanos 11:29).

Finalizo com esta garantia do Senhor aos seus eleitos:

“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de enganar, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.” Mateus 24:24.

Portanto, o Senhor confirma que não é possível enganar um eleito do Senhor, e fazê-lo seguir um falso profeta e um falso cristo.

O PLANO DE DEUS PARA OS HOMENS

Oséias Graça Tavares

E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. (Gênesis 1:31)

CONDIÇÃO DO HOMEM AO SER CRIADO
1-      Deus fez o homem reto e com livre-arbítrio, e lhe deu o governo sobre a terra e sobre os animais.

2-      O homem pecou, e houve um rebaixamento moral chamado de queda;

3-      A queda atingiu a retidão tornando seu arbítrio escravizado pelo pecado.

4-      Ao obedecer a um animal sobre o qual ele devia ter domínio, o homem perdeu o governo da terra.

5-      O diabo passou a ser o príncipe deste mundo, e a ter nas mãos os reinos do mundo.

6-      O pecado trouxe doenças e a morte física – ao pó voltarás

7-      Depois de pecar o homem passou a ter descendentes nascido à sua imagem e semelhança caída.

8-      Todos os descendentes nascem em pecado desde a madre e estão condenados a morte física, e estão separados de Deus por causa do pecado, e esta separação os condena a morte eterna.

9-      Por ter o seu arbítrio escravizado pelo pecado somente para praticar o mal, o homem não pode fazer o bem, e nem buscar a Deus.

10-  Deus é a fonte de todo bem incluindo a salvação. Se o homem não busca a Deus, só lhe resta ser alcançado pela graça de Deus, ou seguir separado de Deus para todo o sempre.

PLANEJAMENTO DO PAI
1-      Deus é onisciente, e dentro de sua onisciência há outro atributo denominado presciência, que faz com que Deus atue no tempo, embora esteja fora de qualquer fração e sucessão temporal. Ou seja, Deus está fora do tempo, e assim passado e futuro estão sempre diante dEle como um eterno presente onde não há tempo. Deus vê simultaneamente o passado, o futuro e o presente dos homens, mas para Deus não há sucessão de tempo.

2-      Deus, antes de criar o mundo, fez um plano que envolvia a criação, a queda, a redenção e o estado eterno dos anjos e dos homens.

3-      Deus poderia criar anjos e homens como robôs obedientes. Mas Deus quis que a criação do Universo fosse algo grandioso para a Sua glória. Mas, nada se compara em glória do que criar seres a sua imagem e semelhança com emoções, intelecto e vontade própria, e assim Deus criou os anjos imortais, espirituais, fortes e poderosos.

4-      Boa parte dos anjos pecou, e Deus, que de antemão sabia desta queda, também já havia preparado o inferno como uma prisão temporária e também o lago de fogo como prisão eterna para o diabo e seus anjos, pois Deus decidiu não resgatá-los do abismo moral em que caíram sendo banidos da presença de Deus.

5-      Para o louvor da Sua glória Deus criou o homem, e para usar de misericórdia com todos e ser glorificado, Deus colocou uma arvore no jardim do Éden, onde o homem vivia. E, ordenou-lhe que não comesse do fruto daquela arvore, avisando-o que certamente morreria ao comer do tal fruto.

EXECUÇÃO DO FILHO
1-      Deus quer se relacionar com homem, mas o pecado faz separação entre o Santo Deus e o homem pecador.

2-      Então Deus concede graça a alguns desses pecadores caídos, e assim Deus se relaciona com Abel, Sete, Enos, Enoque, Noé até chegar a Abraão, e lhe dizer que ele foi o escolhido para gerar o povo de Deus. Observe que não foi Abraão que buscou a Deus, mas Deus buscou a Abraão.

3-      Deus poderia escolher um povo que já existia na terra, e fazer dele o seu povo. Mas, o Senhor formou um povo para Si através dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. E o Senhor formou para Si o povo de Israel, e o conduziu com a Sua mão pela História como Lhe aprouve.

