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O PLANO DE DEUS PARA OS HOMENS

Oséias Graça Tavares

E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. (Gênesis 1:31)

CONDIÇÃO DO HOMEM AO SER CRIADO
1-      Deus fez o homem reto e com livre-arbítrio, e lhe deu o governo sobre a terra e sobre os animais.

2-      O homem pecou, e houve um rebaixamento moral chamado de queda;

3-      A queda atingiu a retidão tornando seu arbítrio escravizado pelo pecado.

4-      Ao obedecer a um animal sobre o qual ele devia ter domínio, o homem perdeu o governo da terra.

5-      O diabo passou a ser o príncipe deste mundo, e a ter nas mãos os reinos do mundo.

6-      O pecado trouxe doenças e a morte física – ao pó voltarás

7-      Depois de pecar o homem passou a ter descendentes nascido à sua imagem e semelhança caída.

8-      Todos os descendentes nascem em pecado desde a madre e estão condenados a morte física, e estão separados de Deus por causa do pecado, e esta separação os condena a morte eterna.

9-      Por ter o seu arbítrio escravizado pelo pecado somente para praticar o mal, o homem não pode fazer o bem, e nem buscar a Deus.

10-  Deus é a fonte de todo bem incluindo a salvação. Se o homem não busca a Deus, só lhe resta ser alcançado pela graça de Deus, ou seguir separado de Deus para todo o sempre.

PLANEJAMENTO DO PAI
1-      Deus é onisciente, e dentro de sua onisciência há outro atributo denominado presciência, que faz com que Deus atue no tempo, embora esteja fora de qualquer fração e sucessão temporal. Ou seja, Deus está fora do tempo, e assim passado e futuro estão sempre diante dEle como um eterno presente onde não há tempo. Deus vê simultaneamente o passado, o futuro e o presente dos homens, mas para Deus não há sucessão de tempo.

2-      Deus, antes de criar o mundo, fez um plano que envolvia a criação, a queda, a redenção e o estado eterno dos anjos e dos homens.

3-      Deus poderia criar anjos e homens como robôs obedientes. Mas Deus quis que a criação do Universo fosse algo grandioso para a Sua glória. Mas, nada se compara em glória do que criar seres a sua imagem e semelhança com emoções, intelecto e vontade própria, e assim Deus criou os anjos imortais, espirituais, fortes e poderosos.

4-      Boa parte dos anjos pecou, e Deus, que de antemão sabia desta queda, também já havia preparado o inferno como uma prisão temporária e também o lago de fogo como prisão eterna para o diabo e seus anjos, pois Deus decidiu não resgatá-los do abismo moral em que caíram sendo banidos da presença de Deus.

5-      Para o louvor da Sua glória Deus criou o homem, e para usar de misericórdia com todos e ser glorificado, Deus colocou uma arvore no jardim do Éden, onde o homem vivia. E, ordenou-lhe que não comesse do fruto daquela arvore, avisando-o que certamente morreria ao comer do tal fruto.

EXECUÇÃO DO FILHO
1-      Deus quer se relacionar com homem, mas o pecado faz separação entre o Santo Deus e o homem pecador.

2-      Então Deus concede graça a alguns desses pecadores caídos, e assim Deus se relaciona com Abel, Sete, Enos, Enoque, Noé até chegar a Abraão, e lhe dizer que ele foi o escolhido para gerar o povo de Deus. Observe que não foi Abraão que buscou a Deus, mas Deus buscou a Abraão.

3-      Deus poderia escolher um povo que já existia na terra, e fazer dele o seu povo. Mas, o Senhor formou um povo para Si através dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. E o Senhor formou para Si o povo de Israel, e o conduziu com a Sua mão pela História como Lhe aprouve.

4-      Através de Moisés o Senhor deu a sua Lei ao povo de Israel para mostrar que o homem é pecador caído e incapaz de restabelecer a paz e a comunhão com Deus por meio da obediência à Lei de Deus, pois embora a Lei seja boa e espiritual, todo homem é carnal e vendido sob o pecado.

5-      Assim, a Lei se tornou uma maldição condenatória e um ministério de morte porque pela obediência à Lei ninguém jamais foi declarado justo diante de Deus porque o homem ao tentar se justificar por obedecer aos preceitos da Lei, sempre tropeçava em um se tornando assim culpado por ter transgredido todos os preceitos. Ou se obedecia a todos ou transgredia a todos. Assim, nunca nenhum homem foi justificado e salvo por meio da obediência à Lei.

6-      Deus já havia colocado em prática um plano provisório que por meio de "tipos" permitia que o homem caído pudesse ter seus pecados cobertos (e não perdoados) para assim poder ter comunhão com o Senhor Santo.

7-      O tipo é a imagem ou a representação de alguma coisa que vai acontecer em tempo futuro, e assim Deus introduziu a Antiga Aliança, as profecias, o templo, o altar, os sacrifícios de animais, o cordeiro pascal, expiação de pecados através do bode expiatório, o sumo sacerdote, etc. O antítipo é a realidade da coisa da qual o tipo é representação. Assim, a Nova Aliança e a sã doutrina se sobrepõem a Antiga Aliança e as profecias, o corpo como o templo, o coração como o altar, Cristo como o cordeiro sacrificado, o bode expiatório e o Sumo sacerdote. O tipo pode ser propriamente chamado ‘sombra’; o antítipo, a ‘realidade’.