4-      Através de Moisés o Senhor deu a sua Lei ao povo de Israel para mostrar que o homem é pecador caído e incapaz de restabelecer a paz e a comunhão com Deus por meio da obediência à Lei de Deus, pois embora a Lei seja boa e espiritual, todo homem é carnal e vendido sob o pecado.

5-      Assim, a Lei se tornou uma maldição condenatória e um ministério de morte porque pela obediência à Lei ninguém jamais foi declarado justo diante de Deus porque o homem ao tentar se justificar por obedecer aos preceitos da Lei, sempre tropeçava em um se tornando assim culpado por ter transgredido todos os preceitos. Ou se obedecia a todos ou transgredia a todos. Assim, nunca nenhum homem foi justificado e salvo por meio da obediência à Lei.

6-      Deus já havia colocado em prática um plano provisório que por meio de "tipos" permitia que o homem caído pudesse ter seus pecados cobertos (e não perdoados) para assim poder ter comunhão com o Senhor Santo.

7-      O tipo é a imagem ou a representação de alguma coisa que vai acontecer em tempo futuro, e assim Deus introduziu a Antiga Aliança, as profecias, o templo, o altar, os sacrifícios de animais, o cordeiro pascal, expiação de pecados através do bode expiatório, o sumo sacerdote, etc. O antítipo é a realidade da coisa da qual o tipo é representação. Assim, a Nova Aliança e a sã doutrina se sobrepõem a Antiga Aliança e as profecias, o corpo como o templo, o coração como o altar, Cristo como o cordeiro sacrificado, o bode expiatório e o Sumo sacerdote. O tipo pode ser propriamente chamado ‘sombra’; o antítipo, a ‘realidade’.

8-      Quando chegou a plenitude do tempo determinado por Deus, o Pai enviou o Seu Filho para cumprir a Lei, anunciar o Evangelho do Reino, pagar o preço do resgate do homem, pagar a pena pela condenação do homem levando sobre si todos os pecados de todos os homens de todos os tempos, e cancelar a dívida do homem, tornando-se assim o Salvador de todo aquele que nEle crê.

APLICAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
1-      A salvação do homem é uma dádiva de Deus ao homem que estava afogado no mar de pecado, e Deus mergulhou neste mar para resgatar o homem. Assim, a separação entre Deus e os homens não existe mais.

2-      É de graça, ou seja, não há preço a pagar.

3-      É pela graça de Deus. Ou seja, é um favor de Deus, e não uma recompensa. Não é algo que temos que fazer para obtê-la e nem podemos nos gloriar por ter conseguido.

4-      É mediante a fé, ou seja, a fé não é meritória. Qual é a glória de se acreditar em algo que alguém fez por você?

5-      A aplicação da salvação trouxe mudança de Aliança, agora estamos aliançados com Deus firmados pelo sangue de Jesus, de modo que se formos infiéis ainda assim Deus mantém a sua parte na aliança.

6-      Houve mudança de sacerdócio, agora saímos da sombra que era o sacerdócio levítico, e passamos para a realidade da ordem de Melquisedeque.

7-      Houve mudança de doutrina, agora a igreja persevera nas doutrinas dos apóstolos de Cristo.

8-      Seguem as várias etapas da salvação:

A-  Eleição - “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”.  (Ef 1:4).

Eleição, do grego eklogên, é a base do plano da redenção. A eleição é a escolha que Deus fez para separar os salvos dentre os perdidos. Deus fez esta escolha porque quis fazer, foi um ato de sua soberania. Contudo esta escolha não foi um ato arbitrário ou de tirania, e nem tampouco há injustiça da parte de Deus porque o Oleiro tem direito sobre o barro.

“Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e pela vossa fé na verdade, e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”.  (2ª Ts 2:13,14).

Eleger ou escolher é: preferir dentre dois ou mais. Portanto, não existe isso de dizer que Deus elegeu uns para a salvação e outros para a perdição. Deus escolheu uns para a salvação, e não escolheu os demais.

B- Predestinação – “nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade”.  (Ef 1:11).”