8-      Quando chegou a plenitude do tempo determinado por Deus, o Pai enviou o Seu Filho para cumprir a Lei, anunciar o Evangelho do Reino, pagar o preço do resgate do homem, pagar a pena pela condenação do homem levando sobre si todos os pecados de todos os homens de todos os tempos, e cancelar a dívida do homem, tornando-se assim o Salvador de todo aquele que nEle crê.

APLICAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
1-      A salvação do homem é uma dádiva de Deus ao homem que estava afogado no mar de pecado, e Deus mergulhou neste mar para resgatar o homem. Assim, a separação entre Deus e os homens não existe mais.

2-      É de graça, ou seja, não há preço a pagar.

3-      É pela graça de Deus. Ou seja, é um favor de Deus, e não uma recompensa. Não é algo que temos que fazer para obtê-la e nem podemos nos gloriar por ter conseguido.

4-      É mediante a fé, ou seja, a fé não é meritória. Qual é a glória de se acreditar em algo que alguém fez por você?

5-      A aplicação da salvação trouxe mudança de Aliança, agora estamos aliançados com Deus firmados pelo sangue de Jesus, de modo que se formos infiéis ainda assim Deus mantém a sua parte na aliança.

6-      Houve mudança de sacerdócio, agora saímos da sombra que era o sacerdócio levítico, e passamos para a realidade da ordem de Melquisedeque.

7-      Houve mudança de doutrina, agora a igreja persevera nas doutrinas dos apóstolos de Cristo.

8-      Seguem as várias etapas da salvação:

A-  Eleição - “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”.  (Ef 1:4).

Eleição, do grego eklogên, é a base do plano da redenção. A eleição é a escolha que Deus fez para separar os salvos dentre os perdidos. Deus fez esta escolha porque quis fazer, foi um ato de sua soberania. Contudo esta escolha não foi um ato arbitrário ou de tirania, e nem tampouco há injustiça da parte de Deus porque o Oleiro tem direito sobre o barro.

“Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e pela vossa fé na verdade, e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”.  (2ª Ts 2:13,14).

Eleger ou escolher é: preferir dentre dois ou mais. Portanto, não existe isso de dizer que Deus elegeu uns para a salvação e outros para a perdição. Deus escolheu uns para a salvação, e não escolheu os demais.

B- Predestinação – “nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade”.  (Ef 1:11).”

Predestinar, do grego proorizo, é o ato não causal pelo qual Deus predeterminou desde antes da fundação do mundo a vida de algumas pessoas a algo que está fadado a acontecer impreterivelmente. A predestinação se refere ao poder de Deus para arranjar as circunstâncias a fim de cumprir seus planos, inclusive o da salvação. Deus predestinou àqueles que de antemão conheceu, foi a estes eleitos que Deus predestinou para serem conforme a imagem de Cristo, pois após a queda do homem, este passou a ser conforme a imagem caída de seus pais (Gn 5:3). A predestinação tem como base o beneplácito de Deus. A palavra beneplácito tem somente o sentido de aprovação, consentimento. Assim, Deus predestinou os eleitos para serem seus filhos adotivos consentindo que eles tivessem a imagem de Cristo.
“e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.  (Ef 1:5).

C-  Expiação - “... Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado por nós”.  (1ª Co 5:7).

Expiação é um ato judicial pelo qual Deus pune os pecadores pelos seus pecados, provendo um substituto imaculado, lhe imputando todo o pecado e a culpa da humanidade pelos seus pecados e por causa do pecado de Adão (Is 53:4-7). Deus condenou o nosso substituto a pagar o preço da dívida pelo pecado da humanidade. O substituto teve os nossos pecados lhe imputados, e por isso o substituto teve de pagar a nossa divida para com Deus com sua vida e com o seu sangue imaculado, pois a condenação era a morte de um justo pelos injustos. O verbo expiar vem do hebraico kaphar, e significa cobrir, e inclui a ideia de cobrir pecados desviando a ira de Deus (Sl 78:38). Expiação é a palavra síntese para a obra realizada por Cristo, e pela expiação nossos pecados são perdoados (Sl 78:38), cobertos (Sl 32:1) e apagados e esquecidos (Is 43:25). Adão após pecar, transmitiu à sua posteridade uma propensão para o mal, por isso o primeiro homem que nasceu neste mundo assassinou o segundo. E toda a humanidade herdou a natureza pecaminosa de Adão que gerou filhos e filhas à sua semelhança, conforme a sua imagem caída (Gn 5:3,4).

D-  Chamada - “Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis”. (Ap 17:14).

Chamada ou vocação é o ato de graça pelo qual Deus convida os homens, através de sua palavra, a receberem pela fé a salvação providenciada por Cristo.

“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.” (2ª Co 5:20).

E- Conversão - “Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure”. (Mt 13:15).

Conversão é o ato exterior, visível e prático da salvação, que ocorre uma só vez, e é permanente. Os dois aspectos da conversão são o arrependimento e a fé (Mt 21:32). Não há conversão onde a fé esteja desassociada do arrependimento. O arrependimento e a fé são atos subsequentes, quase simultâneos, da conversão, isto é, existe uma pequena separação cronológica entre eles. Podemos dizer que o pecador creu em Jesus porque se arrependeu de seus pecados, pois Jesus disse que o homem se arrepende para crê, ou seja, o arrependimento vem primeiro do que a fé: “vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele”. (Mt 21:32).

F- Justificação – “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. (Rm 5:1).

A justificação é um ato judicial de Deus, no qual ele declara, com base na justiça de Cristo, que todas as reivindicações são satisfeitas com vista ao pecador.

A justificação é o ato judicial através do qual Deus soberanamente decreta a absolvição do pecador, e o declara justo (At 13:39). A justificação veio como um ato da graça e do amor de Deus por causa da ofensa do homem (Rm 5:18).

A justificação é um ato de misericórdia de Deus que não merecemos. Perdoar significa esquecer os pecados. Justificar é declarar o pecador como se nunca houvesse cometido pecados. O fundamento da justificação é a obediência e morte redentora de Cristo, assim como sua ressurreição.

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniquidades deles levará sobre si”. (Is 53:11).

“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.” (Rm 3:23,24).


G- Reconciliação - “Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação”.  (Rm 5:10,11).

A reconciliação é a operação graciosa de Deus pela qual ele reconcilia os pecadores consigo mesmo, por meio da morte de Jesus Cristo, removendo a inimizade (Cl 1:20-22).

O pecado fazia separação entre os homens e Deus (Is 59:2), no entanto, Jesus rasgou o véu (Lc 23:45), nos reconciliando com Deus e nos dando livre acesso ao Pai (Ef 2:18). Esta reconciliação nos traz a paz, mas o acesso é obtido pela fé (Rm 5:1,2).

O termo ‘reconciliar’ significa ‘estabelecer paz entre pessoas’. Tem o sentido de acordo e paz que são o resultado da reparação do erro. Portanto, reconciliação é a ação de Deus pela qual nossa comunhão com ele é restabelecida através da morte de Cristo.

“Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamos-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus”.  (2ª Co 5:18-20).

A reconciliação é o cancelamento da inimizade entre duas partes em litígio. De um lado o Santo Deus e do outro lado a humanidade pecadora. Mas Deus, a parte ofendida toma a iniciativa de promover a reconciliação com o mundo inteiro. Pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo inteiro, não imputando aos homens as suas transgressões. E aqueles que são reconciliados com Deus, estão encarregados de divulgar a palavra da reconciliação para que o mundo se reconcilie com Deus.

H- Regeneração - “Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo”.  (Tt 3:5).

A regeneração é o ato soberano de Deus pelo qual o princípio de uma nova vida é implantado no homem. É a comunicação de vida divina à alma sob o comando do Espírito Santo, que implica numa completa e radical mudança interior. Através da regeneração somos introduzidos na família de Deus pela ação poderosa do Espírito Santo, na qual Deus cria de novo a natureza interior, libertando o arbítrio do homem que estava aprisionado pelo mal.

A palavra regeneração é oriunda do grego palingenesia que literalmente significa o retorno das coisas ao seu primitivo estado. Segundo a Bíblia a regeneração é o novo nascimento. Segundo o dicionário Aurélio regeneração, primariamente, significa: Tornar a gerar.

Todo cristão verdadeiro teve dois nascimentos: um natural e um eterno. E, não se trata de transformação do velho homem num novo homem, mas Deus cria um novo homem com capacidade de lutar e subjugar o velho reduzindo-o à escravidão.

I-  Adoção – “Ora, digo que por todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere de um servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus”. (Gl 4:1-7).

Adoção é o ato pelo qual Deus recebe como filho próprio alguém que não é seu filho legítimo, conferindo-lhe todos os direitos e obrigações dessa posição. A palavra adoção vem do grego huiothesia, e significa literalmente ‘por como filho’.

Adoção é o resultado da ressurreição de Cristo e se dá por meio da imputação, na qual a justiça de Cristo, que dá o direito legal à adoção, é imputada ao crente.

A regeneração é uma operação que nos dá o poder para nos tornarmos filhos de Deus no que tange ao novo nascimento, ou seja, sermos revestidos da natureza divina e santa (Jo 1:12),contudo ainda seremos legalmente como os ímpios, ou seja, criaturas de Deus.

J- Santificação - “Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna”. (Rm 6:22).

Santificação é a graciosa e contínua operação do Espírito Santo pela qual Ele renova toda a natureza do pecador justificado à imagem do Filho de Deus, separando-o para uso exclusivo do Senhor.

A palavra geralmente usada no hebraico é kadosh, que significa separado. A raiz grega da qual se origina esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego hagios. O pensamento mais próximo no grego secular era: sublime, consagrado, venerável. Observe que o elemento moral está totalmente ausente.
“porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados.” (Hb 10:14).

É um erro confundir a santificação com a retidão. Enquanto a retidão tem a ver com práticas e condutas moralmente corretas, a santificação é o processo de sublimar, estar acima, transcender, ou seja, se tornar sublime, o que nada mais é do que se aproximar de Deus. Por isso aqueles que estão sendo santificados procuram as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus, (Cl 3:1) e nós, os santificados, estamos assentados com Ele nos lugares celestiais (Ef 2:6).