Predestinar, do grego proorizo, é o ato não causal pelo qual Deus predeterminou desde antes da fundação do mundo a vida de algumas pessoas a algo que está fadado a acontecer impreterivelmente. A predestinação se refere ao poder de Deus para arranjar as circunstâncias a fim de cumprir seus planos, inclusive o da salvação. Deus predestinou àqueles que de antemão conheceu, foi a estes eleitos que Deus predestinou para serem conforme a imagem de Cristo, pois após a queda do homem, este passou a ser conforme a imagem caída de seus pais (Gn 5:3). A predestinação tem como base o beneplácito de Deus. A palavra beneplácito tem somente o sentido de aprovação, consentimento. Assim, Deus predestinou os eleitos para serem seus filhos adotivos consentindo que eles tivessem a imagem de Cristo.
“e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.  (Ef 1:5).

C-  Expiação - “... Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado por nós”.  (1ª Co 5:7).

Expiação é um ato judicial pelo qual Deus pune os pecadores pelos seus pecados, provendo um substituto imaculado, lhe imputando todo o pecado e a culpa da humanidade pelos seus pecados e por causa do pecado de Adão (Is 53:4-7). Deus condenou o nosso substituto a pagar o preço da dívida pelo pecado da humanidade. O substituto teve os nossos pecados lhe imputados, e por isso o substituto teve de pagar a nossa divida para com Deus com sua vida e com o seu sangue imaculado, pois a condenação era a morte de um justo pelos injustos. O verbo expiar vem do hebraico kaphar, e significa cobrir, e inclui a ideia de cobrir pecados desviando a ira de Deus (Sl 78:38). Expiação é a palavra síntese para a obra realizada por Cristo, e pela expiação nossos pecados são perdoados (Sl 78:38), cobertos (Sl 32:1) e apagados e esquecidos (Is 43:25). Adão após pecar, transmitiu à sua posteridade uma propensão para o mal, por isso o primeiro homem que nasceu neste mundo assassinou o segundo. E toda a humanidade herdou a natureza pecaminosa de Adão que gerou filhos e filhas à sua semelhança, conforme a sua imagem caída (Gn 5:3,4).

D-  Chamada - “Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis”. (Ap 17:14).

Chamada ou vocação é o ato de graça pelo qual Deus convida os homens, através de sua palavra, a receberem pela fé a salvação providenciada por Cristo.

“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.” (2ª Co 5:20).

E- Conversão - “Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure”. (Mt 13:15).

Conversão é o ato exterior, visível e prático da salvação, que ocorre uma só vez, e é permanente. Os dois aspectos da conversão são o arrependimento e a fé (Mt 21:32). Não há conversão onde a fé esteja desassociada do arrependimento. O arrependimento e a fé são atos subsequentes, quase simultâneos, da conversão, isto é, existe uma pequena separação cronológica entre eles. Podemos dizer que o pecador creu em Jesus porque se arrependeu de seus pecados, pois Jesus disse que o homem se arrepende para crê, ou seja, o arrependimento vem primeiro do que a fé: “vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele”. (Mt 21:32).

F- Justificação – “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. (Rm 5:1).

A justificação é um ato judicial de Deus, no qual ele declara, com base na justiça de Cristo, que todas as reivindicações são satisfeitas com vista ao pecador.

A justificação é o ato judicial através do qual Deus soberanamente decreta a absolvição do pecador, e o declara justo (At 13:39). A justificação veio como um ato da graça e do amor de Deus por causa da ofensa do homem (Rm 5:18).

A justificação é um ato de misericórdia de Deus que não merecemos. Perdoar significa esquecer os pecados. Justificar é declarar o pecador como se nunca houvesse cometido pecados. O fundamento da justificação é a obediência e morte redentora de Cristo, assim como sua ressurreição.

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniquidades deles levará sobre si”. (Is 53:11).

“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.” (Rm 3:23,24).


G- Reconciliação - “Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação”.  (Rm 5:10,11).

A reconciliação é a operação graciosa de Deus pela qual ele reconcilia os pecadores consigo mesmo, por meio da morte de Jesus Cristo, removendo a inimizade (Cl 1:20-22).

O pecado fazia separação entre os homens e Deus (Is 59:2), no entanto, Jesus rasgou o véu (Lc 23:45), nos reconciliando com Deus e nos dando livre acesso ao Pai (Ef 2:18). Esta reconciliação nos traz a paz, mas o acesso é obtido pela fé (Rm 5:1,2).

O termo ‘reconciliar’ significa ‘estabelecer paz entre pessoas’. Tem o sentido de acordo e paz que são o resultado da reparação do erro. Portanto, reconciliação é a ação de Deus pela qual nossa comunhão com ele é restabelecida através da morte de Cristo.

“Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamos-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus”.  (2ª Co 5:18-20).

A reconciliação é o cancelamento da inimizade entre duas partes em litígio. De um lado o Santo Deus e do outro lado a humanidade pecadora. Mas Deus, a parte ofendida toma a iniciativa de promover a reconciliação com o mundo inteiro. Pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo inteiro, não imputando aos homens as suas transgressões. E aqueles que são reconciliados com Deus, estão encarregados de divulgar a palavra da reconciliação para que o mundo se reconcilie com Deus.

H- Regeneração - “Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo”.  (Tt 3:5).

A regeneração é o ato soberano de Deus pelo qual o princípio de uma nova vida é implantado no homem. É a comunicação de vida divina à alma sob o comando do Espírito Santo, que implica numa completa e radical mudança interior. Através da regeneração somos introduzidos na família de Deus pela ação poderosa do Espírito Santo, na qual Deus cria de novo a natureza interior, libertando o arbítrio do homem que estava aprisionado pelo mal.

A palavra regeneração é oriunda do grego palingenesia que literalmente significa o retorno das coisas ao seu primitivo estado. Segundo a Bíblia a regeneração é o novo nascimento. Segundo o dicionário Aurélio regeneração, primariamente, significa: Tornar a gerar.

Todo cristão verdadeiro teve dois nascimentos: um natural e um eterno. E, não se trata de transformação do velho homem num novo homem, mas Deus cria um novo homem com capacidade de lutar e subjugar o velho reduzindo-o à escravidão.

I-  Adoção – “Ora, digo que por todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere de um servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus”. (Gl 4:1-7).

Adoção é o ato pelo qual Deus recebe como filho próprio alguém que não é seu filho legítimo, conferindo-lhe todos os direitos e obrigações dessa posição. A palavra adoção vem do grego huiothesia, e significa literalmente ‘por como filho’.

Adoção é o resultado da ressurreição de Cristo e se dá por meio da imputação, na qual a justiça de Cristo, que dá o direito legal à adoção, é imputada ao crente.

A regeneração é uma operação que nos dá o poder para nos tornarmos filhos de Deus no que tange ao novo nascimento, ou seja, sermos revestidos da natureza divina e santa (Jo 1:12),contudo ainda seremos legalmente como os ímpios, ou seja, criaturas de Deus.

J- Santificação - “Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna”. (Rm 6:22).

Santificação é a graciosa e contínua operação do Espírito Santo pela qual Ele renova toda a natureza do pecador justificado à imagem do Filho de Deus, separando-o para uso exclusivo do Senhor.

A palavra geralmente usada no hebraico é kadosh, que significa separado. A raiz grega da qual se origina esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego hagios. O pensamento mais próximo no grego secular era: sublime, consagrado, venerável. Observe que o elemento moral está totalmente ausente.
“porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados.” (Hb 10:14).

É um erro confundir a santificação com a retidão. Enquanto a retidão tem a ver com práticas e condutas moralmente corretas, a santificação é o processo de sublimar, estar acima, transcender, ou seja, se tornar sublime, o que nada mais é do que se aproximar de Deus. Por isso aqueles que estão sendo santificados procuram as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus, (Cl 3:1) e nós, os santificados, estamos assentados com Ele nos lugares celestiais (Ef 2:6).

Deus é santo, santo, santo porquanto é tão separado que é o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver, e está assentado sobre um alto e sublime trono (Is 6:1), e o próprio Cristo (que nunca pecou) disse: “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.” (Jo 17:19) e a Bíblia nos ordena a santificar Àquele que é Santíssimo (1 Pe 3:15).

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.” Isaías 57:15

Nas Escrituras, uma pessoa (ou coisa) é chamada santa por motivo de haver sido separada para serviço exclusivo de Deus (Rm 1:1), e feito participante da santidade de Deus (Hb 12:10).