Deus é santo, santo, santo porquanto é tão separado que é o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver, e está assentado sobre um alto e sublime trono (Is 6:1), e o próprio Cristo (que nunca pecou) disse: “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.” (Jo 17:19) e a Bíblia nos ordena a santificar Àquele que é Santíssimo (1 Pe 3:15).

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.” Isaías 57:15

Nas Escrituras, uma pessoa (ou coisa) é chamada santa por motivo de haver sido separada para serviço exclusivo de Deus (Rm 1:1), e feito participante da santidade de Deus (Hb 12:10).

Portanto, a santificação nada mais é do que a adequação à imagem do Filho de Deus, algo que todos os eleitos estão predestinados para se adequar (Rm 8:29).
  
K- Perseverança dos Santos - “Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas”. (Lc 21:19).

A perseverança é um dos mais belos assuntos doutrinários que temos na palavra de Deus. A perseverança dá ao crente segurança espiritual (Cl 4:2) e o deixa vigilante (Mt 24:4,5) para jamais ser enganado. A perseverança faz o crente ser firme e constante (1ª Co 15:58), para nunca ser levado por ventos de doutrinas e heresias (Ef 4:14).

“Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” (Hb 10:36).

Viver uma vida de perseverança não é para quem apenas professa a fé em Cristo, ou se torna membro de uma denominação evangélica, mas é uma necessidade daqueles que têm uma experiência genuína com o Senhor, e que estão dispostos a viverem para Deus. A perseverança leva o crente a uma vida de comunhão e consagração.

L-  Segurança Eterna
“Aparta-te do mal e fazei o bem; e terás morada permanente. Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos. Eles serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada”. (Sl 37:27,28).

A segurança é a garantia eterna e imutável da salvação, iniciada e completada por Deus, no coração dos regenerados. A segurança eterna representa o lado divino que complementa a perseverança.

Ao falarmos sobre a segurança eterna da salvação, devemos refletir e procurar responder a grande questão: é possível um cristão perder a salvação? Antes de respondermos a esta pergunta, faremos uma consideração inicial. Em que consiste a salvação? Se respondermos que ela é algo que deva ser conquistado pelo próprio homem através de seus esforços, então teremos que admitir que é possível ao homem perder a sua salvação. Entretanto, a salvação não é uma conquista humana, mas um dom de Deus (Ef 2:8).

A palavra dom vem do grego charisma e significa presente. Portanto, a salvação não vem de nós mesmos, dos nossos esforços, mas vem graciosamente de Deus. Se a salvação é um presente, e não uma recompensa aos nossos sacrifícios, então, ela não pode ser perdida. A Escritura afirma que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 10:29). Seria muito deselegante dar um presente, e depois tomá-lo de volta. Deus jamais faria tal coisa. Por ser um dom, nossa salvação é irrevogável.

M- Glorificação - “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos”. (1ª Jo 3:2).

Glorificação é a operação divina pela qual o crente regenerado há de ressuscitar corporalmente, tendo seu corpo abatido, transformado à semelhança do corpo glorioso do Senhor Jesus (Fp 3:21).

A glorificação é o ponto em que as doutrinas da salvação (soteriologia) e das últimas coisas (escatologia) se entrelaçam163, pois apontam, além desta vida, para um estado eterno.
Assim como a natureza espera sua redenção (Rm 8:22), o salvo espera ansioso a redenção do corpo (Rm 8:23), pois neste momento se dará a glorificação final do crente, quando seremos transformados a semelhança do Senhor (Rm 8:29,30).

Deus, ao criar o homem, o fez à sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn 1:26), consequentemente, o homem foi criado com a glória de Deus (Ex 16:7). Mas, o pecado causou a perda da glória divina no homem (Rm 5:12). Somente em Cristo podemos ser restaurados à imagem e à glória divina (2ª Co 3:18).

Jesus disse: "Está consumado!" João 19:30

O ESTADO ETERNO

1.       Novos Céus e Nova Terra
Há uma ideia errada de como realmente é o Céu. Nos capítulos 21 e22 de Apocalipse vemos uma descrição detalhada dos Novos Céus e Nova Terra. Depois do fim dos tempos, os atuais Céus e Terra serão destruídos e substituídos por Novos Céus e Nova Terra. O lugar de habitação eterna dos crentes será a Nova Terra. A Nova Terra é o que chamamos de “Céu”, o local onde passaremos a eternidade. É na Nova Terra, onde a Nova Jerusalém, a cidade celestial, se estabelecerá quando descer do céu. É a Nova Terra o lugar onde haverá portões de pérolas e ruas de ouro. Portanto, a Nova Terra é o lugar físico onde habitaremos com corpos físicos já glorificados (I Co 15:35-58). O Céu onde os crentes viverão será um novo e perfeito planeta no qual habitaremos. O Novo Céu será livre de pecado, mal, enfermidade, sofrimento e morte. Será provavelmente muito parecido com nossa Terra atual, ou talvez até uma recriação de nossa terra atual – mas sem a maldição do pecado.
Todo o universo será criado, uma Nova Terra, novos céus, um novo espaço sideral.

2.       Teremos comunhão com nossos amigos e familiares no Céu
Na eternidade, haverá tempo de sobra para ver, reconhecer e estar na companhia dos nossos amigos e familiares. No entanto, esse não será o nosso foco principal porque estaremos muito mais ocupados em adorar a Deus, servi-lo, aprender os mistérios de Deus e desfrutar das maravilhas do Céu.

"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas." (Is 65:17). No entanto, o versículo anterior nos diz: "já estão esquecidas as angústias passadas e estão escondidas dos meus olhos." (Is 65:16,) Portanto, as nossas "angústias passadas" serão esquecidas - não todas as nossas lembranças. As nossas memórias serão purificadas, redimidas, curadas e restauradas - não apagadas. Não há nenhuma razão pela qual não poderíamos possuir muitas lembranças da nossa vida terrena. As lembranças que serão apagadas são as que envolvem o pecado, dor e tristeza. Apocalipse 21:4 declara: "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram."

Os crentes apenas se lembrarão das coisas santas que valem a pena ter na memória, decerto não se lembrarão do que lhes causou tanta tristeza (Ap 22.3-5).

3.       O Destino Final dos Salvos
O estado final dos salvos é descrito como vida eterna. Mas, não é apenas uma vida sem fim, mas a vida em toda a sua plenitude, sem doenças e mortes (Rm 2.7). Os salvos viverão eternamente na presença de Deus, quando o Universo for submetido a um glorioso processo de renovação (2ª Pe 3.7, 10-13).

A vida eterna é desfrutada na comunhão com Deus, o que é realmente a essência da vida eterna (Ap 21.3). Os Justos verão a Deus (1ª Jo 3.2), encontrarão plena satisfação nEle e O glorificarão eternamente. As melhores palavras da linguagem humana são inadequadas para descrever as gloriosas realidades da vida eterna com Deus.

No céu os santos descansaremos (Ap 14.13; 21.4), gozando a realização plena da vida, a luz e a beleza (Ap 21.23; 22.5).
No céu os santos obteremos a plenitude de conhecimento (1ª Co 13.12).
No céu os santos serviremos ao Senhor (Ap 22.3), e gozaremos (Ap 21.4) cultuando ao Senhor com louvores, adoração e exaltação (Ap 21.22). Iremos honrar e o engrandecer ao Senhor.
No céu os santos viveremos a eterna comunhão com Deus, com os anjos e com todos os justos da Igreja.

Atividade principal no Novo Céu será a de louvor e adoração ao nosso Criador, Redentor, Senhor e Rei. Será um culto eterno a Deus, pois a majestade, a beleza e magnificência do Senhor nos levarão achar mais e mais motivos para glorificá-lo. Os atrativos da Sua glória produzirão em nós eternas razões para exaltá-lo eternamente.

“Biblicamente, a vida eterna não é apenas a promessa da vida na eternidade, mas é também a qualidade de vida característica das pessoas que vivem na eternidade. Tem a ver com qualidade tanto quanto duração (Jo 17.3). Não é apenas viver para sempre. A vida eterna é ser participante do reino onde habita Deus. É andar com o Deus vivo, em comunhão infindável.” John MacArthur

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." (Rm 11.33-36).

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas. Eu sou a Raiz e o Descendente de Davi, e a resplandecente Estrela da Manhã.
O Espírito e a noiva dizem: "Vem!" E todo aquele que ouvir diga: "Vem!" Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: "Sim, venho em breve!" Amém. Vem, Senhor Jesus!
A graça do Senhor Jesus seja com todos. Amém.” (Ap 22:13-21).

O QUE É O EVANGELHO?

Mark Dever

O evangelho são as boas novas acerca do Jesus Cristo fez para reconciliar pecadores com Deus. Aqui está a história toda:

O Deus único, que é santo, nos criou à sua imagem para que o conhecêssemos (Gn 1.26-28).

Todavia, nós pecamos e nos separamos desse Deus (Gn 3; Rm 3.23).

Em seu grande amor, Deus enviou o seu Filho Jesus para vir como rei e resgatar o seu povo dos seus inimigos – sobretudo do próprio pecado (Sl 2; Lc 1.67-69).

Jesus estabeleceu o seu reino ao atuar, de uma só vez, como um sacerdote mediador e um sacrifício sacerdotal – ele viveu uma vida perfeita e morreu na cruz, assim cumprindo ele mesmo a lei e tomando sobre si a punição devida ao pecado de muitos (Mc 10.45; Jo 1.14; Hb 7.26; Rm 3.21-26; 5.12-21).

Ele agora nos chama ao arrependimento dos nossos pecados e à fé em Cristo somente, para o nosso perdão (At 17.30; Jo 1.12). Se nos arrependermos  e confiarmos em Cristo, nascemos de novo para uma nova vida, uma vida eterna com Deus (Jo 3.16).

Então, essas são boas novas.

Uma boa maneira de resumir essas boas novas é descortinar biblicamente as palavras Deus, homem, Cristo, resposta.

- Deus
O Senhor Deus é o criador de todas as coisas (Gn 1.1). Ele é perfeitamente santo, digno de toda adoração, e há de punir o pecado (1Jo 1.5; Ap 4.11; Rm 2.5-8).

- Homem
Todas as pessoas, embora criadas boas, tornaram-se pecaminosas por natureza (Gn 1.26-28; Sl 51.5; Rm 3.23). Desde o nascimento, todas as pessoas estão separadas de Deus, são hostis a Deus e estão debaixo da ira de Deus (Ef 2.1-3).