Portanto, a santificação nada mais é do que a adequação à imagem do Filho de Deus, algo que todos os eleitos estão predestinados para se adequar (Rm 8:29).
  
K- Perseverança dos Santos - “Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas”. (Lc 21:19).

A perseverança é um dos mais belos assuntos doutrinários que temos na palavra de Deus. A perseverança dá ao crente segurança espiritual (Cl 4:2) e o deixa vigilante (Mt 24:4,5) para jamais ser enganado. A perseverança faz o crente ser firme e constante (1ª Co 15:58), para nunca ser levado por ventos de doutrinas e heresias (Ef 4:14).

“Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” (Hb 10:36).

Viver uma vida de perseverança não é para quem apenas professa a fé em Cristo, ou se torna membro de uma denominação evangélica, mas é uma necessidade daqueles que têm uma experiência genuína com o Senhor, e que estão dispostos a viverem para Deus. A perseverança leva o crente a uma vida de comunhão e consagração.

L-  Segurança Eterna
“Aparta-te do mal e fazei o bem; e terás morada permanente. Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos. Eles serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada”. (Sl 37:27,28).

A segurança é a garantia eterna e imutável da salvação, iniciada e completada por Deus, no coração dos regenerados. A segurança eterna representa o lado divino que complementa a perseverança.

Ao falarmos sobre a segurança eterna da salvação, devemos refletir e procurar responder a grande questão: é possível um cristão perder a salvação? Antes de respondermos a esta pergunta, faremos uma consideração inicial. Em que consiste a salvação? Se respondermos que ela é algo que deva ser conquistado pelo próprio homem através de seus esforços, então teremos que admitir que é possível ao homem perder a sua salvação. Entretanto, a salvação não é uma conquista humana, mas um dom de Deus (Ef 2:8).

A palavra dom vem do grego charisma e significa presente. Portanto, a salvação não vem de nós mesmos, dos nossos esforços, mas vem graciosamente de Deus. Se a salvação é um presente, e não uma recompensa aos nossos sacrifícios, então, ela não pode ser perdida. A Escritura afirma que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 10:29). Seria muito deselegante dar um presente, e depois tomá-lo de volta. Deus jamais faria tal coisa. Por ser um dom, nossa salvação é irrevogável.

M- Glorificação - “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos”. (1ª Jo 3:2).

Glorificação é a operação divina pela qual o crente regenerado há de ressuscitar corporalmente, tendo seu corpo abatido, transformado à semelhança do corpo glorioso do Senhor Jesus (Fp 3:21).

A glorificação é o ponto em que as doutrinas da salvação (soteriologia) e das últimas coisas (escatologia) se entrelaçam163, pois apontam, além desta vida, para um estado eterno.
Assim como a natureza espera sua redenção (Rm 8:22), o salvo espera ansioso a redenção do corpo (Rm 8:23), pois neste momento se dará a glorificação final do crente, quando seremos transformados a semelhança do Senhor (Rm 8:29,30).

Deus, ao criar o homem, o fez à sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn 1:26), consequentemente, o homem foi criado com a glória de Deus (Ex 16:7). Mas, o pecado causou a perda da glória divina no homem (Rm 5:12). Somente em Cristo podemos ser restaurados à imagem e à glória divina (2ª Co 3:18).

Jesus disse: "Está consumado!" João 19:30

O ESTADO ETERNO

1.       Novos Céus e Nova Terra
Há uma ideia errada de como realmente é o Céu. Nos capítulos 21 e22 de Apocalipse vemos uma descrição detalhada dos Novos Céus e Nova Terra. Depois do fim dos tempos, os atuais Céus e Terra serão destruídos e substituídos por Novos Céus e Nova Terra. O lugar de habitação eterna dos crentes será a Nova Terra. A Nova Terra é o que chamamos de “Céu”, o local onde passaremos a eternidade. É na Nova Terra, onde a Nova Jerusalém, a cidade celestial, se estabelecerá quando descer do céu. É a Nova Terra o lugar onde haverá portões de pérolas e ruas de ouro. Portanto, a Nova Terra é o lugar físico onde habitaremos com corpos físicos já glorificados (I Co 15:35-58). O Céu onde os crentes viverão será um novo e perfeito planeta no qual habitaremos. O Novo Céu será livre de pecado, mal, enfermidade, sofrimento e morte. Será provavelmente muito parecido com nossa Terra atual, ou talvez até uma recriação de nossa terra atual – mas sem a maldição do pecado.
Todo o universo será criado, uma Nova Terra, novos céus, um novo espaço sideral.