- Cristo
Jesus Cristo, que é plenamente Deus e plenamente homem, viveu uma vida sem pecado, morreu na cruz para suportar a ira de Deus em lugar de todos aqueles que haveriam de crer nele, e ressuscitou do sepulcro para dar vida eterna ao seu povo (Jo 1.1; 1Tm 2.5; Hb 7.26; Rm 3.21-26; 2Co 5.21; 1Co 15.20-22).

- Resposta
Deus chama todos os homens, em todos os lugares, para que se arrependam de seus pecados e creiam em Cristo a fim de serem salvos (Mc 1.15; At 20.21; Rm 10.9-10).

ALGUMAS MENSAGENS PREGADAS QUE SÃO FALSOS EVANGELHOS:

A- DEUS QUER NOS TORNAR RICOS
Alguns pregadores atualmente dizem que as boas novas são que Deus deseja nos abençoar com abundância de dinheiro e possessões – e tudo o que nós precisamos fazer é pedir! Mas o evangelho é uma mensagem sobre bênçãos espirituais (Ef 1.3): Deus enviou Jesus Cristo para morrer e ressuscitar por nós, a fim de nos justificar, reconciliar com Deus e nos dar vida eterna com Deus (Rm 3.25-26; 6.23; 2Co 5.18-21). Além disso, a Bíblia promete que os cristãos não terão prosperidade material nesta vida, mas tribulação (At 14.22), perseguição (2Tm 3.12) e sofrimento (Rm 8.17), sendo que um dia todas essas coisas darão lugar a uma glória indizível (2Co 4.17; Rm 8.18).

B- DEUS É AMOR E TUDO ESTÁ BEM CONOSCO
Algumas pessoas pensam que o evangelho significa que Deus nos ama e nos aceita exatamente como somos. Mas o evangelho bíblico confronta as pessoas como pecadores que enfrentarão a ira de Deus (Rm 3.23; Jo 3.36) e então mostra-lhes a solução radical de Deus: a morte de Jesus na cruz, pela qual ele carregou os pecados do povo de Deus. Este evangelho chama as pessoas a uma resposta igualmente radical: a se arrependerem de seus pecados e crer em Cristo para a salvação.

C- NÓS DEVEMOS VIVER CORRETAMENTE
O evangelho não é uma mensagem que nos ensina a viver uma vida melhor e, assim, nos tornar justos diante de Deus. Na verdade, o evangelho nos ensina exatamente o oposto: nós não podemos fazer o que agrada a Deus e nós jamais poderemos nos tornar aceitáveis a ele (Rm 8.5-8). Mas as boas novas são que Jesus fez por nós o que jamais poderíamos fazer por nós mesmos: ao viver uma vida perfeita e suportar a ira de Deus na cruz, ele assegurou a salvação de todos aqueles que dão as costas para o seu pecado e creem nele (Rm 5.6-11; 8.31-34).

D- JESUS VEIO TRANSFORMAR A SOCIEDADE
Algumas pessoas acreditam que a missão de Jesus era transformar a sociedade e fazer justiça ao oprimido por meio de uma revolução política. Mas a Bíblia ensina que este mundo só se tornará justo quando Jesus vier novamente trazendo novos céus e nova terra (2Ts 2.9-10; Ap 21.1-5). O evangelho é, fundamentalmente, uma mensagem sobre a salvação da ira de Deus por meio da fé em Cristo, não a transformação da sociedade nesta era presente.

SOU A FAVOR DA ESCRAVIDÃO

MAURÍCIO ZÁGARI

Você é a favor da escravidão? Pode parecer estranho e até ofensivo eu te perguntar isso, afinal, nenhum ser humano civilizado considera a escravidão humana algo correto, não é mesmo? Bem, na verdade, até pouco mais de um século, aqui mesmo no Brasil, milhões de pessoas civilizadas e cultas acreditavam que ter escravos humanos era algo totalmente normal e cabível. Como pode? Como pode tantos indivíduos bons e até mesmo cristãos terem visto essa prática abominável como aceitável? Eu estava vendo fotos do acervo do Instituto Moreira Salles que mostram escravos no Brasil há apenas cerca de 130 anos. As imagens me impactaram e comecei a refletir sobre a escravidão. Meu primeiro impulso foi o de condenar aquela sociedade, que abraçava como natural a ideia de que pessoas podem ser donas de outras e fazer com elas o que quiserem. Mas, pensando mais um pouco, acabei chegando à conclusão de que, se eu vivesse no Brasil daquela época, também não teria problemas com a escravidão. Possivelmente, eu mesmo teria alguns escravos. Por quê? Porque estaria tão inserido naquela realidade que nem gastaria muito tempo pensando sobre a validade daquilo. Na verdade, estaria tão acostumado com aquela situação que minha mentalidade seria: sempre foi assim, sempre será; é como é, não há o que questionar. E essa constatação me conduziu a uma percepção espiritual: eu sou a favor da escravidão. Permita-me explicar.

Você já assistiu ao filme “O show de Truman”? Se não, recomendo que o faça, é um dos longa-metragens mais interessantes a que já assisti. Narra a história de um homem que viveu toda sua vida num gigantesco estúdio de televisão. Todas as pessoas com quem convive são atores, num grande reality show. Sua vida não passa de uma enorme mentira, mas ele vive anos nessa loucura sem perceber. Em certo momento do filme, um repórter pergunta para o diretor e idealizador do show: “Por que o senhor acredita que Truman nunca percebeu que está num programa de televisão?”. A resposta dele é muito significativa: “Nós aceitamos a realidade do mundo conforme nos é apresentada”. Isso explica com clareza por que milhões de pessoas boas acatavam a escravidão como normal: elas nasceram numa realidade em que aquilo era natural, cresceram aprendendo que não havia nada de mais na escravidão e, por isso, nunca questionaram aquela barbárie.

escravo0Nascemos escravos do pecado. Crescemos escravos do pecado. No mundo, enxergamos a escravidão ao pecado como algo aceitável. Enquanto as correntes da transgressão prendem nossos pés, não questionamos essa situação. Vemos como algo natural a desobediência a Deus, afinal, a realidade que nos foi apresentada pela sociedade ao nosso redor é a da escravidão ao pecado – e a temos como normal. Até que, um dia, uma alternativa se descortina diante de nossos olhos: Jesus nos dá carta de alforria. Percebemos, então, que é viável uma vida que se desagrada do pecado. É impossível nos livrarmos totalmente das algemas que nos prendem à transgressão, mas o Espírito Santo nos mostra que podemos não nos conformar a ela. “Porque, se fomos unidos com ele [Jesus] na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos [...] Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.5-6, 17-18).

Até aqui nenhuma novidade. Tenho certeza de que você já sabia que a salvação em Cristo no torna livres da escravidão do pecado. Você é chamado pela graça de Deus e, com isso, torna-se absolutamente, totalmente, inquestionavelmente livre, certo?

Errado.

Eis o ponto fundamental: na verdade, a salvação não vem para nos tornar livres da escravidão. Ela vem apenas para mudar o nosso dono. Continuamos escravos, mas não mais do pecado: de Cristo. “O que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” (1Co 7.22). Ou seja: deixamos de ser escravos do pecado para nos tornarmos escravos de Jesus. Nesse sentido, sou, sim, totalmente a favor da escravidão e me contento com essa realidade, apresentada não mais pelo mundo, mas pelas Escrituras sagradas. “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).

A grande diferença entre esses dois tipos de escravidão é que o pecado nos torna apenas escravos – seres abatidos, sem vontade própria, destituídos de liberdade. Porém, ao nos tornarmos escravos de Cristo, recebemos também outros títulos: somos feitos filhos de Deus, amigos de Jesus, herdeiros da eternidade, verdadeiramente livres! “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.34-36). Ser escravo de Cristo significa receber alforria não para ser um indivíduo autônomo e independente, mas totalmente acorrentado à liberdade que a vida eterna nos concede. Portanto, aceite a escravidão, ela é uma realidade inevitável.

escravo2Infelizmente, mesmo ao nos tornarmos escravos de Cristo algumas correntes de nosso antigo senhor continuam atadas aos nossos membros. Por isso, embora tenhamos sido chamados pela graça à servidão a Deus, continuamos sendo puxados de volta à senzala do pecado. É o que Paulo escreveu: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.14-25).

Não tem jeito, meu irmão, minha irmã, você é e será sempre escravo. A questão é: de quem? Se Cristo te chamou pela graça, você pertence ao Senhor, mas saiba que o pecado não ficou feliz com essa mudança. O pecado quer você de volta. Não permita que isso aconteça, lute pela sua servidão ao único amo que oferece a paz, Jesus Cristo. A cruz te libertou, mas o Diabo quer manter você acorrentado. O que te manterá longe da senzala da transgressão é a sua santidade. Muitas vezes fraquejamos, caímos, perdemos a batalha, nos arrastamos como cães ao antigo vômito da escravidão ao pecado. Mas Jesus não se conforma com isso, pois você pertence a ele. Então ele te chama constantemente ao arrependimento e, se você rende sua vontade a ele, o perdão sempre está ao seu alcance.

Você é cristão mas tem cedido ao pecado? As correntes da desobediência o têm arrastado de volta ao lugar de onde saiu? Você tem praticado novamente aquilo de que Jesus já te libertou? Então a hora é esta: ouça a voz do Bom Pastor chamando-o de volta. Peça perdão. Abandone essa prática. Você pertence a Cristo e foi chamado para habitar não mais nas imundas senzalas do pecado, mas nas puras mansões celestiais. Você é escravo da liberdade. Não abra mão disso.



O POVO DE DEUS ESTÁ SENDO DESTRUÍDO POR FALTA DE CONHECIMENTO DE... DEUS


 Marcos Alexandre Damazio

 CONHECENDO O MOTIVO PELO QUAL DEUS CRIOU O HOMEM
“Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem.” (Isaias 48:11).
Deus criou o homem e todas as demais coisas apenas para o louvor da sua glória.
Muitos de nós já nos perguntamos por que Deus criou o homem sabendo que o homem iria pecar. A resposta a esta pergunta é que de algum modo Deus viu que seria mais glorificado criando o homem a sua imagem e semelhança, e com livre-arbítrio (onde um ser criado com livre-arbítrio é uma realidade, o pecado é uma possibilidade). Deus viu que seria mais glorificado resgatando o homem do pecado do que criando robôs santos e sem a capacidade de escolher entre o bem e o mal. E, para a sua glória Deus criou a árvore do conhecimento do Bem e do Mal, colocando-a no meio do Jardim do Éden.
Portanto, o objetivo primário de Deus é ser glorificado. E esta premissa Deus não divide com ninguém. Assim, nenhuma glória será dada ao homem ou a anjo algum. Toda glória seja a Deus somente.