2.       Teremos comunhão com nossos amigos e familiares no Céu
Na eternidade, haverá tempo de sobra para ver, reconhecer e estar na companhia dos nossos amigos e familiares. No entanto, esse não será o nosso foco principal porque estaremos muito mais ocupados em adorar a Deus, servi-lo, aprender os mistérios de Deus e desfrutar das maravilhas do Céu.

"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas." (Is 65:17). No entanto, o versículo anterior nos diz: "já estão esquecidas as angústias passadas e estão escondidas dos meus olhos." (Is 65:16,) Portanto, as nossas "angústias passadas" serão esquecidas - não todas as nossas lembranças. As nossas memórias serão purificadas, redimidas, curadas e restauradas - não apagadas. Não há nenhuma razão pela qual não poderíamos possuir muitas lembranças da nossa vida terrena. As lembranças que serão apagadas são as que envolvem o pecado, dor e tristeza. Apocalipse 21:4 declara: "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram."

Os crentes apenas se lembrarão das coisas santas que valem a pena ter na memória, decerto não se lembrarão do que lhes causou tanta tristeza (Ap 22.3-5).

3.       O Destino Final dos Salvos
O estado final dos salvos é descrito como vida eterna. Mas, não é apenas uma vida sem fim, mas a vida em toda a sua plenitude, sem doenças e mortes (Rm 2.7). Os salvos viverão eternamente na presença de Deus, quando o Universo for submetido a um glorioso processo de renovação (2ª Pe 3.7, 10-13).

A vida eterna é desfrutada na comunhão com Deus, o que é realmente a essência da vida eterna (Ap 21.3). Os Justos verão a Deus (1ª Jo 3.2), encontrarão plena satisfação nEle e O glorificarão eternamente. As melhores palavras da linguagem humana são inadequadas para descrever as gloriosas realidades da vida eterna com Deus.

No céu os santos descansaremos (Ap 14.13; 21.4), gozando a realização plena da vida, a luz e a beleza (Ap 21.23; 22.5).
No céu os santos obteremos a plenitude de conhecimento (1ª Co 13.12).
No céu os santos serviremos ao Senhor (Ap 22.3), e gozaremos (Ap 21.4) cultuando ao Senhor com louvores, adoração e exaltação (Ap 21.22). Iremos honrar e o engrandecer ao Senhor.
No céu os santos viveremos a eterna comunhão com Deus, com os anjos e com todos os justos da Igreja.

Atividade principal no Novo Céu será a de louvor e adoração ao nosso Criador, Redentor, Senhor e Rei. Será um culto eterno a Deus, pois a majestade, a beleza e magnificência do Senhor nos levarão achar mais e mais motivos para glorificá-lo. Os atrativos da Sua glória produzirão em nós eternas razões para exaltá-lo eternamente.

“Biblicamente, a vida eterna não é apenas a promessa da vida na eternidade, mas é também a qualidade de vida característica das pessoas que vivem na eternidade. Tem a ver com qualidade tanto quanto duração (Jo 17.3). Não é apenas viver para sempre. A vida eterna é ser participante do reino onde habita Deus. É andar com o Deus vivo, em comunhão infindável.” John MacArthur

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." (Rm 11.33-36).

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas. Eu sou a Raiz e o Descendente de Davi, e a resplandecente Estrela da Manhã.
O Espírito e a noiva dizem: "Vem!" E todo aquele que ouvir diga: "Vem!" Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: "Sim, venho em breve!" Amém. Vem, Senhor Jesus!
A graça do Senhor Jesus seja com todos. Amém.” (Ap 22:13-21).