CONHECENDO QUE DEUS É PERFEITO
“Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento;
Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” (Hebreus 6:17,18).
Quantos de nós quando cometemos algum pecado pensamos que Deus deixará de nos amar ou nos amará menos? Igualmente, quantos de nós nos enchemos de jactância ao pensarmos que seremos mais amados por Deus pela nossa obediência, santidade ou por ganhar muitas vidas para Jesus?
Bem, Deus é perfeito (Mateus 5:48), e um Ser perfeito ao amar ama com amor perfeito, amor máximo. Então, por ser perfeito, Deus é também imutável, ou seja, Ele não varia. Em Deus não existe amar menos ou amar mais, pois neste caso seria possível Deus variar para pior (amar menos) ou para melhor (amar mais), e em Deus não existe nem mesmo sombra de variação.
Deus não faz acepção de pessoas, assim Deus ama Adolf Hitler e Madre Teresa de Calcutá como o mesmo amor intenso (Romanos 2:11).
Jesus Cristo, um espírito eterno, se tornou um embrião no ventre de Maria, nasceu como um bebê humano, se tornou um homem e depois voltou ao Céu para ser o único ser teantrópico. Mas, acerca deste Ser Divino a Bíblia diz: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13:8).
“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:17).

CONHECENDO QUE DEUS É ONISCIENTE E PRESCIENTE
“E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido” (Atos 1:24)
Deus conhece todas as coisas. Ele sabe quem crê em Jesus e quem não crê, independente de frequentar igrejas ou não, Deus sabe aqueles que creem conforme as Escrituras (João 7:38). Então, todo o plano da redenção foi erguido sobre a eleição, e o alicerce da eleição é a presciência de Deus (1ª Pedro 1:2). Deus não está sujeito ao tempo, e para ele não existe passado e futuro, pois tudo está como um eterno presente diante dos seus olhos pela sua onisciência e pela sua presciência. E Deus, pela sua capacidade de conhecer previamente os fatos, ou seja, presciência, elegeu aos que de antemão conheceu (Romanos 8:29,30). 

CONHECENDO QUE DEUS NOS ESCOLHEU
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. (Efésios 1:4).
A eleição é a escolha que Deus fez para separar os salvos dentre os perdidos. Deus fez esta escolha porque quis fazer, foi um ato de sua soberania. Contudo esta escolha não foi um ato arbitrário ou de tirania, e nem tampouco há injustiça da parte de Deus.
Esta escolha não é dizer que Deus se baseia nas nossas obras, na nossa obediência ou santidade para nos eleger, pois não é por obras (2ª Timóteo 1:9), e sim por fé, somente fé (Romanos 1:17).
“Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.” (Romanos 9:11-16).
Devemos nos lembrar que não somente a nossa salvação, mas também a nossa vida depende da misericórdia de Deus, que é a causa de não sermos consumidos. É só estamos vivos e salvos porque Deus tem PENA de nós.
Sendo assim, o propósito de Deus não é por causa das obras, e sim por fé, pois a Bíblia diz que Deus nos elegeu para a salvação pela santificação do Espírito e pela nossa fé na verdade (2ª Tessalonicenses 2:13), para a nossa obediência (1ª Pedro 1:2).
Dessa maneira a fé é a única condição para a nossa salvação. Quanto à chamada ela não é apresentada como a base da eleição, pois Jesus disse que muitos são chamados, porém destes chamados poucos são escolhidos, portanto, Deus chama muitos, porém destes muitos chamados poucos são escolhidos. Isto é, Deus também chama os não eleitos.
“Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16).

CONHECENDO QUE DEUS NUNCA SE ENGANA
Deus sabe que todos os homens são carnais e estão vendidos sob o pecado (Romanos 7:14), e sabe também que o homem carnal não obedece à lei de Deus e, de fato, não pode obedecer a ela (Romanos 8:7).
O que eu quero dizer com isso é que aqueles que Deus escolheu já estão salvos. Mas, estão salvos não por causa de sua obediência ou santidade (isto é consequência da escolha de Deus, e não a causa), porém esta salvação vem do Senhor que a garante nem que para isso seja preciso reduzir os dias difíceis da grande tribulação.
A presciência de Deus nunca se engana, e assim sendo, Deus sabe de antemão que os eleitos não se enganarão e se salvarão se os dias de tribulação forem abreviados.
“Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”. (Mateus 24:24).
Damos graças ao nosso bom Deus por ter abreviado os dias de tribulação, pois sem esta intervenção de Deus ninguém se salvaria, e ainda seríamos enganados. Mas graças ao nosso Senhor isto não é possível.


“Ouvi a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus.” Oséias 4:1


“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” Oséias 4:6


“Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” Oséias 6:6


“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. Mateus 22:29


“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” Oséias 6:3